Euclides da Cunha

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Euclides Rodrigues da Cunha (Cantagalo, 20 de Janeiro de 1866 — Rio de Janeiro, 15 de Agosto de 1909), escritor, engenheiro e poeta brasileiro. Considerado um dos maiores escritores da literatura brasileira e precursor da sociologia no Brasil, escreveu Os Sertões, Contrastes e confrontos, À margem da história e vários artigos, poemas, cartas, relatórios etc. Foi membro da Academia Brasileira de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.

Os Sertões[editar]

Os Sertões (1902), veja (wikisource)
  • “O sertanejo é, antes de tudo, um forte.”
  • “Não é o bárbaro que nos ameaça, é a civilização que nos apavora.”
  • “Estamos condenados à civilização.

Ou progredimos ou desaparecemos.”

  • “O bandeirante foi brutal, inexorável, mas lógico. Foi o super-homem do deserto.”
  • “Canudos tinha muito apropriadamente, em roda, uma cercadura de montanhas. Era um parêntesis; era um hiato. Era um vácuo. Não existia. Transposto aquele cordão de serras, ninguém mais pecava.”
  • “Umbuzeiro é a árvore sagrada do sertão.”

À margem da história[editar]

À margem da história, veja (wikisource)
  • “Somos o único caso histórico de uma nacionalidade feita por uma teoria política. Vimos, de um salto, da homogeineidade da colônia para o regímen constitucional: do alvará para as leis.” (III, Da Independência à República)
  • “O evangelho fecha-se com a astronomia.” (Estrelas indecifráveis)
  • “A jurisdição do Uruguai sobre as águas platinas, nos limites normais do direito, imposta vigorosamente pelos antecedentes históricos e pelas próprias leis naturais, é dessas causas superiores, que para triunfar dispensam a fragilidade das espadas, amparando-se exclusivamente na fortaleza eterna e tranquila da justiça.” (Martín García)

Canudos: diário de uma expedição[editar]

  • “A poeira dos arquivos de que muita gente fala sem nunca a ter visto ou sentido, surgindo tenuíssima de páginas que se esfarelam ainda quando delicadamente folheadas, esta poeira clássica — adjetivemos com firmeza — que cai sobre tenazes investigadores ao investirem contra as longas veredas do passado, levanto-a diariamente. E não tem sido improfícuo o esforço.” (21 de agosto de 1897)

Contrastes e confrontos[editar]

  • “O verdadeiro Brasil nos aterra; trocamo-lo de bom grado pela civilização mirrada que nos acotovela na rua do Ouvidor...” (Plano de uma Cruzada, II)
  • “Sem este objetivo firme e permanente [de conhecer o interior inóspito] (...), a Amazônia, mais cedo ou mais tarde, se destacará do Brasil, naturalmente e irresistivelmente, como se despega um mundo de uma nebulosa — pela expansão centrífuga do seu próprio movimento.” (Entre o Madeira e o Javari)
  • “A República tirou-nos do remanso isolador do império para a perigosa solidariedade sul-americana: caímos dentro do campo da visão, nem sempre lúcida, do estrangeiro, insistentemente fixa sobre os povos, os governos e os 'governos' (ironicamente sublinhados ou farpeados de aspas) da América do Sul.” (Solidariedade Sul-Americana)

Crônica[editar]

  • “O lema da nossa bandeira é uma síntese admirável do que há de mais elevado em política.” (O Estado de S. Paulo, série Dia a Dia, 5 abr. 1892)
  • “A nossa nacionalidade atravessa de há muito uma quadra em que o mais difícil problema consiste em harmonizar a vida ao dever.” (Sejamos francos, jornal Democracia, Rio de Janeio, 18 mar. 1890)
  • “Sem nos filiarmos a escolas filosóficas — o que é um verdadeiro absurdo na mocidade, na quadra exuberante em que, para a formação imprescindível da consciência, nos voltamos indistintamente para todas as ideias, abrindo com igual interesse e igual curiosidade todos os livros, ouvindo com igual respeito todas as crenças e tributando igual veneração a todos os sábios — vamos definir o nosso modo de pensar...” (Instituto Politécnico, O Estado de S. Paulo, 24 maio 1892)

Correspondência[editar]

