Machado de Assis

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Joaquim Maria Machado de Assis (Rio de Janeiro, 21 de Junho de 1839 — Rio de Janeiro, 29 de Setembro de 1908), escritor carioca, brasileiro. Considerado o pai do realismo no Brasil, escreveu Memórias Póstumas de Brás Cubas, Dom Casmurro, Quincas Borba e vários livros de contos, entre eles, Papéis Avulsos, no qual se encontra o conto O Alienista, no qual discute a loucura. Também escreveu poesia e foi um ativo crítico literário, além de ser um dos criadores da crônica no país. Foi o fundador da Academia Brasileira de Letras.


Romances[editar]

Memórias Póstumas de Brás Cubas[editar]

Crystal Clear app xmag.pngVer artigo principal: Memórias Póstumas de Brás Cubas.
  • "Não se ama duas vezes a mesma mulher."
- "Memórias Póstumas de Brás Cubas" (1881), capítulo XLIV; veja (wikisource)
  • "Deixa lá dizer Pascal que o homem é um caniço pensante. Não; é uma errata pensante, isso sim. Cada estação da vida é uma edição, que corrige a anterior, e que será corrigida também, até a edição definitiva, que o editor dá de graça aos vermes."
- "Memórias Póstumas de Brás Cubas" (1881), capítulo XXVII; veja (wikisource)
  • "Suporta-se com paciência a cólica do próximo."
- "Memórias Póstumas de Brás Cubas", capítulo CXIX; veja (wikisource)
  • Matamos o tempo; o tempo nos enterra.
- Memórias póstumas de Brás Cubas, capítulo CXIX.
  • Um cocheiro filósofo costumava dizer que o gosto da carruagem seria diminuto, se todos andassem de carruagem.
- Memórias póstumas de Brás Cubas, capítulo CXIX.
  • Crê em ti; mas nem sempre duvides dos outros.
- Memórias póstumas de Brás Cubas, capítulo CXIX.
  • Não se compreende que um botocudo fure o beiço para enfeitá-lo com um pedaço de pau. Esta reflexão é a de um joalheiro.
- Memórias póstumas de Brás Cubas, capítulo CXIX.
  • Não te irrites se te pagarem mal um benefício: antes cair das nuvens, que de um terceiro andar.
- Memórias póstumas de Brás Cubas, capítulo CXIX.
  • "(...) gosto dos epitáfios; eles são, entre a gente civilizada, uma expressão daquele pio e secreto egoísmo que induz o homem a arrancar à morte um farrapo ao menos da sombra que passou."
- "Memórias Póstumas de Brás Cubas", capítulo CLI; veja (wikisource)
  • "Aí vinham a cobiça que devora, a cólera que inflama, a inveja que baba, e a enxada e a pena, úmidas de suor, e a ambição, a fome, a vaidade, a melancolia, a riqueza, o amor, e todos agitavam o homem, como um chocalho, até destruí-lo, como um farrapo. Eram as formas várias de um mal, que ora mordia a víscera, ora mordia o pensamento, e passeava eternamente as suas vestes de arlequim, em derredor da espécie humana. A dor cedia alguma vez, mas cedia à indiferença, que era um sono sem sonhos, ou ao prazer, que era uma dor bastarda. Então o homem, flagelada e rebelde, corria diante da fatalidade das coisas, atrás de uma figura nebulosa e esquiva, feita de retalhos, um retalho de impalpável, outro de improvável, outro de invisível, cosidos todos a ponto precário, com a agulha da imaginação; e essa figura, - nada menos que a quimera da felicidade, - ou lhe fugia perpetuamente, ou deixava-se apanhar pela fralda, e o homem a cingia ao peito, e então ela ria, como um escárnio, e sumia-se, como uma ilusão".
- Memórias póstumas de Brás Cubas, Capítulo VII, Machado de Assis (1881)

Quincas Borba[editar]

