Virginia Woolf

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Virginia Woolf
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Virginia Woolf (25 de janeiro de 1882, Londres, Inglaterra - 28 de março de 1941, Rio Ouse, Oeste de Sussex, Inglaterra); escritora inglesa.


  • "Deve-se estar em condições de acompanhar estas senhorinhas em casa e de ouvir seus comentários, no quarto de dormir, à luz da vela; deve-se estar a seu lado quando acordam, na manhã seguinte; deve-se assistir às progressões que ambas fazem no decurso do dia. Quem tiver feito isso, e não só por um dia, mas por vários, será então capaz de aquilatar os valores das impressões que estarão por ser recebidas à noite, na sala de visitas."
- Contos completos‎ - Página 15, Virginia Woolf, traduzido por Leonardo Fróes, Editora Cosac Naify, 2005, ISBN 8575034006, 9788575034002 - 472 páginas
  • "A beleza do mundo, que muito em breve perecerá, tem duas margens, uma do riso e outra da angústia, que cortam o coração em duas metades."
- The beauty of the world, which is so soon to perish, has two edges , one of laughter, one of anguish, cutting the heart asunder.
- A room of one's own - página 17, Virginia Woolf, Editora Harcourt, Brace & World, 1957, ISBN 0156787326, 9780156787321, 117 páginas
  • "Um espaço só nosso".
- Citação em valorização às mulheres.
- Contos completos - página 27, Virginia Woolf, traduzido por Leonardo Fróes, Editora Cosac Naify, 2005, ISBN 8575034006, 9788575034002, 472 páginas
  • "Escrever é que é o verdadeiro prazer; ser lido é um prazer superficial."
- The truth is that writing is the profound pleasure and being read the superficial.
- A writer's diary: being extracts from the diary of Virginia Woolf - página 76, (The works of Virginia Woolf); Virginia Woolf, editor Leonard Woolf, Editora Hogarth Press, 1953, 372 páginas
  • "As mulheres serviram por todos estes séculos como espelhos possuindo o mágico e delicioso poder de refletir a figura do homem com o dobro do seu tamanho natural."
- Em Teresa de Lauretis, Alice Doesn't: Feminism, Semiotics, Cinema (Bloomington: Indiana University Press, 1984), p. 6.
  • "O que é uma mulher? Eu lhes asseguro, eu não sei. Não acredito que vocês saibam. Não acredito que alguém possa saber até que ela tenha se expressado em todas as artes e profissões abertas à habilidade humana."
- What is a woman? I assure you, I do not know...I do not believe that anybody can know until she has expressed herself in all the arts and professions open to human skill.
- Women and writing - página 60, Virginia Woolf, Michèle Barrett, editor Michèle Barrett, Women's Press, 1979, 198 páginas

Obras[editar]

O Quarto De Jacob[editar]

  • "Parece, portanto, que homens e mulheres falham igualmente. Parece que não conhecemos em absoluto uma opinião profunda, imparcial e absolutamente justa sobre nossos próximos. Ou somos homens, ou somos mulheres. Ou somos frios, ou somos sentimentais. Ou somos jovens, ou estamos envelhecendo. Em qualquer caso, a vida não é senão uma procissão de sombras, e sabe Deus por que as abraçamos tão avidamente e as vemos partir com tal angústia, já que não passam de sombras. E por que, se isso e muito mais é verdade, por que ainda assim nos surpreendemos no canto da janela com a inesperada visão de que o rapaz na cadeira é, entre todas as coisas do mundo, a mais sólida, a mais real, a que melhor conhecemos – sim, por quê? – Pois, no momento seguinte, já nada sabemos sobre ele".
  • "Mulheres envoltas em xales carregam bebês de pálpebras roxas; meninos postam-se nas esquinas; meninas olham do outro lado da rua – ilustrações grosseiras, retratos num livro cujas páginas viramos e reviramos como se tivéssemos de encontrar, afinal, o que procuramos. Cada rosto, cada loja, cada quarto de dormir, prédio público, praça escura, é uma ilustração do que viramos febrilmente – à procura de quê? Com os livros acontece a mesma coisa. O que buscamos em milhões de páginas? E ainda viramos páginas, cheios de esperança… Ah, aqui está o quarto de Jacob".

