Albert Camus

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Albert Camus
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Prêmio Nobel de Literatura (1957)

Albert Camus (Mondovi, 7 de novembro de 1913 - 4 de janeiro de 1960), foi um escritor, novelista, ensaísta e filósofo franco-argelino.


  • "Charme é um jeito de ouvir a resposta 'sim' sem ter feito nenhuma pergunta clara".
- Le charme : une manière de s'entendre répondre "oui" sans avoir posé aucune question claire.
- Theatre,recits,nouvelles: pref par jean grenier. Textes etablis et annotes par roger quilliot, Albert Camus - Gallimard, 1962 - 2090 páginas
  • "Não quero ser um génio... Já tenho problemas suficientes ao tentar ser um homem."
- I don't even want to be a genius at all, finding it quite difficult enough to be a man.
- Carnets, 1935-1942‎ - Volume 2, Página 88, Albert Camus - H. Hamilton, 1963 - 153 páginas
  • "O homem tem duas faces: não pode amar ninguém, se não se amar a si próprio."
- L'homme est ainsi, cher monsieur, il a deux faces: il ne peut pas aimer sans s'aimer.
- La chute‎ - Página 37, Albert Camus - Prentice-Hall, 1965 - 160 páginas
- l'héroïsme est peu de chose, le bonheur plus difficile.
- Lettres à un ami allemand‎ - Página 76, Albert Camus - Gallimard, 1946 - 68 páginas
  • "A política e os destinos da humanidade são forjados por homens sem ideais nem grandeza. Aqueles que têm grandeza interior não se encaminham para a política."
- La politique et le sort des hommes sont formés par des hommes sans idéal et sans grandeur. Ceux qui ont une grandeur en eux ne font pas de politique.
- Carnets, Volume 1‎ - Página 99, Albert Camus - Gallimard, 1962 - 252 páginas
  • "O que é a felicidade além da simples harmonia entre o homem e a vida que ele leva?"
- citado em "Frases Geniais" - Página 14, de PAULO BUCHSBAUM - Editora Ediouro Publicações, ISBN 8500015330, 9788500015335

O mito de sísifo (1942)[editar]

