A. James Gregor

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Anthony James Gregor
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Anthony James Gregor (2 de abril de 192930 de Agosto de 2019) foi um historiador norte-americano, professor emérito de ciência política na Universidade da Califórnia, em Berkeley, reconhecido pelos seus estudos sobre fascismo, marxismo e segurança nacional.


The Ideology of Fascism: The Rationale of Totalitarianism, 1969[editar]

The Ideology of Fascism: The Rationale of Totalitarianism, New York: NY, The Free Press, 1969. ISBN 0029130301, ISBN 978-0029130308.

  • Mussolini era aceito pelo seus pares socialistas, não importa o que se pense sobre o seu marxismo hoje em dia, como um teórico marxista. Ascendeu à liderança do Partido Socialista Italiano graças, em parte, a sua reconhecida capacidade como um intelectual socialista.
    Whatever one thinks of his Marxism today, Mussolini was accepted by his socialist peers as a Marxist theoretician. He rose to leadership in the Italian Socialist Party at least in part on the basis of his recognized capacity as a socialist intellectual. — p. 99
  • Em 24 de novembro de 1914 quando foi expulso do Partido Socialista, Mussolini insistiu que a sua expulsão não poderia retirar-lhe a sua ‘fé socialista’. Ele colocou como subtítulo do seu novo jornal, Il Popolo d’Italia (O Povo da Itália), ‘Um Jornal Socialista’. A intervenção nacional na conflagração europeia era um assunto imediato e enquanto problema dividiu os socialistas, mas uma vez que a maioria dos partidos socialistas do continente optaram pela guerra, Mussolini concebia naquele momento que o intervencionismo não era algo suficientemente comprometedor que obrigasse ao abandono do socialismo.
    On November 24, 1914, when he was expelled from the Socialist Party, Mussolini insisted that his expulsion could not divest him of his ‘socialist faith’. He made the subtitle of his new paper, Il Popolo d’Italia, ‘A Socialist Daily.’ National intervention in the European conflagration was an immediate issue and as a problem it divided socialists, but since most continental socialist parties had opted for war, Mussolini conceived at that time that interventionism was not a commitment sufficient to require the abandonment of socialism. — p. 141
  • A socialização foi, na verdade, o produto de um amadurecimento de tendências já implícitas nas primeiras formulações fascistas. A tendência que amadureceu para as socializações já era manifestada no tempo da Segunda Convenção de Estudos Corporativos e Sindicais, ocorrida em Ferrara em maio de 1932. Sua essência era constituída pelas persistentes predisposições socialistas e antiburguesas do sindicalismo radical combinadas com as pretensões totalitárias do neoidealismo.
    Socialization was, in fact, the product of a maturation of trends already implicit in the earliest Fascist formulations. The trend that matured into socializations was already manifest by the time of the Second Convention of Syndical and Corporative Studies, held in Ferrara in May 1932. Its substance was provided by the persistent socialist and anti-bourgeois biases of radical syndicalism conjoined with the totalitarian pretensions of neo-idealism. — p. 293
  • Foi apenas em novembro de 1933 que Mussolini convenceu-se de que a crise pela qual o capitalismo passava a quatro anos não era uma crise no sistema, mas uma crise do sistema. Foi nessa ocasião que ele falou da ‘regulação completamente orgânica e totalitária da produção’, uma economia ‘regulada’ e ‘controlada’; — um ‘funeral’ do capitalismo.
    It was only in November, 1933, that Mussolini became convinced that the crisis that had beset capitalism for four years was not a crisis within the system, but a crisis of the system. It was on this occasion that he spoke of ‘the complete organic and totalitarian regulation of production’ a ‘regulated’ and ‘controlled; economy — a ‘burial’ of capitalism. — p. 294
  • Em 1930 era evidente que o Fascismo, na busca dos seus objetivos, teria que desenvolver instituições e técnicas para restringir o poder independente das classes possuidoras. Isso deveria ser realizado não apenas para tornar o estado verdadeiramente soberano, mas também para defender aqueles valores socialistas que sindicalistas fascistas e neoidealistas nunca abjuraram.
    By 1930 it was evident that Fascism, for its own purposes, would have to evolve institutions and techniques to restrict the independent power of the possessing classes. This was to be effected not only to render the state truly sovereign, but also to defend those socialist values that Fascist syndicalists and neo-idealists had never abjured. — p. 296
  • Em 1934, Mussolini reiterou que o capitalismo, enquanto sistema econômico, não era mais viável. A economia Fascista deveria basear-se não no lucro individual mas no interesse coletivo.
    In 1934, Mussolini reiterated that capitalism, as an economic system, was no longer viable. Fascist economy was to be based not on individual profit but on collective interest. — p. 299
  • O próprio Mussolini, antes de conhecer quem se agruparia para formar os novos quadros do novo Partido Republicano Fascista, comprometeu-se com a realização do programa original, neoidealista e sindicalista, do Fascismo. Sua intenção original era chamar a sua nova república de República Socialista Italiana — que, com tudo isso, se anunciava como o veículo do socialismo italiano, um socialismo nacional.
    Mussolini himself, before he knew who would collect around the standards of the new Fascist Republican Party, committed himself to the realization of the original syndicalist and neo-idealist program of Fascism. His original intention was to call his new republic the Italian Socialist Republic — which nonetheless advertised itself as the vehicle of an Italian socialism, a national socialism. — p. 307
  • Mussolini era um marxista de boa formação e convicto. As suas últimas convicções políticas representavam uma reformulação do marxismo clássico na direção de uma restauração dos seus elementos hegelianos.
    Mussolini was a well-informed and convinced Marxist. His ultimate political convictions represent a reform of classical Marxism in the direction of a restoration of its Hegelian elements. — p. 333
  • Já em 1930 os teóricos fascistas começavam a falar de uma internazionale fascista, uma união pan-fascista de nações. Os fascistas sustentavam que para o Fascismo as devastações da guerra e da depressão na Europa só poderiam ser desfeitas pela reconstrução "antiplutocrática" internacional e defendiam, como consequência, que o Fascismo deveria ser "patriótico e internacional ao mesmo tempo".
    As early as 1930, Fascist theoreticians had begun to speak of an internazionale fascista, a pan-fascist union of nations. By 1935, Fascist maintained that Fascism recognized that the ravages of war and depression in Europe could only be undone by international ‘antiplutocratic’ reconstruction and argued, as a consequence, that Fascism was to be both ‘patriotic and international at the same time’. — p. 356