Rumo Ao Farol[editar]

  • "E mesmo assim, sabia que o conhecimento e a sensatez se ocultavam no coração da Sra. Ramsay. Como, perguntara-se então, podia-se saber certas coisas sobre os outros, se eram assim tão fechados? Somente como uma abelha, atraída pela suavidade ou a acidez do ar - inatingíveis ao tato ou ao gosto - é que se podia frequentar a colmeia (...); as colmeias que eram as pessoas."
  • "

Mrs. Dalloway[editar]

  • "Como somos uma espécie condenada, prisioneira num barco, como tudo é uma farsa de mau gosto, desempenhemos, afinal de contas, nosso papel; mitiguemos as penas dos nossos companheiros de prisão. Decoremos o calabouço com flores e almofadas; sejamos o mais corretos possível."
  • ""... Sempre achara que era muito, muito perigoso viver, por um só dia que fosse."
  • "Rosas, pensou, sarcasticamente. Bobagens, minha cara. Pois em verdade, quando se tem de comer, beber e deitar, tanto nos bons como nos maus dias, a vida não tem nada a ver com rosas."

Orlando - uma biografia[editar]

  • "Ele já tinha enchido dez páginas ou mais com poesia. Era evidentemente fluente, mas abstrato. O cio, o crime, a miséria eram os personagens do seu dilema. Havia reis e rainhas de territórios impossíveis; terríveis intrigas os confundiam; sentimentos nobres inundavam; não havia uma só palavra dita como ele próprio a diria."
  • "Somos desfeitos pela verdade. A vida é um sonho. É o despertar que nos mata".

Um Teto Todo Seu[editar]

  • "A vida, para ambos os sexos — e olhei para eles a abrirem caminho, às cotoveladas, pela calçada —, é árdua, difícil, uma luta perpétua. Ela exige coragem e força gigantescas. Mais que tudo, talvez, sendo, como somos, criaturas da ilusão, ela exige autoconfiança. Sem a autoconfiança, somos como bebês no berço. E como podemos gerar essa qualidade imponderável, e apesar disso tão inestimável, da maneira mais rápida? Pensando que as outras pessoas são inferiores a nós mesmos. Sentindo que temos alguma superioridade inata — pode ser riqueza ou posição social, um nariz afilado ou o retrato de um avô pintado por Romney, pois não há limite para os patéticos recursos da imaginação humana — sobre as outras pessoas. Daí a enorme importância para um patriarca que tem que conquistar, que tem que dominar, de sentir que um grande número de pessoas, a rigor, metade da raça humana lhe é por natureza inferior. De fato, essa deve ser uma das principais fontes de seu poder."
  • "As mulheres durante todos estes séculos serviram de espelhos possuindo o poder mágico e delicioso de refletir uma imagem do homem com o dobro do seu tamanho natural. Sem esse poder, provavelmente, a Terra seria ainda pântano e selva. As glórias de todas as guerras seriam desconhecidas. Estaríamos ainda arranhando os contornos de cervos nos restos de ossos e trocando pederneiras por peles de carneiro ou qualquer outro ornamento simples que agradasse ao nosso gosto sem sofisticação. O Super Homem ou o Dedo do Destino nunca teriam existido. O Czar e o Kaiser nunca teriam portado suas coroas ou as perdido. Qualquer que possa ser sua utilidade em sociedades civilizadas, espelhos são essenciais a toda ação violenta e heróica. Eis porque tanto Mussolini quanto Napoleão insistem tão enfaticamente na inferioridade das mulheres, pois se elas não fossem inferiores, eles pararariam de engrandescer-se. Isso serve para explicar, em parte, a indispensável necessidade que as mulheres tão freqüentemente representam para os homens. E serve para explicar como eles ficam inquietos quando colocados sob a sua crítica, como é impossível para ela dizer-lhes que este livro é ruim, este quadro é fraco, ou o que quer que seja, sem causar mais dor ou despertar mais raiva que um homem que fizesse a mesma crítica. Pois, se ela começa a dizer a verdade, a figura no espelho encolhe, sua aptidão para a vida é diminuída. Como pode ele continuar a passar julgamentos, a civilizar nativos, a fazer leis, escrever livros, arrumar-se todo e discursar em banquetes, a menos que possa ver a si mesmo no café da manhã e no jantar com pelo menos o dobro do tamanho que realmente é?"