CAMUS, Albert. O mito de sísifo. São Paulo: Record, 2004
  • "Começar a pensar é começar a ser atormentado." (p. 18)
  • "Morrer por vontade própria supõe que se reconheceu, mesmo instintivamente, o caráter ridículo desse costume, a ausência de qualquer motivo profundo para viver, o caráter insensato da agitação cotidiana e a inutilidade do sofrimento." (p. 19)
  • "Cenários desabarem é coisa que acontece. Acordar, bonde, quadro horas no escritório ou na fábrica, almoço, bonde, quatro horas de trabalho, jantar, sono e segunda terça quarta quinta sexta e sábado no mesmo ritmo, um percurso que transcorre sem problemas a maior parte do tempo. Um belo dia, surge o “por quê” e tudo começa a entrar numa lassidão tingida de assombro. “Começa”, isto é o importante. A lassidão está ao final dos atos de uma vida maquinal, mas inaugura ao mesmo tempo um movimento da consciência. Ela o desperta e provoca sua continuação. A continuação é um retorno inconsciente aos grilhões, ou é o despertar definitivo. Depois do despertar vem, com o tempo, a conseqüência: suicídio ou restabelecimento." (p. 27)
  • "Uma coisa apenas: essa densidade e essa estranheza do mundo, isto é o absurdo." (p. 29)
  • "No plano da inteligência, posso então dizer que o absurdo não está no homem (se semelhante metáfora pudesse ter algum sentido) nem no mundo, mas na sua presença comum." (p. 45)
  • "A negação é o Deus dos existencialistas." (p. 55)
  • "O absurdo me esclarece o seguinte ponto: não há amanhã." (p. 70)
  • "O homem cotidiano não gosta de demorar. Pelo contrário, tudo o apressa. Ao mesmo tempo, porém, nada lhe interessa além de si mesmo, principalmente aquilo que poderia ser." (p. 92)
  • "A expressão começa onde o pensamento acaba." (p. 114)
  • "Saber se o homem é livre exige saber se ele pode ter um amo. A absurdidade particular deste problema é que a própria noção que possibilita o problema da liberdade lhe retira, ao mesmo tempo, todo o seu sentido. Porque diante de Deus, mais que um problema da liberdade, há um problema do mal. A alternativa conhecida: ou não somos livres e o responsável pelo mal é Deus todo-poderoso, ou somos livres e responsáveis, mas Deus não é todo-poderoso. Todas as sutilezas das escolas nada acrescentaram nem tiraram de decisivo a este paradoxo."
  • "Deixo Sísifo no sopé da montanha! Encontramos sempre o nosso fardo. Mas Sísifo ensina a fidelidade superior que nega os deuses e levanta os rochedos. Ele também julga que tudo está bem. Esse universo enfim sem dono não lhe parece estéril nem fútil. Cada grão dessa pedra, cada estilhaço mineral dessa montanha cheia de noite, forma por si só um mundo. A própria luta para atingir os píncaros basta para encher um coração de homem. É preciso imaginar Sísifo feliz."
  • "Não há destino que não se transcenda pelo desprezo."
  • "Uma atitude saudável inclui também defeitos."
  • "Um homem sem memória é um homem sem passado. Mas um homem que não sabe fantasiar é um homem sem futuro."
  • "Sim, o homem é o seu próprio fim. E é o seu único fim."
  • "Mas só há um mundo. A felicidade e o absurdo são dois filhos da mesma terra. São inseparáveis. O erro seria dizer que a felicidade nasce forçosamente da descoberta absurda. Acontece também que o sentimento do absurdo nasça da felicidade. “Acho que tudo está bem”, diz Édipo e essa frase é sagrada. Ressoa no universo altivo e limitado do homem. Ensina que nem tudo está perdido, que nem tudo foi esgotado. Expulsa deste mundo um deus que nele entrara com a insatisfação e o gosto das dores Inúteis. Faz do destino uma questão do homem, que deve ser tratado entre homens. Toda a alegria silenciosa de Sísifo aqui reside. O seu destino pertence-lhe."
  • "Só há um problema filosófico verdadeiramente sério: o suicídio. Julgar se a vida merece ou não ser vivida é responder uma questão fundamental da filosofia. O resto, se o mundo tem três dimensões, se o espírito tem nove ou doze categorias, vem depois. Trata-se de jogos; é preciso primeiro responder. E se é verdade, como quer Nietzsche, que um filósofo, para ser estimado, deve pregar com o seu exemplo, percebe-se a importância dessa reposta, porque ela vai anteceder o gesto definitivo. São evidências sensíveis ao coração, mas é preciso ir mais fundo até torná-las claras para o espírito. Se eu me pergunto por que julgo que tal questão é mais premente que tal outra, respondo que é pelas ações a que ela se compromete. Nunca vi ninguém morrer por causa do argumento ontológico. Galileu, que sustentava uma verdade científica importante, abjurou dela com a maior tranqüilidade assim que viu sua vida em perigo. Em certo sentido, fez bem. Essa verdade não valia o risco da fogueira. Qual deles, a Terra ou o Sol gira em redor do outro, é-nos profundamente indiferente."
- L'absurde, c'est la raison lucide qui constate ses limites
- Le mythe de Sisyphe‎ - Página 70, de Albert Camus - Publicado por Gallimard, 1960 - 187 páginas
  • "Criar é também dar uma forma ao destino."
- O mito de Sísifo‎ - Página 133, Albert Camus - Traduzido por Ari Roitman, Paulina Watch, Edição 5, Editora Record, 2004, ISBN 8501067253, 9788501067258 - 158 páginas
  • "Não há amor generoso senão aquele que se sabe ao mesmo tempo passageiro e singular."
- O mito de Sísifo‎ - Página 87, Albert Camus - Traduzido por Ari Roitman, Paulina Watch, Edição 5, Editora Record, 2004, ISBN 8501067253, 9788501067258 - 158 páginas
  • "O significado da vida é a mais urgente das questões."
- I therefore conclude that the meaning of life is the most urgent of questions.
- The myth of Sisyphus‎ - Página ii, Albert Camus - Hamish Hamilton, 1955 - 169 páginas
  • "Não ser amado é falta de sorte, mas não amar é a própria infelicidade", ou "Não ser amado é uma simples desventura. A verdadeira desgraça consiste em não amar."
- [...] il y a seulement de la malchance à n'être pas aimé: il y a du malheur à ne point aimer.
- L'été, p. 873, pl. 2
- For there is merely bad luck in not being loved; there is misfortune in not loving.
- The myth of Sisyphus, and other essays‎ - Página 201, Albert Camus - Vintage Books, 1983, ISBN 0679733736, 9780679733737 - 212 páginas