The Fascist Persuasion in Radical Politics, 1974[editar]

The Fascist Persuasion in Radical Politics, Princeton: NJ, Princeton University Press, 1974. ISBN 0691645531, ISBN 978-0691645537.

  • Em 1938, Mussolini estava convencido de que ‘dado o total colapso do sistema [herdado] de Lênin, Stalin transformara-se sem alarde num fascista.’
    By 1938, Mussolini could confidently assert that ‘in the face of the total collapse of the system [bequeathed] by Lenin, Stalin has covertly transformed himself into a Fascist.’ — p. 132
  • Onde os 'marxistas revolucionários' agitadores de massa chegam ao poder, e permanecem no poder por um tempo suficientemente longo para criar um sistema político, o que eles conseguem criar, geralmente, é um análogo razoável do estado Fascista.
    Where mass-mobilizing ‘revolutionary Marxists’ have come to power, and remained in power sufficiently long to create a viable political system, what they have generally succeeded in creating is a reasonable analogue of the Fascist state. — p. 134

Italian Fascism and Developmental Dictatorship, 1979[editar]

Italian Fascism and Developmental Dictatorship, Princeton: NJ, Princeton University Press, 1979. ISBN 0691643709, ISBN 978-0691643700.

  • Todo elemento da doutrina fascista pode ter sua origem identificada a partir do conjunto das convicções do nacional-sindicalismo revolucionário, sindicalismo que, por sua parte, emergiu da Primeira Guerra Mundial.
    Every element of Fascist doctrine can be traced to the belief system of revolutionary national syndicalism as that syndicalism emerged from the First World War. — p. 119
  • Entre 1862 e 1922, o governo italiano desembolsou 60 milhões de liras para a construção de escolas; entre 1922 e 1942, o governo fascista direcionou 400 milhões de liras do erário público para o empreendedorismo. O gasto total com educação aumentou de 992,4 milhões de liras no ano financeiro de 1922-23 para 1,636 bilhão de liras no exercício 1936-37. Em 1930, existiam 110.200 escolas públicas de educação básica e, em 1935, esse número chegou a 126.934.
    Between 1862 and 1922, the Italian government had disbursed sixty million lire for school construction; between 1922 and 1942, the Fascist government devoted 400 million lire of public monies to the enterprise. The total expenditure on education rose from 922.4 million lire in the financial year 1922-23 to 1,636 million lire for 1936-37. In 1930 there were 110,200 public elementary schools while the number, by 1935, had risen to 126,934.
  • A legislação fascista de bem-estar social, quando comparada com as leis das nações europeias mais avançadas, era, em alguns aspectos, mais progressista.
    Fascist social welfare legislation compared favorably with the more advanced European nations and in some respect was more progressive. — p. 263

Young Mussolini and the Intellectual Origins of Fascism, 1979[editar]

Young Mussolini and the Intellectual Origins of Fascism, Berkeley: CA University of California Press, 1979. ISBN 0520037995, ISBN 978-0520037991.