  • "Não há morte. O encontro de duas expansões, ou a expansão de duas formas, pode determinar a supressão de uma delas; mas, rigorosamente, não há morte, há vida, porque a supressão de uma é a condição de sobrevivência da outra, e a destruição não atinge o princípio universal e comum. Daí o caráter conservador e benéfico da guerra."
- "Quincas Borba" (1891), capítulo VI; veja (wikisource)
  • "E enquanto uma chora, outra ri; é a lei do mundo, meu rico senhor; é a perfeição universal. Tudo chorando seria monótono, tudo rindo, cansativo; mas uma boa distribuição de lágrimas e polcas, soluços e sarabandas, acaba por trazer à alma do mundo a variedade necessária, e faz-se o equilíbrio da vida."
- "Quincas Borba" (1891), capítulo XLV; veja (wikisource)
  • "Ao vencedor, as batatas."
- "Quincas Borba" (1891), capítulo XVIII; veja (wikisource)
- "Quincas Borba" (1891), capítulo XXXII; veja (wikisource)

Dom Casmurro[editar]

Crystal Clear app xmag.pngVer artigo principal: Dom Casmurro.
  • "Se só me faltassem os outros, vá; um homem consola-se mais ou menos das pessoas que perde. Mas falto eu mesmo, e esta lacuna é tudo."
- Capítulo II;
  • "— A vida é uma ópera e uma grande ópera. O tenor e o barítono lutam pelo soprano, em presença do baixo e dos comprimários, quando não são o soprano e o contralto que lutam pelo tenor, em presença do mesmo baixo e dos mesmos comprimários. Há coros numerosos, muitos bailados, e a orquestração é excelente..."
- Capítulo IX; veja no (wikisource)
  • "Deus é o poeta. A música é de Satanás, jovem maestro de muito futuro, que aprendeu no conservatório do céu."
- Capítulo IX
  • "Caro Santiago, eu não tenho graça, eu tenho horror à graça. Isto que digo é a verdade pura e última. Um dia, quando todos os livros forem queimados por inúteis, há de haver alguém, pode ser que tenor, e talvez italiano, que ensine esta verdade aos homens. Tudo é música, meu amigo. No princípio era o dó, e do dó fez-se ré, etc. Este cálice (e enchia-o novamente), este cálice é um breve estribilho. Não se ouve? Também não se ouve o pau nem a pedra, mas tudo cabe na mesma ópera..."
- Capítulo IX; veja no (wikisource)
  • "Que é demasiada metafísica para um só tenor, não há dúvida; mas a perda da voz explica tudo, e há filósofos que são, em resumo, tenores desempregados."
- Capítulo X; veja no (wikisource)
  • "Há coisas que só se aprendem tarde; é mister nascer com elas para fazê-las cedo. E melhor é naturalmente cedo que artificialmente tarde."
- Capítulo XV; veja no (wikisource)
  • "Retórica dos namorados, dá-me uma comparação exata e poética para dizer o que foram aqueles olhos de Capitu. Não me acode imagem capaz de dizer, sem quebra da dignidade do estilo, o que eles foram e me fizeram. Olhos de ressaca? Vá, de ressaca."
- Capítulo XXXII; veja (wikisource)
  • "Tudo acaba, leitor; é um velho truísmo, a que se pode acrescentar que nem tudo o que dura, dura muito tempo. Esta segunda parte não acha crentes fáceis; ao contrário, a ideia de que um castelo de vento dura mais que o mesmo vento de que é feito, dificilmente se despegará da cabeça, e é bom que seja assim, para que se não perca o costume daquelas construções quase eternas."
- Capítulo CXVIII; veja (wikisource)
  • "As pessoas valem o que vale a afeição da gente, e é daí que mestre Povo tirou aquele adágio que quem o feio ama bonito lhe parece."
- Capítulo CXXXI; veja (wikisource)
  • "É bem, qualquer que seja a solução, uma coisa fica, e é a suma das sumas, ou o resto dos restos, a saber, que a minha primeira amiga e o meu maior amigo, tão extremosos ambos e tão queridos também, quis o destino que acabassem juntando-se e enganando-me... A terra lhes seja leve!"
- Capítulo CXLVIII;

Contos[editar]

A Chinela Turca[editar]

  • "O melhor drama está no espectador e não no palco."

Virginius[editar]

  • "Juntos vimos florescerem as primeiras ilusões, e juntos vimos dissiparem-se as últimas."