  • “É necessário que tenhamos a postura corretíssima dos fortes! Não é invadindo prisões que se castigam criminosos. Nada mais falível e relativo do que esta justiça humana condecorada pela metafísica com o qualificativo de absoluta. Há nos sentimentos que ambos tributamos à República uma diferença enorme: s. ex. tem por ela um amor tempestuoso e cheio de delírios de amante, eu tenho por ela os cuidados e a afeição serena de um filho.” (carta aberta de Euclides ao redator d'O Tempo, 20 fev. 1894)
  • “Então... eu não creio em Deus?! Quem te disse isto? Puseste-me na mesma roda dos singulares infelizes, que usam o ateísmo como usam de gravatas — por chic, e para se darem ares de sábios... Não.” (carta a Coelho Neto, 22 nov. 1903)
  • “Num país em que toda a gente acomoda a sua vidinha num cantinho de secretaria, ou numa aposentadoria, eu estou, depois de haver trabalhado tanto, galhardamente, sem posição definida! Reivindico, assim, o belo título de último dos românticos, não já do Brasil apenas, mas do mundo todo, nestes tempos utilitários! Julgo, entretanto, que hei de arrepender-me muito, mais tarde, desta vaidade...” (carta a Oliveira Lima, 25 maio 1908)
  • “Quem definirá um dia essa Maldade obscura e misteriosa das coisas, que inspirou aos gregos a concepção indecisa da Fatalidade?” (carta a Vicente de Carvalho, 10 fev. 1909)
  • “Nostalgia e revolta: tu não imaginas como andam propícios os tempos a todas as mediocridades. Estamos no período hilariante dos grandes homens-pulhas, dos Pachecos empavesados e dos Acácios triunfantes. Nunca se berrou tão convictamente tanta asneira sob o sol! [...] É asfixiante! A atmosfera moral é magnífica para batráquios. Mas apaga o homem. [...].” (carta a Otaviano Vieira, 8 ago. 1909)
  • “...nada se perde abandonando uma estrela para abraçar um amigo.” (carta a Reinaldo Porchat, 21 abr. 1893)
  • “O nosso povo, meu caro Porchat, por abdicação completa de todas as energias, não tem forças para agitar-se além das arruaças desprezíveis.” (carta a Reinaldo Porchat, 21 abr. 1893)
  • “No meio de tudo isto [Revolta da Armada] eu tive felizmente bastante lucidez para descobrir a estrada do dever, e nela estou e nela prosseguirei.” (carta a Reinaldo Porchat, 22 nov. 1893)
  • “...se as nações estrangeiras mandam cientistas ao Brasil, que absurdo haverá no encarregar-se de idêntico objetivo um brasileiro?” (carta a José Veríssimo, 24 jun. 1904)
  • “...não desejo Europa, o boulevard, os brilhos de uma posição, desejo o sertão, a picada malgradada, e a vida afanosa e triste de pioneiro. Nestes tempos de fragilidade já não é pouco.”(carta a José Veríssimo, 7 jul. 1904)
  • “Há mais de um mês que me agito e trabalho — de graça — num país em que se inventam os empregos para a vadiagem remunerada.”(carta a Plínio Barreto, 22 out. 1904)

Ondas[editar]

  • “...pareceu-me e parece-me que o mais tosco verso de um livre à memória de um herói [Tiradentes] esmaga o mais brilhante poema que se atira aos pés de um rei...” (nota do autor ao poema Tiradentes)
  • “É, desgraçadamente, comum nesta terra vender-se a consciência; mas, eu terei asco de mim mesmo se um dia (estou plenamente seguro que nunca me achanará) calcar as mais sagradas ilusões de meu cérebro para satisfazer as exigências do estômago.” (nota do autor ao poema Eu sou republicano...)
  • “Os Farrapos — (...) Se um dia porém — puder arcar com tal assunto — hei de sacrificar-me inteiramente a esses revolucionários audazes e obscuros, a esses miseráveis sublimes que esqueceram a própria fome e arrojaram-se impávidos à goela famulenta do despotismo para que ele não lhes devorasse a pátria.” (nota do autor ao poema Obscurii lucis, Os Farrapos)

Esparsos[editar]

  • “Eu tenho fanatismo tão insensato pela palavra, pela tribuna que, faça embora o que fizer de melhor para a sociedade, terei cumprido mal o meu destino se não tiver ocasião de, pelo menos uma vez, erguer a minha palavra sobre a fronte de qualquer infeliz, abandonado de todos; e aí impávido, altivo, audaz e insolente arriscar em prol de sua vida obscura todas as energias de meu cérebro, todos os meus ideais — a minha ilusão mais pura, o meu futuro e a vida minha!...” (caderno de notas de leitura de Eloquence et improvisation, de E. Paignon apud Revista do Grêmio Euclides da Cunha, n. 26)

Prefácios[editar]