  • Mussolini era um marxista ‘herege'.
    Mussolini was a Marxist ‘heretic'. — p. xi
  • O Fascismo [italiano] foi uma variante do marxismo clássico, um conjunto de convicções que trazia consigo alguns temas abordados por Marx e Engels e que terminou por encontrar expressão na forma de ‘nacional-sindicalismo’ e dar vida ao primeiro Fascismo.
    [Italian] Fascism was a variant of classical Marxism, a believe system that pressed some themes argued by both Marx and Engels until they found expression in the form of ‘national syndicalism’ that was to animate the first Fascism. — p. xi
  • O nacionalismo revolucionário de Mussolini, enquanto se distinguia do patriotismo tradicional e do nacionalismo da burguesia, exibia muitas daquelas características que encontramos hoje no nacionalismo de povos subdesenvolvidos. Era um nacionalismo anticonservador que previa grandiosas mudanças sociais; era direcionado contra os opressores externos bem como os internos; evocava uma imagem de uma nação regenerada e renovada que tinha uma missão histórica a realizar; invocava um ideal moral de auto-sacrifício e comprometimento a serviço dos objetivos da coletividade; e recordava antigas glórias e antecipava uma glória compartilhada maior ainda.
    Mussolini's revolutionary nationalism, while it distinguished itself from the traditional patriotism and nationalism of the bourgeoisie, displayed many of those features we today identify with the nationalism of underdeveloped peoples. It was an anticonservative nationalism that anticipated vast social changes; it was directed against both foreign and domestic oppressors; it conjured up an image of a renewed and regenerated nation that would perform a historical mission; it invoked a moral ideal of selfless sacrifice and commitment in the service of collective goals; and it recalled ancient glories and anticipated a shared and greater glory. — p. 99

The Phoenix: Fascism in Our Time, 1999[editar]

The Phoenix: Fascism in Our Time, New Brunswick, NJ, Transaction Publishing, (2001) first published 1999. ISBN 9781560004226, ISBN 1560004223.