Miss Dollar[editar]

  • "Era homem como os outros; outros Aquiles andam por aí que são da cabeça aos pés um imenso calcanhar."
  • "O ridículo é uma espécie de lastro da alma quando ela entra no mar da vida; algumas fazem toda a navegação sem outra espécie de carregamento."
  • "A ausência diminui as paixões medíocres e aumenta as grandes, como o vento apaga as velas e atiça as fogueiras."
- Machado de Assis in: Miss Dollar, Capítulo V, citando La Rochefoucauld

Mariana[editar]

  • "Não há decepções possíveis para um viajante, que apenas vê de passagem o lado belo da natureza humana e não ganha tempo de conhecer-lhe o lado feio."

O Parasita Azul[editar]

  • "Importuna coisa é a felicidade alheia quando somos vítima de algum infortúnio."
  • "Porque não há raciocínio nem documento que nos explique melhor a intenção de um ato do que o próprio autor do ato."

Teoria do Medalhão[editar]

  • "A vida é uma enorme loteria; os prêmios são poucos, os malogrados inúmeros, e com os suspiros de uma geração é que se amassam as esperanças de outra."
  • "Porque o adjetivo é a alma do idioma, a sua porção idealista e metafísica. O substantivo é a realidade nua e crua, é o naturalismo do vocabulário."
  • "Sentenças latinas, ditos históricos, versos célebres, brocardos jurídicos, máximas, é de bom aviso trazê-los contigo para os discursos de sobremesa, de felicitação ou de agradecimento."
- "Teoria do medalhão" (1881); veja (wikisource)

O anel de Polícrates[editar]

  • "Quem não for cavaleiro, que o pareça."
  • "Meu amigo, a imaginação e o espírito têm limites; a não ser a famosa botelha dos saltimbancos e a credulidade dos homens, nada conheço inesgotável debaixo do sol."

O Alienista[editar]

  • "A ciência, disse ele a Sua Majestade, é o meu emprego único; Itaguaí é o meu universo."
- Capítulo Primeiro
  • "A índole natural da ciência é a longanimidade;"
- Capítulo Primeiro
  • "Mas a ciência tem o inefável dom de curar todas as mágoas;"
- Capítulo Primeiro
  • "A saúde da alma, bradou ele, é a ocupação mais digna do médico."
- Capítulo Primeiro
  • "O principal nesta minha obra da Casa Verde é estudar profundamente a loucura, os seus diversos graus, classificar-lhe os casos, descobrir enfim a causa do fenômeno e o remédio universal. Este é o mistério do meu coração. Creio que com isto presto um bom serviço à humanidade."
- Capítulo II
  • "Preso por ter cão, preso por não ter cão."
  • "Verdade é que, se todos os gostos fossem iguais, o que seria do amarelo?"
- Capítulo IV

Outros[editar]

  • "Se quer compor o livro, aqui tem a pena, aqui tem papel, aqui tem um admirador; mas, se quer ler somente, deixe-se estar quieta, vá de linha em linha; dou-lhe que boceje entre doutros capítulos, mas espere o resto, tenha confiança no relator destas aventuras."
- Machado de Assis in: Esaú e Jacó, Capitulo XXVII
- Obras completas - Volume 26 - Página 86, Machado de Assis, ‎Fernando Nery - W.M. Jackson, Incorporated, 1942
  • "Das qualidades necessárias ao jogo de xadrez, duas essenciais: vista pronta e paciência beneditina, qualidades preciosas na vida que também é um xadrez, com seus problemas e partidas, umas ganhas, outras perdidas, outras nulas."
- Machado de Assis, em Iaiá Garcia, capítulo XI
  • "Não se demonstra uma cocada, come-se. Comê-la é defini-la."
- Notas Semanais (1878)
  • "Alguma coisa escapa ao naufrágio das ilusões."
- "Iaiá Garcia, capítulo XVII, última linha; (veja: wikisource)
  • "Eu não sou homem que recuse elogios. Amo-os; eles fazem bem à alma e até ao corpo. As melhores digestões da minha vida são as dos jantares em que sou brindado."
- "A semana: crônicas, 1892-1893"; Por Machado de Assis, John Gledson; Publicado por Editora Hucitec, 1996; ISBN 8527103265, 9788527103268; 359 páginas; página 124
  • "Está morto: podemos elogiá-lo à vontade."
- conto "O empréstimo" (1881)
  • "A melhor definição do amor não vale um beijo."
- "O Espelho"; veja (wikisource)
  • "Esquecer é uma necessidade. A vida é uma lousa, em que o destino, para escrever um novo caso, precisa apagar o caso escrito."
- "Verba testamentária" (1881); veja (wikisource)
  • "Há em todas as coisas um sentido filosófico."
- conto "O empréstimo" (1881)
  • "Palavra puxa palavra, uma idéia traz outra, e assim se faz um livro, um governo, ou uma revolução, alguns dizem mesmo que assim é que a natureza compôs as suas espécies."
- "Primas de Sapucaia!"; veja (wikisource)
  • "A arte de viver consiste em tirar o maior bem do maior mal."
- "Iaiá Garcia", capítulo III; veja (wikisource)
  • "Basta amar para escolher bem; o diabo que fosse era sempre boa escolha."
- "Memorial de Aires" (1908)
- Machado de Assis in: "Ressurreição", (Capítulo II: Liquidação do ano velho) (1872)