As Ondas[editar]

  • “O sol ainda não nascera. O mar se distinguia do céu, exceto por estar um pouco encrespado, como um tecido que se enrugasse.”
  • “As histórias que perseguem as pessoas até seus quartos de dormir são difíceis.”
  • “Vou até a prateleira. Se escolho, leio meio página de qualquer coisa. Não preciso falar. Mas escuto. Estou maravilhosamente alerta. Certamente não se pode ler sem esforço esse poema. Muitas vezes a página está decomposta e manchada de lama, rasgada e grudada por folhas fanadas, fragmentos de verbena ou gerânio. Para ler esse poema é preciso ter miríades de olhos, como um daqueles faróis que giram sobre as águas agitadas do Atlântico à meia-noite, quando talvez somente uma réstia de algas marinhas fende a superfície, ou subitamente as ondas se escancaram e delas emerge algum monstro. É preciso pôr de lado antipatias e ciúmes, e não interromper. É preciso ter paciência e infinito cuidado e deixar também que se desdobre o tênue som, seja o das delicadas patas de uma aranha sobre uma folha, seja o da risadinha das águas em alguma insignificante torneira. Nada deve ser rejeitado por medo ou horror. O poeta que escreveu essa página (que leio em meio a pessoas falando) desviou-se. Não há vírgula nem ponto-e-vírgula. Os versos não seguem a extensão adequada. Muita coisa é puro contra-senso. É preciso ser cético, mas lançar ao vento a prudência, e, quando a porta se abrir, aceitar resolutamente. Também, por vezes, chorar; também cortar implacavelmente com um talho de lâmina a fuligem, a casca e duras excreções de toda a sorte. E assim (enquanto falam) baixar nossa rede mais e mais fundo, e mergulhá-la docemente e trazer à superfície o que ele disse e o que ela disse, e fazer poesia.”
  • "Ele me esquecerá. Deixará sem resposta minhas cartas [...]. Eu lhe mandarei poemas, talvez ele responda com um cartão-postal. Mas é por isso que o amo. Proporei um encontro – debaixo de um relógio, ou numa encruzilhada; esperarei, e ele não virá. É por isso que o amo. Ele se afastará da minha vida, esquecido, quase inteiramente ignorante do que foi para mim. E, por incrível que pareça, entrarei em outras vidas; talvez não seja mais que uma escapada, um simples prelúdio. [...] continuarei a deslizar para trás das cortinas, para o seio da intimidade, em busca de palavras sussurradas a sós. Por isso parto, hesitante mas altivo; sentindo uma dor intolerável, mas seguro de que vou triunfar nessa aventura após tanto sofrimento, seguro – quero crer – de que no fim descobrirei o objeto do meu desejo".
  • "Gota a gota tomba o silêncio. Condensa-se no telhado da mente e cai por tanques de água abaixo. Para sempre sozinho, sozinho, sozinho – ouço o silêncio tombar e espalhar seus círculos até os mais longínquos recantos. Saciado e repleto, sólido na satisfação da meia-noite, eu, a quem a solidão destrói, deixo que o silêncio tombe gota a gota".

Flush[editar]

  • "Mesmo em um homem, tal conduta, no ano de 1842, teria exigido certa justificativa da parte do biógrafo; se fosse uma mulher, não haveria justificativa cabível; o nome dela simplesmente teria de ser riscado da página em desonra."
  • "Mas logo Flush tomou consciência a respeito das diferenças que distinguiam Pisa -pois era em Pisa que estavam agora alojados - e Londres. Os cães eram diferentes. Em Londres, ele mal podia ir até a caixa do correio sem cruzar com um pug, um labrador, um bulgoque, um collie, um mastim, um terra-nova, um são bernardo, um fox terrier ou algum integrante das sete famílias da tribo spaniel."

Three Guineas[editar]

  • "Nunca deixemos de pensar: o que é essa "civilização" em que nos encontramos? O que são essas cerimônias e por que devemos tomar parte nelas? O que são estas profissões e por que devemos fazer dinheiro com elas? Onde, em suma, é que isso está nos conduzindo, a procissão dos filhos de homens educados?
  • "Atrás de nós, encontra-se o sistema patriarcal; a casa privada, com sua nulidade, sua imoralidade, sua hipocrisia, seu servilismo. Diante de nós está o mundo público, o sistema profissional, com sua possessividade, seu ciúme, sua belicosidade, sua ganância. O primeiro nos cala como escravas em um harém; o outro nos força a girar, como lagartas, da cabeça à cauda, dando voltas e voltas na amoreira, a árvore sagrada, da propriedade. É uma escolha de males. Cada um deles é ruim.