  • O Fascismo, o Nacional-Socialismo, o Stalinismo e o Maoísmo eram todos espécies de um único gênero, o `totalitarismo`. As semelhanças que compartilhavam eram reconhecidamente mais significativas do que as características que os distinguiam. Mais significativamente, talvez, as características que originalmente distinguiam um totalitarismo de outro diminuíram gradualmente com o tempo. No final do século, os sistemas marxistas-leninistas começaram a assumir alguns dos principais traços típicos do Fascismo de Mussolini. Tudo isso atesta a futilidade de tentar identificar o Fascismo, ou fascismo, com a direita política. O Fascismo não era nem essencialmente de direita nem intrinsecamente `anticomunista`. O Fascismo não era sequer `anti-intelectual` tampouco, em princípio, `irracionalista`.
    Fascism, National Socialism, Stalinism and Maoism were all species of a single genus, ‘totalitarianism.’ The resemblances they shared were cognitively more significant than the features that distinguished them. More significantly, perhaps, the features that originally distinguished one totalitarianism from another gradually abated over time. By the end of the century, Marxist-Leninist systems had begun to take on some of the major species-traits of Mussolini’s Fascism. All of this attests to the futility of attempting to identify Fascism, or fascism, with the political right. Fascism was neither essentially right-wing nor intrinsically ‘anticommunist.' Fascism was neither ‘anti-intellectual’ nor, in principle ‘irrationalist.’ — p. 19
  • As concepções de Gentile eram neo-hegelianas na origem, a mesma fonte da qual emergiram o marxismo e o marxismo-leninismo. Na verdade, Gentile compreendeu tão bem o marxismo que o seu ensaio a respeito do pensamento do jovem Marx não apenas passou pelo teste do tempo como também, na ocasião da sua publicação, foi recomendado como especialmente sagaz por V. I. Lenin.
    Gentile’s rationale was neo-Hegelian in origin, the same source out of which Marxism and Marxism-Leninism were to emerge. In fact, Gentile understood Marxism so well that his essay on the thought of the young Marx has not only withstood the test of time, but was, on the occasion of its publication, recommended as particularly insightful by V. I. Lenin. — p. 93
  • É possível dizer, num sentido qualificado, que Gentile nutria uma considerável simpatia pela tradição intelectual marxista neo-hegeliana.
    It can be said, in a qualified sense, that Gentile entertained considerable sympathy for the neo-Hegelian Marxist intellectual tradition. — p. 93
  • O fato de Mussolini ter escolhido Gentile para ser o autor da parte filosófica da doutrina oficial do Fascismo fornece evidências da confiança que os fascistas nutriam em relação ao pensamento de Gentile.
    That Mussolini chose Gentile to author the philosophical portion of Fascism’s official doctrine provides evidence of the confidence Fascists entertained with respect to Gentile’s thought. — p. 94
  • Gentile sustentava, como Marx, que a `essência` do homem não é individual, mas social. A personalidade humana é uma função de um padrão complexo de interações tanto com a natureza como com outras pessoas em um ambiente de leis e normas governamentais. O ser humano é essencialmente uma criatura social — e, fora da sociedade, perde a humanidade.
    Gentile maintained, with Marx, that the ‘essence’ of man is not individual—but social. The human person is a function of a complex pattern of interactions with both nature and other persons in a law-and-rule-government environment. The human being is essentially a social creature — and outside society, loses humanity. — p. 95
  • O que distinguia o pensamento fascista de Gentile daquele que veio a caracterizar o pensamento legitimador do marxismo-leninismo era a identificação de Gentile da nação — e não do `proletariado` — como a comunidade de destino que moldaria o nosso tempo. Para Gentile, os proletários representavam apenas elementos que compunham uma comunidade orgânica maior: a nação. No mundo moderno, apenas a nação poderia prover o ambiente material, intelectual, político e moral no qual os indivíduos poderiam encontrar plena realização.
    What distinguished Gentile’s Fascist rationale from that which came to characterize the legitimating rationale of Marxist-Leninism was Gentile’s identification of the nation—rather than the ‘proletariat’—as the community of destiny that would shape our time. For Gentile, proletarians represented only component elements of a larger organic community: the nation. In the modern world, only the nation could provide the material, intellectual, political, and moral environment in which the individual might find fulfillment. — p. 100
  • O Fascismo de Mussolini era uma forma relativamente benigna de nacionalismo reacionário — em vista do tratamento que o regime dava para a sua população doméstica. Nos anos 1926-1932, quando o Fascismo estava estabelecendo o seu totalitarismo, os tribunais fascistas especiais para criminosos políticos proferiram apenas 7 sentenças de morte.
    Mussolini’s Fascism was a relatively benign form of reactive nationalism — in terms of the regime’s treatment of its domestic population. In the years between 1926 and 1932, when Fascism was establishing its totalitarianism, the special Fascist tribunals for political offenders pronounced only 7 death sentences. — p. 174
  • Os intelectuais do Fascismo de Mussolini forneceram a justificativa doutrinária mais consistente, coerente e relevante para as revoluções nacionalistas reacionárias e desenvolvimentistas do nosso tempo.
    The intellectuals of Mussolini’s Fascism provided the most consistent, coherent, and relevant doctrinal rationale for the reactive nationalist and developmental revolutions of our time. — p. 184
  • Em algum sentido, pode-se dizer que quase todas as outras revoluções antiliberais, nacionalistas reacionárias e desenvolvimentistas do nosso século foram formas divergentes do Fascismo paradigmático — e, quanto mais divergente, mais destrutiva.
    In a nonspecific sense, one might say that almost all the other antiliberal, reactive nationalist and developmental revolutions in our century were deviant forms of paradigmatic Fascism — the more deviant, the more destructive. — 184
  • No finzinho de 1947, Mao insistia que seu programa correspondia àquele de Sun. Em dezembro daquele ano, Mao insistia que sua ‘nova democracia’ protegeria a ‘burguesia’ e ‘sua indústria e comércio’. Por causa do atraso da China, ele continuaria a apoiar o desenvolvimento capitalista e garantiria o público bem como o privado, o capital e o trabalho, os interesses seriam beneficiados pela revolução.
    As late as 1947, Mao insisted that his program corresponded to that of Sun. Until December of that year, Mao insisted that his ‘new democracy’ would protect the ‘bourgeoisie’ and ‘their industry and commerce.’ Because of China’s backwardness, he would continue to support capitalist development and ensure that both public and private, capital and labor, interests would benefit from the revolution. — p. 191, rodapé, nota 19
  • Mussolini insistia que o Fascismo era a única forma apropriada de ‘socialismo’ para as ‘nações proletárias’ do século XX.
    Mussolini insisted that Fascism was the only form of ‘socialism’ appropriate to the ‘proletarian nations’ of the twentieth century. — p. 191, rodapé, nota 26

Giovanni Gentile: Philosopher of Fascism, 2001[editar]

Giovanni Gentile: Philosopher of Fascism, New Brunswick: NJ, Transaction Publishers, 2004. ISBN 0765805936, ISBN 9780765805935.

