Fernando Pessoa

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Fernando António Nogueira Pessoa (Lisboa, 13 de junho de 1888 - 30 de novembro de 1935), foi um poeta e escritor português do movimento literário do Modernismo. Os trabalhos mais conhecidos são Mensagem e os Heterónimos. Pessoa é considerado junto de Camões um dos mais importantes poetas da língua portuguesa.


- Fernando Pessoa - Volumes 4-6 - Página 81, Biblioteca manancial ; v. 38-43, Fernando Pessoa - J. Aguilar, 1976
- Obras em prosa - Página 504, Fernando Pessoa, ‎Cleonice Berardinelli - Companhia José Aguilar Editôra, 1974, 722 páginas
  • * "Vão para o diabo sem mim, ou deixem-me ir sozinho para o diabo! Para que haveremos de ir juntos?"
- Poesia‎ - Página 83, Fernando Pessoa, Adolfo Casais Monteiro - AGIR, 1959 - 120 páginas
Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue
o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir
para a evolução da humanidade.
  • "Descobri que a leitura é uma forma servil de sonhar. Se tenho de sonhar, porque não sonhar os meus próprios sonhos?" Fernando Pessoa, in: Notas Autobiográficas e de Autognose
É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.
- Biblioteca Luso-Brasileira. Série Portuguêsa - página xiii, Volume 5 de Biblioteca luso-brasileira, Biblioteca Luso-Brasileira. Série portuguêsa, Fernando Pessoa, Editora Aguilar, 1960, 815 páginas
- Nota* "Navegar é preciso, viver não é preciso." Frase frequentemente atribuída a Pessoa, e de facto usada por ele, mas presente em Plutarco, "Vidas", na boca do general romano Pompeu(Pessoa. Livro do Desassossego. Assírio & Alvim. 2006. Nota à página 133)
  • "Eu não sei o que o amanhã trará." É a última frase escrita no idioma no qual foi educado, o inglês: I know not what tomorrow will bring ("Eu não sei o que o amanhã trará").
  • "O autor destas linhas [...] nunca teve uma só personalidade, nem pensou nunca, nem sentiu, senão dramaticamente, isto é, numa pessoa, a personalidade, suposta, que mais propriamente do que ele próprio pudesse ter esses sentimentos".
- Obras em prosa - página 82; Volume 11 de Biblioteca luso-brasileira, Biblioteca Luso-Brasileira. Série portuguêsa, Fernando Pessoa, editor Cleonice Berardinelli, Companhia José Aguilar Editôra, 1974, 722 páginas
  • "Quero fugir ao mistério / Para onde fugirei? / Ele é a vida e a morte / Ó Dor, aonde me irei?"
- Obra poética‎ - Página 423, de Fernando Pessoa, Maria Aliete Galhoz - Publicado por Aguilar, 1960 - 815 páginas
  • Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:
"Navegar é preciso; viver não é preciso".
Quero para mim o espírito [d]esta frase,
transformada a forma para a casar como eu sou:
Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la grande,
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.
Só quero torná-la de toda a humanidade;
ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso.
  • "Não me venham com conclusões! A única conclusão é morrer."
- Poesia‎ - Página 82, de Fernando Pessoa, Adolfo Casais Monteiro - Publicado por AGIR, 1968 - 123 páginas
  • "Nunca ninguém se perdeu / Tudo é verdade e caminho."
- Obra poética‎ - Página 93, de Fernando Pessoa, Maria Aliete Galhoz - Publicado por Aguilar, 1960 - 815 páginas
  • "Sê plural como o universo!"
- "Fernando Pessoa e a Europa do século XX‎" - Página 191, Por Fernando Pessoa, Maria João Fernandes, Fundação de Serralves (Portugal), Colaborador Maria João Fernandes, Publicado por Fundação de Serralves, 1991 - 308 páginas
- ("Plural como o universo" é o título de uma reportagem de Rinaldo Gama)/ (...) fazendo-nos sentir-se plural como o universo. (Ghil Brandão)
  • "Tenho pensamentos que, se pudesse revelá-los e fazê-los viver, acrescentariam nova luminosidade às estrelas, nova beleza ao mundo e maior amor ao coração dos homens.
- Alguma prosa‎ - Página 19, Fernando Pessoa - Editora Nova Aguilar, 1976 - 247 páginas
  • "Pedi tão pouco à vida e mesmo esse pouco a vida me negou"

