Monteiro Lobato

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Monteiro Lobato
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José Bento Monteiro Lobato (Taubaté, Brasil, 18 de abril de 1882 - São Paulo, 4 de julho de 1948). Escritor brasileiro.


  • "De escrever para marmanjos já me enjoei. Bichos sem graça. Mas para crianças um livro é todo um mundo."
Monteiro Lobato apud Dad Squarisi, (6 de agosto de 2006 – "Dicas de português – Escrever é...". Correio Braziliense, Caderno C, p. 4.)
"A barca de Gleyre: quarenta anos de correspondencia literária entre Monteiro Lobato e Godofredo Rangel"‎ – p. 467, de José Bento Monteiro Lobato, Godofredo Rangel – Companhia Editora Nacional, 1944 – 504 pp.
"Obras completas" – p 199, de José Bento Monteiro Lobato – Brasiliense, 1946
  • "Eu me acho capaz de escrever para os Estados Unidos por causa do meu pendor para escrever para crianças. Acho o americano sadiamente infantil."
"A barca de Gleyre: quarenta anos de correspondencia literaria entre Monteiro Lobato e Godofredo Rangel" – p. 468, de José Bento Monteiro Lobato, Godofredo Rangel – Companhia Editora Nacional, 1944 – 504 pp.
  • "Tudo é loucura ou sonho no começo. Nada do que o homem fez no mundo teve início de outra maneira — mas já tantos sonhos se realizaram que não temos o direito de duvidar de nenhum."
― "Obras completas" – p 178, de José Bento Monteiro Lobato – Brasiliense, 1946
  • "Excelente senhora, a patroa. Gorda, rica, dona do mundo, amimada dos padres, com lugar certo na igreja e camarote de luxo reservado no céu. Entaladas as banhas no trono (uma cadeira de balanço na sala de jantar), ali bordava, recebia as amigas e o vigário, dando audiências, discutindo o tempo. Uma virtuosa senhora em suma — “dama de grandes virtudes apostólicas, esteio da religião e da moral”, dizia o reverendo."
Negrinha
  • "O livro é uma mercadoria como outra qualquer; não há diferença entre o livro e um artigo de alimentação. (...) Se o livro não vende é porque ele não presta".
Entrevista à Rádio record, em julho de 1948, reproduzida no jornal O Estado de São Paulo em julho de 1978.
  • "Tudo vem dos sonhos. Primeiro sonhamos, depois fazemos."
"América: os Estados Unidos de 1929" – p 111, de José Bento Monteiro Lobato – Brasiliense, 1948 – 311 pp
  • "Malba Tahan: "O Homem que Calculava" já me encantou duas vezes e ocupa lugar de honra entre os livros que conservo. Falta nele um problema — o cálculo da soma de engenho necessário para a transformação do deserto da abstração matemática em tão repousante oásis. Só Malba Tahan faria obra assim, encarnação que ele é da sabedoria oriental — obra alta, das mais altas, e só necessita de um país que devidamente a admire; obra que ficará a salvo das vassouradas do Tempo como a melhor expressão do binômio "ciência-imaginação". Que Allah nunca cesse de chover sobre Malba Tahan a luz que reserva para os eleitos".
Carta dirigida a Malba Tahan por Monteiro Lobato. São Paulo, 14.1.1939
  • "Quem morre pelo seu país vive eternamente."
Monteiro Lobato, como citado em "Do bestial ao genial: frases da política"‎ – p. 164, de Paulo Buchsbaum, AROEIRA – Publicações, 2006, ISBN 978‐85‐0002075‐9 – 252 pp.
  • "... Ao terminar a leitura, o leitor corre à janela para ver se ainda há céu no mundo e ar (..)." Areias, 1907
Lobato Letrador: 1º Passo, 2018 (Pg: 18), por: Zöler Zöler - ISBN 9788553250332.
  • "...Quero contos que o leitor possa resumir e contar ao amigo e (...) interesse ao amigo (...)" Areias, 27.06.1909
Lobato Letrador: 1º Passo, 2018 (Pg: 22), por: Zöler Zöler - ISBN 9788553250332.
  • "...nossa crise monetária de vocábulos (...) Não há livros, Rangel!!! Nós precisamos entupir este país com uma chuva de livros (...)" Caçapava, 16.01.1915
Lobato Letrador: 1º Passo, 2018 (Pg: 22), por: Zöler Zöler - ISBN 9788553250332.
  • "... livro pão (...) Quem souber ler, lê o livro e depois o come; quem não souber, come apenas sem ler. Desse modo, o livro pode penetrar em todas as casas..."
Lobato Letrador: 1º Passo, 2018 (Pg: 22), por: Zöler Zöler - ISBN 9788553250332.
  • "...A tradução literal, isto é, de absoluta fidelidade à forma literária em que, dentro de sua língua, o autor expressou o seu pensamento, trai e mata a obra traduzida. O bom tradutor deve dizer (...) a mesma coisa (...) mas dentro da língua do tradutor (...) só assim estará realmente traduzindo o que importa: a ideia, o pensamento do autor. Quem procura traduzir a forma (...) não faz tradução. Faz uma coisa horrível chamada transliteração (...) ininteligível..."