  • Se alguém quer encontrar o fascismo de hoje em dia, aconselho olhar para a retrógrada ex-União Soviética e a reformista República Popular da China. São as hospedeiras naturais de um ‘ressurgimento’ do fascismo.
    Should one choose to seek out today’s fascism, one is counseled to look to the retrograde former Soviet Union, and the reformist People’s Republic of China. They are the natural hosts of a ‘resurgence’ of fascism. — p. xii
  • O que deve ser reconhecido a esta altura é o fato de que Mussolini era, não importa o que ele fosse, um coletivista, que concebia os seres humanos como animais sociais. Aprendera de Marx que o homem era um ser comunitário.
    What should be recognized at this point is the fact that Mussolini, whatever else he was, was a collectivist, who conceived human beings as social animals. He had learned that man was a communal being from Marx. — p. 55
  • O que fizeram alguns dos sindicalistas revolucionários foi identificar o ‘comunitarismo’ do homem não com a classe, mas com a nação. As primeiras sugestões de um ‘nacionalismo revolucionário’ apareceram entre os marxistas mais radicais.
    What some of the revolutionary syndicalists proceed to do was to identify the ‘communality’ of man not will class, but with the nation. The first intimations of a ‘revolutionary nationalism’ made their appearance among the most radical Marxists. — p. 55
  • Para os fascistas, o estado, dotado de um profundo sentido de unidade, era concebido como o ‘educador da virtude cívica, que fazia os cidadãos conscientes da sua missão histórica’. A Itália tinha de ser fascista, e o Fascismo seria a Itália. A nação seria uma união indissolúvel; o interesse de cada um deveria ser o interesse de todos. Em 1929, o que emergiu da revolução fascista era uma variante inconfundível do estado neo-hegeliano gentiliano.
    For Fascists, the state, animated by a profound sense of unity, was understood to be the ‘educator of civic virtue, rendering citizens conscious of their historic mission.’ Italy was to be Fascist, and Fascism was to be Italy. The nation was to be one indissoluble union; the interest of each was to be the interest of all. By 1929, what had emerged from the Fascist revolution was an unmistakable variant of the Gentilean neo-Hegelian state. — p. 62
  • Todo o totalitarismo do século XX foi baseado em um coletivismo sistemático e anti-individualista. No caso marxista-leninista, a fonte foi o marxismo clássico. [Giovanni] Gentile dissecou cuidadosamente as raízes neo-hegelianas desse coletivismo. O que ele descobriu faltar ao coletivismo de Marx era a preocupação ética. Ele procurou acrescentar essa preocupação ao coletivismo do Fascismo — um coletivismo que compartilhava uma origem intelectual comum com o marxismo e o marxismo-leninismo.
    All totalitarianism of the twentieth century were predicated on a systematic, anti-individualistic collectivism. In the case of Marxist-Leninism, the source was classical Marxism. [Giovanni] Gentile had carefully dissected the neo-Hegelian roots of that collectivism. What he found missing in the collectivism of Marx was ethical concern. He sought to provide that concern to the collectivism of Fascism — a collectivism that shared a common intellectual origin with Marxism and Marxism-Leninism. — p. 102

The Faces of Janus: Marxism and Fascism in the Twentieth Century, 2000[editar]

The Faces of Janus: Marxism and Fascism in the Twentieth Century, New Haven: Connecticut, Yale University Press, 2000. ISBN 978-0300078275, ISBN 0300078277