Homem Revoltado[editar]

  • "O ateísmo marxista é absoluto. No entanto, ele restabelece o ser supremo ao nível do homem. A crítica da religião chega a esta doutrina na qual o homem é para o homem o ser supremo. Sob este ângulo, o socialismo é um empreendimento de divinização do homem e adquiriu certas características das religiões tradicionais."
  • "O movimento revolucionário, no final do século XIX e no começo do XX, viveu como os primeiros cristãos, à espera do fim do mundo e da Parusia do Cristo proletário."
  • "A revolução russa continua só, viva contra seu próprio sistema, longe das portas celestes, com um apocalipse a organizar. A Parusia ainda está longe. A fé está intacta, mas se curva a uma enorme massa de problemas e descobertas que o marxismo não havia previsto. A nova igreja está de novo frente a Galileu: para conservar a , ela vai negar o sol e humilhar o homem livre."
  • "Depois de descartada a hipótese de suicídio só nos resta o otimismo."
  • "Certa manhã, após tantos desesperos, uma irreprimível vontade de viver virá anunciar-nos que tudo acabou e que o sofrimento não possui mais sentido do que a felicidade."
  • "O homem é a única criatura que se recusa a ser o que é."
- O Homem revoltado‎ - Página 21, Albert Camus, traduzido por Valerie Rumjanek, Editora Record, 1996, ISBN 8501045489, 9788501045485- 1996 - 351 páginas

A Queda[editar]