- Lobato Letrador: 1º Passo, 2018 (Pg: 45), por: Zöler Zöler - ISBN 9788553250332.
  • "Os gramáticos não são donos da língua, e esta não é uma criação lógica."
- Lobato Letrador: 1º Passo, 2018 (Pg: 87), por: Zöler Zöler - ISBN 9788553250332.
  • "... Revoltado contra os acentos acadêmicos, usei do meu prestígio na Editora Nacional para uma guerra à excrescência e consegui que a empresa editasse centenas de milhares de livros com a 'desacentuação' exemplificada no livro que remeto como amostra (...)" SP, 05.12.1937.
- Lobato Letrador: 1º Passo, 2018 (Pg: 88), por: Zöler Zöler - ISBN 9788553250332.
  • "... Senhor Deputado Federal (...) Outro encanto que acho em V. está na língua — sólida, descente, escorreita, sem os clássicos vícios nacionais. Defeito único: aceitação dos infames acentos da infame reforma ortográfica promovida pelo infame Capanema — ministro da imbecilização desde infame Estado Novo (...)" SP, 12.04.1944.
- Lobato Letrador: 1º Passo, 2018 (Pg: 89), por: Zöler Zöler - ISBN 9788553250332.
  • "... E há a Espécie, Rangel! Somos forçados a ter muita consideração para com a Espécie. Que seria da Espécie se não fosse nós, indivíduos? Por força de razões misteriosas, a espécie nos impõe esposa e prole. Emprega o Amor como um visgo de passarinho e, uma vez fisgados, temos de proliferar, porque (...) elas fazem parte do Serviço de Agentes Secretos da Espécie. São encarregadas de arrancar do homem as misteriosas sementinhas hereditárias. E (...) portanto, nada de resistir a essas obscuras injunções. Já que a Mais Obscura das Injunções nos manda casar, é casar. Casar p'r'ali, como casou o avô, o bisavô, o tataravô e o macaco inicial (...)" Areias, 15.05.1907
- Lobato Letrador: 1º Passo, 2018 (Pg: 124), por: Zöler Zöler - ISBN 9788553250332.
  • "... é inútil andares ajuntando e mandando opiniões sobre minha literatura.Não dou valor a essas reações, nem as procuro. Escrevo porque tenho de escrever, porque sou forçado a escrever, para dar vazão ao pus dum furúnculo scribendi de incurável intermitência — não para conquistar nome, glória, o que seja (...)" fazenda Buquira, 07.12.1916
- Lobato Letrador: 1º Passo, 2018 (Pg: 142), por: Zöler Zöler - ISBN 9788553250332.
  • "... Ando com ideias dumas coisas Wells, em que entrem imaginação, fantasia e vislumbres do futuro — não o futuro próximo de Julio Verne, futurinho de 50 anos, mas um futuro de mil anos. Vou semear agora essas ideias e deixá-las se desenvolver livremente por dez ou vinte anos — e então limito-me a fazer colheita, caso a plantação subsista até lá. Se a terra dos meus canteiros mentais não for propícia a essas sementinhas, então é que não estou destinado a ser o 'H. G. Wells de Taubaté' e, paciência. Ou dou um dia coisa que preste e esborrache o indígena, ou não dou coisa nenhuma (...)" Taubaté, 17.12.1905
- Lobato Letrador: 1º Passo, 2018 (Pg: 163), por: Zöler Zöler - ISBN 9788553250332.
  • "... Felizmente estou com 62 anos e breve morro e fico livre de tudo — desta terra, destes governos, da luta armada e da futura paz, que você vai ver, sairá uma porcaria tão grande como foi a de depois de 1918. O Homo Sapiens faliu. Estou com Wells naquele livro que traduzi com o título de O Destino do Homo Sapiens. Esse macaco glabro vai falir no governo do mundo. Destruir-se-á totalmente nas guerras futuras — e a mais bicharia ficará livre da peste. Teremos então outro 'rei dos animais'. Que bicho será? Voto no besouro. Acho o besouro singularmente bem apetrechado para a dominação do mundo. É um safadinho que usa 'asas dobráveis e guardáveis' (...) aperfeiçoamento que não vemos em nenhuma outra espécie animal (...)"SP, 18.11.1944
- Lobato Letrador: 1º Passo, 2018 (Pg: 173), por: Zöler Zöler - ISBN 9788553250332.
  • "...antropocentrismo (...) Somos pequeninos centros que vão todos os raios do universo (...)" SP, 28.12.1917
- Lobato Letrador: 1º Passo, 2018 (Pg: 217), por: Zöler Zöler - ISBN 9788553250332.
  • "... O segredo do livro é este: interpretar fielmente um sentimento vago, indefinível, mas geral (...)" SP, 03.10.1918
- Lobato Letrador: 2º Passo, 2018 (Pg: 15), por: Zöler Zöler - ISBN 9788553250349.
  • "... com petróleo e ferro. o homem se multiplica por mil. Com o livro, ele se torna um Homem!..."
- Lobato Letrador: 2º Passo, 2018 (Pg: 17), por: Zöler Zöler - ISBN 9788553250349.