  • Desprovida de grande parte da sua lenga-lenga enchedora de linguiça, a teoria marxista se revela uma variante do fascismo genérico. A disputa do século XX, que tanto custou em vidas humanas, não foi entre a Direita e a Esquerda. Foi entre democracias representativas e seus oponentes antidemocráticos.
    Bereft of much of its mummery, Marxist theory reveals itself as a variant of generic fascism. The contest of the twentieth century, which has cost so much in human lives, was not between the Right and the Left. It was between representative democracies and their anti-democratic opponents. — p. x
  • No final da década de 1920 e início da década de 1930, Stalin criou um regime que abandonou todos os princípios que conhecidamente tipificavam as aspirações da esquerda e entregou-se às noções de ‘socialismo em um país’ — com todos os atributos associados: nacionalismo, o princípio de liderança, anti-liberalismo, anti-individualismo, comunitarismo, governo hierárquico, zelo missionário, o emprego da violência para assegurar o propósito nacional, e anti-semitismo — tornando a União Soviética inequivocamente ‘uma prima do Nacional-Socialismo Alemão.’
    By the end of the 1920s and the beginning of the 1930s, Stalin had created a regime that had abandoned every principle that had presumably typified left-wing aspirations and had given himself over to notions of ‘socialism in one country’ — with all the attendant attributes: nationalism, the leadership principle, anti-liberalism, anti-individualism, communitarianism, hierarchical rule, missionary zeal, the employment of violence to assure national purpose, and anti-Semitism — making the Soviet Union unmistakenly ‘a cousin to the German National Socialism.’ — pp. 4-5
  • Ficamos com um orçamento de paradoxos. Dada a lógica aparente da classificação proposta de políticas de direita — com nacionalismo, estruturas políticas hierárquicas e liderança carismática como propriedades definidoras — tanto o fascismo quanto o marxismo-leninismo parecem ser produtos políticos do extremismo de direita. Se for esse o caso, as revoluções empreendidas por Benito Mussolini, Adolf Hitler, Josef Stalin e Mao Zedong foram todas empreendimentos de direita.
    We are left with a budget of paradoxes. Given the seeming logic of the proposed classification of right-wing polities—with nationalism, hierarchical political structures, and charismatic leadership as defining properties— both fascism and Marxism-Leninism would seem to be political products of right-wing extremism. Should that be the case, the revolutions undertaken by Benito Mussolini, Adolf Hitler, Josef Stalin, and Mao Zedong were all right-wing endeavors. — p. 5
  • Na década de 1990, já não era mais possível falar, sendo intelectualmente íntegro, de uma União Soviética de Stalin que fora constituída por um sistema econômico ‘proletário’ ou possuidora de um governo da ‘classe trabalhadora’. Não se coloca mais crédito no ‘estado proletário’ stalinista, maoísta ou castrista do que na característica ‘proletária’ do ‘Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães’ ou no ‘Estado Fascista do Trabalho’.
    By the 1990s, it was no longer possible to speak, with any intellectual integrity, of a Soviet Union of Stalin as having been informed by a ‘proletarian’ economic system, or possessed of a ‘working-class’ government. No more credence is invested in the Stalinist, Maoist, or Castro ‘proletarian state’ than was invested in the ‘proletarian’ character of the ‘German National Socialist Workers’ Party’ or the ‘Fascist State of Labor.’ — p. 6
  • Na época do desaparecimento da União Soviética, no final da década de 1980, início da década de 1990, não era mais razoável argumentar que ela oferecia uma clara alternativa ao ‘extremismo de direita’ do fascismo. Na verdade, já não era mais claro o que significavam ‘direita’ e ‘esquerda’ em termos das principais revoluções do século XX.
    By the time of its disappearance at the end of the 1980s and the beginning of the 1990s, it was no longer plausible to argue that the Soviet Union offered a clear alternative to the ‘right-wing extremism’ of fascism. In fact, it was no longer clear what ‘right-wing’ or ‘left-wing’ might be taken to mean in terms of the major revolutions of the twentieth century. — p. 6
  • Na época da desintegração da União Soviética, os teóricos marxistas começaram a avaliar o fascismo de uma forma totalmente inesperada... Mais do que isso, à medida que os teóricos marxistas eram compelidos a reinterpretar o fascismo à luz das evidências empíricas e das circunstâncias políticas, as afinidades fundamentais compartilhadas pelos regimes marxista e fascista tornaram-se evidentes.
    By the time of the disintegration of the Soviet Union, Marxist theoreticians had begun to evaluate fascism in a totally unanticipated fashion... More than that, as Marxist theorists were compelled to reinterpret fascism in the light of empirical evidence and political circumstances, the fundamental affinities shared by Marxist and fascist regimes became apparent. — p. 13