  • "... Ser Senhor dos seus humores é o privilégio dos grandes animais."
  • "Nós não estamos senão mais ou menos em todas as coisas."
  • "Em cada caso, minha sensualidade, para só falar dela, era tão real que, mesmo por uma aventura de dez minutos, eu renegaria pai e mãe, mesmo que se tivesse de lamentá-lo amargamente. Que digo eu! Sobretudo por uma aventura de dez minutos, e mais ainda, se eu tivesse a certeza de que ela não teria futuro. Eu tinha princípios, é claro; por exemplo: a mulher dos amigos era sagrada. Simplesmente, eu deixava, com toda sinceridade, alguns dias antes, de ter amizade pelos maridos."
  • "A idéia mais natural para o homem, a que lhe surge ingenuamente, como no fundo da sua natureza, é a idéia da sua inocência. Sob esse aspecto, somos todos como aquele francesinho que, em Buchenwald, teimava em querer apresentar um reclamação ao escrivão, prisoneiro como ele, que registrava sua chegada. Uma reclamação? O escrivão e os seus colegas riam: 'Inútil, meu velho. Aqui, não se reclama.' 'Mas, veja bem, meu senhor', dizia o francesinho, 'o meu caso é excepcional. Sou inocente!'"
  • "Não é necessário existir Deus para criar a culpabilidade, nem para castigar. Para isso, bastam os nossos semelhantes, ajudados por nós mesmos. O senhor me falava do Juízo Final. Permita-me rir disso respeitosamente. Posso esperá-lo com tranqüilidade: conheci o que há de pior, que é o julgamento dos homens."
  • "Não podemos afirmar a inocência de ninguém, ao passo que podemos afirmar com segurança a culpabilidade de todos. Cada homem é testemunha do crime de todos os outros, eis a minha fé e a minha esperança."
  • "Se os proxenetas e os ladrões fossem sempre condenados em toda parte, as pessoas de bem, julgar-se-iam todas e incessantemente inocentes."
  • "Ah! Meu caro, para quem está só, sem Deus e sem senhor, o peso dos dias é terrível..."
  • "Eu aprendi a contentar-me com a simpatia. Encontra-se mais facilmente e, depois, não nos impõe nenhum compromisso. «Creia na minha simpatia», no discurso interior precede imediatamente «e agora ocupemo-nos de outra coisa». É um sentimento de presidente de Conselho: obtém-se muito barato, depois das catástrofes. A amizade é menos simples. A sua aquisição é longa e difícil, mas, quando se obtém, já não há meio de nos desembaraçarmos dela, temos de fazer frente."
  • "Sobretudo, não acredite que os seus amigos lhe telefonarão todas as noites, como deviam, para saber se não é precisamente essa a noite em que decidiu suicidar-se. Ou, mais simplesmente, se não tem necessidade de companhia, se não está com vontade de sair. Oh, não! Se telefonarem, esteja descansado. Será na noite em que já não está só e a vida é bela."
  • "Apenas uma frase lhe bastará para definir o homem moderno: fornicava e lia jornais."
  • "Os homens só se convencem das nossas razões, da nossa sinceridade e da gravidade das nossas penas, com a nossa morte. Enquanto vivos, o nosso caso é duvidoso, não temos direito senão ao ceticismo."
  • "A ideia mais natural para o homem, a que lhe surge ingenuamente, como no fundo de sua natureza, é a ideia de sua inocência."
  • "Caminho noites inteiras e sonho, ou falo sozinho interminavelmente."
- A queda‎ - Página 103, Albert Camus, traduzido por José Terra, Edição "Livros do Brasil" - 1960 - 218 páginas

O Estrangeiro[editar]