  • “[a poesia] É a realidade maior – vibrando numa emoção. Este chão que tumultua, e corre, e foge, e se crispa, e cai, e se alevanta, é o mesmo chão que o geólogo denomina solo perturbado e inspira à rasa, à modesta, à chaníssima topografia, a metáfora garbosa dos movimentos do terreno.”(Prefácio a Poemas e canções, de Vicente de Carvalho)

Sobre Euclides[editar]

  • “Euclides da Cunha é um nome sagrado, mestre dos mestres.”
Wilson Martins, crítico literário brasileiro
  • “Quem lê Euclides da Cunha, desde o primeiro momento vê que há dois Brasis: um inclemente, e outro vítima das inclemências.”
Antonio Houaiss, filólogo, linguista e bibliólogo (livro Euclidianos e Conselheiristas: Um Quarteto de Notáveis)
  • [acerca da repercussão de Os Sertões]: “Euclides dormiu obscuro e acordou célebre.” (discurso de recepção na Academia Brasileira de Letras)
Silvio Romero, crítico literário brasileiro
  • “É assim Os Sertões do Sr. Euclydes da Cunha: um livro vivo: terra, céos e almas. Não é uma descripção trabalhada — é uma região e são factos; [...], As paginas têm a energia da natureza [...]. O livro de Euclydes da Cunha é o mais bello que, no seu gênero, tem sido publicado no Brazil [...]. E uma terra que possue taes escriptores não é uma terra morta, dispõe do primeiro elemento de progresso que é o pensamento e da melhor fonte de civilização, que é a Arte no que ella tem de mais nobre, mais difficil e mais communicativo que é a creação verbal.” (Juizos críticos)
Coelho Neto, escritor brasileiro e amigo de Euclides
  • “Euclides da Cunha foi um gênio verbal.” (evento Euclides da Cunha 360º, Ciclo da Amazônia, TV Estadão)
Milton Hatoum, escritor brasileiro
  • “…O gênio do nosso povo ninguém o compreendeu melhor do que ele. Dominem em nós as ideias que Euclides agitou e com elas façamos desta Pátria o teatro de uma esplêndida realidade, oficina do trabalho, fecundando-se num largo espírito de solidariedade humana”.
Teodoro Sampaio, geógrafo, historiador e colaborador de Euclides
  • “[Os Sertões] é um dos prodígios narrativos deste século”.(Dicionário amoroso da América Latina, verbete Euclides da Cunha, p. 125)
Mario Vargas Llosa, escritor peruano
  • “O sr. Euclides da Cunha (todos os que têm a dita de conhecê-lo o testemunharão), não é só um intelectual que pensa, é também um intelectual que vibra, e a vibração ainda é o melhor meio de comunicação entre o autor e o público.” (Estudo introdutório de O. Lima ao livro Peru versus Bolívia)
Oliveira Lima, embaixador, professor e escritor brasileiro
  • “…quando o desânimo te infiltrar o coração, procura Euclides; ele te mostrará, com verdade e fulgor, o mundo encantador de que és dono. E tu, meu irmão, como no Fausto da lenda medieval, erguerá[s] de novo o grito da esperança.” (Jornal Correio Novo, Cantagalo, RJ, 15 nov. 1944)
Roquette Pinto, médico legista, professor, antropólogo, etnólogo e ensaísta brasileiro
  • Os Sertões, de Euclides da Cunha, foi o Brasil vomitado. Qualquer obra de arte, para ter sentido no Brasil, precisa ser golfada hedionda.” (entrevista a Luciane Louzeiro para o Jornal do Brasil, s.d.)
Nelson Rodrigues, dramaturgo, jornalista e escritor
  • “Euclides da Cunha e Alberto Rangel são responsáveis por uma reviravolta na prosa amazônica, sendo, por vezes, considerados como pontos cruciais do início da literatura moderna do Norte. Na linha dos estudos memorialistas desta tese, atribui-se a Euclides e Rangel a formação de uma protomemória do ciclo da borracha.” (Rafael Voigt Leandro, Os ciclos ficcionais da borracha e a formação de um memorial literário da Amazônia, Tese de Doutorado em Literatura Brasileira, Universidade de Brasília, 2014)
Rafael Voigt Leandro
  • “Os sertões desta terra ficaram sempre funestos nas cenas horrendas que Euclides da Cunha imortalizou em páginas de um colorido ultradantesco.”
Rui Barbosa, Excursão Eleitoral, Discurso no Banquete Oferecido à Comissão Popular de Festejos, 18 jan. 1910, Obra Completa, Volume XXXVII, tomo I
  • "Os Sertões é muito nosso, poema brasileiro, até a raiz, o maior entre os maiores livros nacionais de todos os tempos."
Paulo Dantas, 1967