  • Os primeiros fascistas eram quase todos marxistas — teóricos destacados que eram de longa data identificados com a intelectualidade italiana esquerdista.
    The first Fascists were almost all Marxists — serious theorists who had long been identified with Italy’s intelligentsia of the Left. — p. 20
  • No final da década de 1960, os teóricos soviéticos se preparavam para argumentar que a ´liderança chinesa´ tinha se transformado num movimento de reação `antimarxista, antissocialista, chauvinista e antissoviético... nacionalista-burguês`. Entre as suas considerações, os pensadores soviéticos recorreram à mesma lista de traços descritivos que os acadêmicos ocidentais tinham empregado por um bom tempo para identificar os sistemas sociais e políticos fascistas.
    By the end of the 1960's, Soviet theoreticians were prepared to argue that the 'Chinese leadership' had transformed itself into an ‘anti-Marxist, anti-socialist, chauvinistic and anti-Soviet... bourgeois-nationalistic’ movement of reaction... In their account, Soviet thinkers had recourse to the same list of descriptive traits that Western academics had employed for some considerable time to identify fascist political and social systems. — p. 71
  • A inspiração ideológica mais direta do Fascismo veio da influência colateral dos `subversivos` mais radicais da Itália — os marxistas do sindicalismo revolucionário.
    Fascism's most direct ideological inspiration came from the collateral influence of Italy's most radical 'subversives' — the Marxists of revolutionary syndicalism. — p. 130
  • O Fascismo... era o socialismo das ´nações proletárias´.
    Fascism... was the socialism of ‘proletarian nations’. — p. 135
  • Com a redefinição dos objetivos da revolução, veio uma série de revisões programáticas. Não havia mais qualquer pretensão de controle ´proletário´ ou da classe trabalhadora dos meios de produção. A produção, sua organização e sua gestão eram todas governadas pelo Estado. Os sindicatos se tornaram agências do Estado, ´correias de transmissão´ para as diretivas do Kremlin. Em meados da década de 1930, o stalinismo criou a estrutura de Estado mais complexa, hierárquica e autoritária da história. No controle do Estado, Stalin criou uma das máquinas coercitivas mais impressionantes de todos os tempos. Para a segurança nacional, grandes quantidades do escasso capital e tecnologia foram investidos nas forças armadas soviéticas. Nunca mais a Rússia seria derrotada em batalha por conta de seu ´atraso´.
    With the redefinition of the goals of the revolution came a series of programmatic revisions. There was no longer any pretense of ‘proletarian’ or working class control of the means of production. Production, its organization, and its management were all state-governed. Labor unions became agencies of the state, ‘transmission belts’ for directives from the Kremlin. By the mid-1930s, Stalinism had created the most complex, hierarchical, authoritarian state structure in history. Together with the state, Stalin created one of the most impressive coercive machines ever. For national security, vast quantities of scarce capital and technology were invested in the Soviet armed forces. Never again was Russia to be defeated in battle because of its ‘backwardness.’ — p. 145
  • Já em 1934 argumentavam os fascistas que ´no curso de seu desenvolvimento, a revolução russa dava gradualmente evidências de estar abandonando totalmente os postulados marxistas e de maneira gradual, ainda que sub-reptícia, aceitava certos princípios políticos fundamentais identificados com o Fascismo´. Tal como sugeriam os nacionais-sindicalistas, o bolchevismo só poderia ser viável se abandonasse a substância do marxismo que fingia ser sua inspiração. Mais do que isso, no final da década de 1930, eminentes teóricos fascistas buscavam enfatizar o fato de que o bolchevismo, como uma forma de marxismo, havia interpretado de maneira totalmente errônea os desafios do mundo contemporâneo. A literatura doutrinária soviética continuava a apresentar temas internacionalistas, democráticos, antiestatistas e socialistas — numa época em que o Stalinismo estava se tornando cada vez mais nacionalista, autoritário e estatista, e manifestamente menos socialista.
    As early as 1934, Fascists had argued that ‘in the course of its development, the Russian revolution has gradually given evidence of fully abandoning Marxist postulates and of a gradual, if surreptitious, acceptance of certain fundamental political principles identified with Fascism.’ Just as the National Syndicalists had suggested, Bolshevism could be viable only if it abandoned the substance of the Marxism it pretended was its inspiration. More than that, toward the end of the 1930s, serious Fascist theorists sought to emphasize the fact that Bolshevism, as a form of Marxism, had entirely misconstrued the challenges of the contemporary world. Soviet doctrinal literature continued to feature internationalist, democratic, anti-statist, and socialist themes — at a time when Stalinism was becoming increasingly more nationalist, authoritarian, and statist, and manifestly less socialist. — p. 145