Sobre[editar]

  • "Machado reúne os pré-requisitos da genialidade. Possui exuberância, concisão e uma visão irônica ímpar do mundo. Procuro um grande poeta brasileiro vivo. Até agora não encontrei nenhum."
- Harold Bloom, crítico literário norte-americano, sobre o escritor brasileiro Machado de Assis
- Fonte: Revista Época Edição 246 - 03/02/2003
  • "A cultura brasileira reflete mais a africana do que a americana. Nos E.U.A. temos o Jazz e quase só isso. Não existem figuras como Machado de Assis, um mulato considerado um dos maiores escritores do país."
- John Updike, escritor norte-americano
  • "Achei Machado de Assis excepcionalmente espirituoso, dono de uma perspectiva sofisticada e contemporânea, o que é incomum, já que o livro [Memórias Póstumas de Brás Cubas] foi escrito há tantos anos. Fiquei muito surpreso. É muito sofisticado, divertido, irônico. Alguns dirão: ele é cínico. Eu diria que Machado de Assis é realista."
- Woody Allen, diretor de cinema norte-americano
  • "Esse pequeno representante do pensamento retórico e velho no Brasil é hoje o mais pernicioso enganador, que vai pervertendo a mocidade (...) O autor de Brás Cubas, bolorento pastel literário, assaz o conhecemos por suas obras, e ele está julgado."
- Sílvio Romero, crítico literário brasileiro
  • "Desde a escola, somos condicionados a acreditar que se trata de um grande escritor. Assim, todo mundo repete isso, mesmo sem ter lido uma linha. Eu nunca disse que não gostava de Machado de Assis, mas o considero um escritor de segunda (...)"
- Millôr Fernandes, escritor e dramaturgo brasileiro
- Fonte: Entrevista dado ao Estado de São Paulo em 15/09/2007
  • "A vida é cheia de obrigações que a gente cumpre por mais vontade que tenha de as infringir deslavadamente."
- "Dom Casmurro" - Página 106, de Machado de Assis, Homero Araújo, Sergius Gonzaga - Publicado por Novo Século, 2001 ISBN 8586880191, 9788586880193 - 214 páginas
  • "Eu não sou homem que recuse elogios. Amo-os; eles fazem bem à alma e até ao corpo. As melhores digestões da minha vida são as dos jantares em que sou brindado".
- "A semana" - Página 134, de Machado de Assis - Publicado por W. M. Jackson, 1938
  • "Há sempre uma qualidade nos contos, que os torna superiores aos grandes romances, se uns e outros são medíocres: é serem curtos."
- "Várias Histórias" (veja wikisource)
  • "O tempo, que a tradição mitológica nos pinta com alvas barbas, é pelo contrário um eterno rapagão, rosado, gamenho, pueril; só parece velho àqueles que já o estão; em si mesmo traz a perpétua e versátil juventude. "
- Notas Semanais, Machado de Assis, 1878, 16 de junho
- Obra completa, Volume 1‎ - Página 380, Machado de Assis, editor Afrânio Coutinho, 2a. ed., Editora J. Aguilar, - 1962
  • "O coração humano é a região do inesperado."
- Yayá Garcia‎ - Página 27, Machado de Assis - W. M. Jackson, 1942 - 308 páginas
  • "Lágrimas não são argumentos."
- Obra completa, Volume 2‎ - Página 826, Machado de Assis - J. Aguilar, 1962