  • "Hoje, morreu mamãe. Ou talvez, ontem, não sei bem. Recebi um telegrama do asilo: sua mãe faleceu. Enterro amanhã. Sentidos pêsames. Isto não esclarece nada. Talvez tenha sido ontem."
- Camus, Albert. O estrangeiro; tradução de Valerie Rumjanek. Rio de Janeiro: BestBolso, 2010. p. 13
  • "Antes de deixar o escritório para almoçar, lavei as mãos. Ao meio-dia, isso me dá prazer. À tarde, nem tanto, porque a toalha que usamos está toda molhada: serviu durante todo o dia. Certa vez, fiz uma observação a esse respeito ao patrão. Respondeu-me que achava isto lamentável, mas que se tratava, ainda assim, de um detalhe sem importância.
- Camus, Albert. O estrangeiro; tradução de Valerie Rumjanek. Rio de Janeiro: BestBolso, 2010. p. 31
  • "Quando nos vestimos na praia, Marie olhava-me com olhos brilhantes. Beijei-a. A partir desse momento, não falamos mais. Apertei-a contra mim, e tivemos pressa de encontrar um ônibus, de voltar, de ir para a minha casa e de nos atirarmos na minha cama. Tinha deixado a janela aberta, e era bom sentir a noite de verão escorrer por nossos corpos bronzeados."
- Camus, Albert. O estrangeiro; tradução de Valerie Rumjanek. Rio de Janeiro: BestBolso, 2010. p. 39
  • "É uma cidade suja [Paris]. Há pombos e pátios escuros. As pessoas têm a pele branca."
- Camus, Albert. O estrangeiro; tradução de Valerie Rumjanek. Rio de Janeiro: BestBolso, 2010. p. 47
  • "Depois, só tinha pensamentos de prisioneiro. Aguardava o passeio diário na pátio ou a visita do advogado. O restante do meu tempo eu coordenava muito bem. Nessa época pensei muitas vezes que se me obrigassem a viver dentro de um tronco seco de árvore, sem outra ocupação além de olhar a flor do céu acima da minha cabeça, eu teria me habituado aos poucos. Teria esperado a passagem dos pássaros ou os encontros entre as nuvens tal como esperava aqui as estranhas gravatas do advogado, e, como num outro mundo, esperava até sábado para estreitar nos meus braços o corpo de Marie. Ora, a verdade, afinal é que eu não estava numa árvore seca. Havia pessoas mais infelizes do que eu. Era, aliás, uma idéia de mamãe, e ela repetia com frequência que acabávamos acostumando-nos a tudo.
- Camus, Albert. O estrangeiro; tradução de Valerie Rumjanek. Rio de Janeiro: BestBolso, 2010. p.74
  • "Compreendi, então, que um homem que houvesse vivido um único dia, poderia sem dificuldades passar 100 anos numa prisão. Teria recordações suficientes para não se entediar. De certo modo, isto era uma vantagem."
- Camus, Albert. O estrangeiro; tradução de Valerie Rumjanek. Rio de Janeiro: BestBolso, 2010. p. 76
  • "Tinha lido que na prisão se acaba perdendo a noção do tempo. Mas para mim isso não fazia muito sentido. Não compreendera ainda até que ponto os dias podiam ser, ao mesmo tempo, curtos e longos. Longos para viver, sem dúvida, mas de tal modo distendidos que acabavam por se sobrepor uns aos outros. E nisso perdiam o nome. AS palavras ontem ou amanhã eram as únicas que conservavam sentido para mim.

Quando um dia um guarda me disse que eu estava lá a cinco meses, acreditei, mas não compreendi. Para mim era sempre o mesmo dia que se desenrolava na minha cela, e era sempre a mesma tarefa que eu perseguia sem cessar.

- Camus, Albert. O estrangeiro; tradução de Valerie Rumjanek. Rio de Janeiro: BestBolso, 2010.p. 77
  • "Exageramos sempre as coisas que não conhecemos."
- Camus, Albert. O estrangeiro; tradução de Valerie Rumjanek. Rio de Janeiro: BestBolso, 2010.p. 102
  • "À noite, Marie esquecera tudo. O filme tinha momentos engraçados e outros realmente idiotas. A sua perna estava encostada na minha. Acariciava-lhe os seios. No fim da sessão, eu a beijei, mas mal. Ao sair, veio para minha casa."
- Camus, Albert. O estrangeiro; tradução de Valerie Rumjanek - 28ª edição - Rio de Janeiro: Record, 2007.p. 23
  • "Para que tudo se consumasse, para que me sentisse menos só, faltava-me desejar que houvesse muitos espectadores no dia da minha execução e que me recebessem com gritos de ódio."
- Camus, Albert. O estrangeiro; tradução de Valerie Rumjanek - 28ª edição - Rio de Janeiro: Record, 2007.p. 126
  • "Como se esta grande cólera me tivesse purificado do mal, esvaziado de esperança, diante desta noite carregada de sinais e de estrelas, eu me abria pela primeira vez à terna indiferença do mundo."
  • "Mesmo no banco dos réus, é sempre interessante ouvir falar de si mesmo."
  • "Mentir não é só dizer aquilo que não é. É também, e sobretudo, dizer mais do que aquilo que é e, no que diz respeito ao coração humano, dizer mais do que se sente."