Livros[editar]

Urupês (1918)[editar]

  • "No Brasil subtrai-se; somar, ninguém soma." Velha praga
  • "O que a sua cabeça pensou ninguém o saberá jamais. Têm as idéias para escondê-las a caixa craniana, o couro cabeludo, a grenha: isso por cima; pela frente têm a mentira do olhar e a hipocrisia da boca. Assim entrincheiradas, elas, já de si imateriais, ficam inexpugnáveis à argúcia alheia. E vai nisso a pouca felicidade existente neste mundo sublunar. Fosse possível ler nos cérebros claros como se lê no papel e a humanidade crispar-se-ia de horror ante si própria...". Pollice verso
  • "Progresso amigo, tu és cômodo, és delicioso, mas feio..." Os faroleiros

América (1929)[editar]

  • "Se quer viver feliz na América, não se mostre duro com os cães – nem desrespeitoso para com a americana. São dois dogmas muito sérios." – p. 23.
  • "Um país se faz com homens e livros. Minha visita aos monumentos de George Washington e Lincoln provou-me que a América tinha homens. Ter homens, para um país, é ter Washingtons e Lincolns, forças tão marcantes que sobre sua obra não pode a morte." – p. 45.
  • "Muitas vezes no Brasil ouvi da boca de seus patrícios que Deus é brasileiro, disse Mr. Slang, como se estivesse adivinhando os meus pensamentos. Ao americano jamais ocorreu inventar coisa parecida; no entanto, a verdade me parece ser Deus escandalosamente americano – se não de nascimento, pelo menos naturalizado. Não existe território no mundo mais rico que este – e esta é a razão do surto prodigioso da América". – pp. 64-5.
  • "Tem muita filosofia a cauda americana. Mostra o grau de disciplina a que chegou o povo, mostra a aceitação instintiva da forma que melhor atende ao fim coletivo: entrar sem tumulto e na ordem de direito. O instinto de conservação a criou. Sem ela a América, este monstruoso formigueiro humano, não poderia funcionar. Esperar a sua vez, ocupar o seu lugar – como isto que parece fácil é difícil num país latino!" – pp. 117-8.
  • "Inda há de surgir o Nietzche americano que ponha em filosofia e imponha ao mundo, como dogma novo, a impetuosidade alegre dos grandes Vândalos que estão a criar o mundo de amanhã. Que divinize como a coisa mais grata ao nosso instinto fundamental o murro de martelo-pilão com que um Tunney mete por terra um Dempsey. Que divinize a audácia de arrancar as catedrais à mística religiosa para dá-las, multiplicadas em ímpeto ascensor, ao comércio, ao cinema, ao rádio. Que divinize o 'mais, mais, mais' que não se perde em refletir à grega: 'sim, mas mais até onde?' Que realize a supressão da palavra 'até'. O 'até' limita, e por que limitar?" – pp. 122-3.
  • "Eu era agregado na fazenda do taqual. O coronel me deu lá uma grota fiz minha casinha, derrubei mato plantei milho e feijão."

- LAJOLO, MARISA (ORG.). LITERATURA COMENTADA. 2. ED. São Paulo: NOVA CULTURA,1998.PM 123-127