Janice Raymond

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Janice Raymond
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Janice G. Raymond (nascida em 24 de janeiro de 1943) é uma ativista conhecida por seu trabalho contra a violência, a exploração sexual e o "abuso médico" contra as mulheres, bem como escritos e trabalhos controversos contra a exploração abusiva da disforia transexual e transgêneros pela comunidade médica. Ela é também a autora de cinco livros e de vários artigos, traduzidos em vários idioma, sobre questões que vão desde o transexualismo, a violência contra as mulheres, saúde da mulher, a teoria feminista e a bio-medicina. Ela publicou diversos artigos sobre a prostituição e o tráfico sexual. Janice faz palestras internacionalmente sobre muitos tópicos através da Coligação Contra o Tráfico de Mulheres.


Obras[editar]

The Transsexual Empire: The Making of the She-Male (1994)[editar]

  • A linguagem da conformidade sexual como rebelião sexual passou a dominar o âmbito público. Transgenerismo é o produto de um período histórico que circunscreve qualquer desafio aos papéis sexuais e definições de gênero a alguma forma de assimilação desses papéis e definições. Em grande parte do mundo ocidental, o efeito geral da década de 1980 tem sido o de retroceder os ganhos feministas dos anos 1960 e 1970. Ele tem encorajado um estilo ao invés de uma política de resistência, em que um individualismo expressivo tomou o lugar de desafios políticos coletivos ao poder. E, no processo, tem despolitizado gênero, despolitizando o feminismo. O novo fora-da-lei de gênero é o antigo conformista de gênero, só que desta vez, temos homens em conformidade com a feminilidade e mulheres em conformidade com a masculinidade. Ou, para ser justa com outra versão de transgêneros, homens e mulheres misturando e combinando, mas não indo além de ambas. O transgenerista assume a postura de rebelião, mas apenas como restringida pela cena do papel sexual, e indo apenas até uma fusão de ambos os papéis.
  • Simone de Beauvoir nos deu a compreensão de que a mulher foi fabricada pelo homem como "o outro", o ser relativo - relativo ao homem como a norma. Por isso não devia ser surpreendente que os homens, que literalmente e figurativamente construíram as mulheres por séculos, agora estão "aperfeiçoando" a "mulher" feita pelo homem a partir da própria carne do homem. Por detrás dessa construção da feminilidade feita pelo homem também se encontra a antiquíssima percepção patriarcal de que os corpos das mulheres devem estar disponíveis para os homens. A cirurgia transsexual, admito, é uma variação peculiar neste tema, mas aponta para a acessibilidade geral das mulheres, desta vez com os homens adquirindo o corpo feminino não só como propriedade sexual e/ou reprodutiva, mas por meio de construção hormonal e cirúrgica. Masculinidade não é tão fácil de se conseguir, especialmente porque a maioria dos vendedores (profissionais) são os próprios homens e mais incomodados em dar isso. Pois, se a masculinidade fosse tão facilmente disponível quanto a feminilidade, ou seja, se os homens fossem tão acessíveis, os homens também seriam tratados como mulheres.
  • Definir e tratar a transexualidade como um problema médico impede a pessoa que passa pela chamada insatisfação de gênero de ver essa experiência como um desafio de gênero ou mesmo de vê-la numa perspectiva feminista. Portanto, as pessoas que acham que são do sexo oposto não são encorajadas a ver esse desejo como algo que emana das restrições sociais de comportamento definidas pelos papeis de gênero feminino e masculino. Assim, um homem que é sensível ou carinhoso é encorajado a pensar nele mesmo como se fosse uma mulher, ao invés de se pensar como um homem que tenta romper com o papel masculino. O principal efeito da definição da transexualidade como um problema médico é encorajar que olhemos para as pessoas (principalmente para as crianças) que não se engajam em um comportamento de gênero normativo como possíveis transexuais.
  • Nenhum homem pode ter um histórico de nascer e situar-se em qualquer cultura como uma mulher. Pode ter um histórico de desejar ser mulher e agir como mulher, mas essa é a história de alguém que deseja ser uma mulher, não de quem é mulher. A cirurgia pode conferir a aparência dos órgãos sexuais femininos externos e internos, mas não pode conferir a história de nascer mulher nessa sociedade.

A Passion for Friends: Toward a Philosophy of Female Affection (1996)[editar]

  • Enquanto minha sensibilidade Lésbica Feminista quer afirmar a existência e a afeição mulherista de qualquer mulher por outras mulheres como Lésbica, minhas faculdades filosóficas e éticas dizem o contrário. Filosoficamente, eu tenho a intuição torturante que esta afirmação é logicamente incorreta, moralmente enganosa às mulheres que são Lésbicas, e paternalista para as mulheres que não são Lésbicas. Precisamos ter clareza sobre o significado de Lésbicas em contraste com Gino/afeto.
  • Lesbianismo é fundamentalmente diferente de outras formas de gino/afeto porque especificamente invoca atrações eróticas e atenções românticas entre mulheres.
  • A palavra Lésbica, neste trabalho, denota um conhecimento e vontade de afirmar a vida Lésbica. Muitas mulheres não escolhem viver vidas lésbicas (inclusive algumas lésbicas). Elas podem mover-se no mundo da amizade feminina, e sua afinidade e lutas pelas mulheres pode ser muitas vezes caracterizada por intenso Gino/afeto. No entanto, usar a palavra Lésbica, nestes casos, é falsa inclusão. Mulheres que são Lésbicas devem ter um histórico de perceber a si Mesmas como tal e devem ter a vontade de assumir a responsabilidade por atos Lésbicos, eróticos e políticos.
  • Relações-Hetero também afetaram as teorias e as realidades do feminismo ao definir o feminismo como a igualdade das mulheres com os homens e não a autonomia, independência e amor do Eu feminino em afinidade com outros como seu Eu - suas irmãs. Esta definição coloca o feminismo em um ponto de partida falso, isto é, a mulher em relação ao homem e não a mulher em relação à mulher.

Ten reasons for not legalizing prostitution and a legal response to the demand for prostitution (2004)[editar]

  • Dez Razões Para a Prostituição Não Ser Legalizada e uma Resposta Legal à Demanda por Prostituição:

1. A legalização/descriminalização da prostituição é um presente aos proxenetas, traficantes e à indústria do sexo. 2. A legalização/descriminalização da prostituição e a indústria do sexo promovem o tráfico sexual. 3. A legalização/descriminalização da prostituição não controla a indústria do sexo. Ela a expande. 4. A legalização/descriminalização da prostituição aumenta a prostituição clandestina, oculta, ilegal e de rua. 5. A legalização da prostituição e a descriminalização da indústria do sexo aumentam a prostituição infantil. 6. A legalização/descriminalização da prostituição não protege as mulheres na prostituição. 7. A legalização/descriminalização da prostituição aumenta a demanda por prostituição. Ela impulsiona a motivação dos homens em comprar mulheres por sexo em uma escala muito mais ampla e permissiva de definições socialmente aceitáveis. 8. A legalização/descriminalização da prostituição não promove a saúde das mulheres. 9. A legalização/descriminalização da prostituição não aumenta a escolha das mulheres. 10. Mulheres no sistema da prostituição não querem a indústria do sexo legalizada ou descriminalizada.

    • Janice G. Raymond, «Ten reasons for not legalizing prostitution and a legal response to the demand for prostitution», in: Farley, Melissa, Prostitution, trafficking and traumatic stress, (2004) Binghampton: Haworth Press.


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