  • Havia um reconhecimento generalizado de que o stalinismo, enquanto sistema, ´dialeticamente jogara ao mar os princípios em nome dos quais´ a Revolução Bolchevique tinha sido empreendida, e que os ´princípios marxista-leninistas´ tinham sido transformados em seus ´contrários´, isto é, nas ideias que corporificavam e que eram a substância do Fascismo de Mussolini. Os teóricos fascistas apontavam que a organização da sociedade soviética, com sua inculcação de uma ética de obediência militar, autossacrifício e heroísmo, regulação totalitária da vida pública, estratificação hierárquica de cunho partidário, tudo sob o domínio do Estado infalível, correspondia, na forma, aos requisitos da doutrina fascista.
    There was pervasive recognition that Stalinism, as a system, had ‘dialectically thrown overboard the principles in whose name’ the Bolshevisk Revolution had been undertaken, and that ‘Marxist-Leninist principles’ had been transformed into their ‘contraries,’ that is to say, the ideas that provide body and substance to the Fascism of Mussolini. Fascist theoreticians pointed out that organization of Soviet society, with its inculcation of an ethic of military obedience, self-sacrifice and heroism, totalitarian regulation of public life, party-dominant hierarchical stratification, all under the dominance of the inerrant state, corresponded, in form, to the requirements of Fascist doctrine. — p. 146
  • No final da década de 1930, poucos intelectuais fascistas negavam que o sistema social e político organizado na União Soviética se sobrepusesse substancialmente ao formado pelo Fascismo. Quaisquer que fossem as distinções estabelecidas, e por mais enfaticamente alardeadas que fossem essas distinções, nenhum intelectual fascista ignorava as semelhanças institucionais e comportamentais significativas entre o Fascismo e o Stalinismo.
    Towards the end of the 1930s, few Fascist intellectuals denied that the social and political system put together in the Soviet Union substantially overlapped that fashioned by Fascism. Whatever distinctions were drawn, and however emphatically those distinctions were insisted upon, no Fascist intellectual failed to note the significant institutional and behavioral similarities of Fascism and Stalinism. — p. 146
  • Muitos dos principais teóricos do Fascismo, como vimos, foram educados no marxismo e, como Giovanni Gentile, demonstravam uma tal competência no assunto que conquistaram mesmo a admiração do próprio Lenin. O fato é que o neoidealismo filosófico, que serviu ao Fascismo como fundamento normativo, compartilhava suas origens com o marxismo ortodoxo por meio de sua conexão comum com o hegelianismo... Como Marx, Gentile rejeitava a convicção `liberal´ de que os seres humanos são melhores compreendidos como independentes, indivíduos únicos e autossuficientes, possuidores de liberdades inerentes, interagindo apenas por conta das suas conveniências.
    Many of the principal theoreticians of Fascism, as we have seen, had been schooled in Marxism and, like Giovanni Gentile, demonstrated a competence in the material that won the admiration of Lenin himself. The fact was that the philosophical neo-idealism that served Fascism as its normative foundation shared its origins with orthodox Marxism through their common connection to Hegelianism… Like Marx, Gentile rejected the ‘liberal’ conviction that human beings are best understood as independent, self-sufficient monads, possessed of inherent freedoms, interacting only at their conveniences. — p. 166
  • Como já indicado, muitos teóricos fascistas, ao longo da vida de ativismo político, reconheceram as afinidades entre o Fascismo e o Marxismo leninista. Alguns marxistas-leninistas italianos — incluindo Nicola Bombacci, um dos fundadores do Partido Comunista na Itália — chegaram mesmo a conceber o Fascismo como a única forma viável de Marxismo para as comunidades economicamente atrasadas.
    As have been indicated, many Fascist theoreticians, throughout their active political lives, acknowledged the affinities between Fascism and Marxist-Leninism. There were even Italian Marxist-Leninists — including Nicola Bombacci, one of the founders of his nation's Communist Party--who conceived of Fascism as the only viable form of Marxism for economically retrograde communities. — p. 168

The Search for Neofascism: The Use and Abuse of Social Science, 2006[editar]

The Search for Neofascism: The Use and Abuse of Social Science, Cambridge, UK, Cambridge University Press, 2006. ISBN 0521859204, ISBN 9780521859202.

  • O Fascismo nunca serviu aos interesses dos negócios italianos... não há qualquer evidência confiável de que o Fascismo controlava a economia da nação para o benefício das `classes possuidoras`.
    Fascism never served the interests of Italian business... there is no credible evidence that Fascism controlled the nation's economy for the benefit of the `possessing classes`. — p. 7