A morte feliz[editar]

  • "Ao imaginar alguns recomeços, ao tomar consciência de sua vida passada, tinha definido o que queria e o que não queria ser. (...) decidido a aproveitar o impulso para se instalar (...)para harmonizar sua respiração com o ritmo profundo do tempo e da vida."
  • "Não há grandes dores em grandes arrependimentos, nem grandes recordações.Tudo se esquece, até mesmo os grandes amores. É o que há de triste e ao mesmo tempo de exaltante na vida. Há apenas uma certa maneira de ver as coisas e ela surge de vez em quando. É por isso que, apesar de tudo, é bom ter tido um grande amor, uma paixão infeliz na vida. Isso constitui pelo menos um álibi para o despero sem razão que se apoderam de nós."
  • "Tenho certeza(...) de que não se pode ser feliz sem dinheiro. Só isso. Não gosto nem da facilidade, nem do romantismo. Gosto de compreender. Pois bem, reparei que em certas pessoas da elite há uma espécie de esnobismo espiritual em acreditar que o dinheiro não é necessário à felicidade. É bobagem, está errado e, de certa forma, é covardia."

A peste[editar]

  • "Sabiam agora que, se há qualquer coisa que se pode desejar sempre e obter algumas vezes, essa qualquer coisa é a ternura humana."
  • "Para todos aqueles, pelo contrário, que se tinham dirigido por cima do homem a qualquer coisa que nem sequer imaginavam, não houvera resposta."
  • "Era justo que... a alegria viesse recompensar os que se contentam com o homem e o seu pobre e terrível amor."
  • "E foi por isso que decidi recusar tudo o que, de perto ou de longe, por boas ou más razões, faz morrer ou justifica que se faça morrer."
  • "Sim, dormimos, e isto é confortante, pois o maior desejo de um coração inquieto é possuir interminavelmente o ser amado, ou, dada a separação, poder mergulhá-lo num sono sem sonhos que não termine antes do reencontro."
  • "(...) e chega talvez o dia em que, para desgraça e ensinamento dos homens, a peste acorda os ratos e os manda morrer numa cidade feliz."
  • "Oran, na aparência, é uma cidade que não pensa, isto é, uma cidade perfeitamente moderna."
  • "Em Oran, como noutras partes, à míngua de tempo e reflexão, somos obrigados a amar sem saber."
  • "...Rieux sentia a derrota definitiva, a que termina as guerras e transforma a paz em sofrimento incurável."
  • "Essa tristeza era também sua e o aperto que sentia no coração nesse momento era a imensa cólera que surge no homem diante da dor que todos os homens compartilham."

Núpcias[editar]

  • "Penso agora em flores, sorrisos, desejo de mulher, e compreendo que todo o meu horror de morrer está contido em meu ciúme de vida. Sinto ciúme daqueles que virão e para os quais as flores e o desejo de mulher terão todo o seu sentido de carne e de sangue. Sou invejoso porque amo demais a vida para não ser egoísta... Quero suportar minha lucidez até o fim e contemplar minha morte com toda a exuberância de meu ciúme e de meu horror."
  • "O meu reino é todo deste mundo."

Calígula[editar]

  • "O mundo assim como está não é suportável, por conseguinte, preciso da lua, da felicidade ou da imortalidade, de qualquer coisa que seja loucura, talvez, mas que não pertença a este mundo."
  • "Fazer sofrer é a única maneira de nos enganarmos."
- faire souffrir était la seule façon de se tromper.
- Caligula‎ - Página 116, Albert Camus - Gallimard, 1958 - 250 páginas

Cadernos[editar]

  • "Não há uma coisa que se faça por um ser (que se faça verdadeiramente) que não negue um outro. E quando não nos podemos resignar a negar os seres, há uma lei que nos estiriliza para sempre. De certo modo, amar um ser é matar todos os outros."
  • "A grandeza consiste em tentar ser grande. Não há outro meio."
- Greatness consists in trying to be great. There is no other way
- Notebooks: 1942-1951. Translated from the French and annotated by J. O'Brien‎ - Página 226, Albert Camus - Knopf, 1963

Atribuídas[editar]

- citado em "Frases Geniais" - Página 343, Paulo Buchsbaum, 2004, Ediouro Publicações, ISBN 8500015330, 9788500015335440 páginas