Poemas e citações Ordenadas por Heterônimos[editar]

  • "A vida é para nós o que concebemos dela. Para o rústico cujo campo lhe é tudo, esse campo é um império. Para o César cujo império lhe ainda é pouco, esse império é um campo. O pobre possui um império; o grande possui um campo. Na verdade, não possuímos mais que as nossas próprias sensações; nelas, pois, que não no que elas vêem, temos que fundamentar a realidade da nossa vida." (Fernando Pessoa)
  • "Cada um de nós é um grão de pó que o vento da vida levanta,e depois deixa cair." Fernando Pessoa(1888-1935),poeta português,citado no livro Fernando Pessoa-Uma Quase Autobiografia,de José Cavalcanti Filho.
  • Como é por dentro outra pessoa
Como é por dentro outra pessoa
Quem é que o saberá sonhar? (...) :Fernando Pessoa 1934
  • "Com uma tal falta de gente coexistível, como há hoje, que pode um homem de sensibilidade fazer senão inventar os seus amigos, ou quando menos, os seus companheiros de espírito?" (Fernando Pessoa)
  • "Estética da Abdicação
Conformar-se é submeter-se e vencer é conformar-se, ser vencido. Por isso toda a vitória é uma grosseria. Os vencedores perdem sempre todas as qualidades de desalento com o presente que os levaram à luta que lhes deu a vitória. Ficam satisfeitos, e satisfeito só pode estar aquele que se conforma, que não tem a mentalidade do vencedor. Vence só quem nunca consegue." (Fernando Pessoa)
  • "Liberdade
Ai, que prazer / Não cumprir um dever.(...)" (Fernando Pessoa)
  • "... a origem mental dos meus heterónimos está na minha tendência orgânica e constante para a despersonalização e para a simulação. Estes fenómenos - felizmente para mim e para os outros - mentalizaram-se em mim; quero dizer, não se manifestam na minha vida prática, exterior e de contacto com os outros; fazem explosão para dentro e vivo-os eu a sós comigo... Desde criança tive a tendência para criar em meu torno um mundo fictício, de me cercar de amigos e conhecidos que nunca existiram... Desde que me conheço como sendo aquilo a que chamo eu, me lembro de precisar mentalmente, em figura, movimentos, carácter e história várias figuras irreais que eram para mim tão visiveis e minhas como as coisas daquilo a que chamamos, porventura abusivamente, a vida real..."
- Carta de Fernando Pessoa dirigida a Adolfo Casais Monteiro, explicando o significado dos seus heterónimos
  • "I know not what tomorrow will bring."
- Nota: Escrito em Inglês na véspera da morte.
  • "O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente."
- Fernando Pessoa, Autopsicografia; Publicado em 1 de Abril de 1931
  • "Não há normas. Todos os homens são excepção a uma regra que não existe". (Fernando Pessoa)
"A beleza de um corpo nu só a sentem as raças vestidas. O pudor vale sobretudo para a sensibilidade como o obstáculo para a energia."
  • "O dinheiro compra um mausoléu, mas não um lugar no céu." (Fernando Pessoa)
  • "(...)Quando falo com sinceridade, não sei com que sinceridade falo. Sou variamente outro do que um eu que não sei se existe"(...). In: Para a Explicação da Heteronímia Fernando Pessoa
  • Quem não vê bem uma palavra, não pode ver bem uma alma"
- Fernando Pessoa, A Língua Portuguesa, Lisboa, Assírio e Alvim, 1997, [p. 9].
  • "Não haver deuses é um deus também". - Fernando Pessoa
  • "Tenho em cada canto de minha Alma, Um altar erguido a um Deus

diferente" (Fernando Pessoa).

  • "Tenho prazer em ser vencido quando quem me vence é a razão, seja quem for o seu procurador." Fernando Pessoa
Tudo que sou não é mais do que abismo
Em que uma vaga luz
Com que sei que sou eu, e nisto cismo,
Obscura me conduz.
Um intervalo entre não-ser e ser
Feito de eu ter lugar
Como o pó, que se vê o vento erguer,
Vive de ele o mostrar. (Fernando Pessoa, in: Fernando Pessoa - Obra Poética Ed. Nova Aguilar, p. 704)

Alberto Caeiro[editar]

  • "O universo não é uma idéia minha.
A minha idéia do Universo é que é uma idéia minha.
A noite não anoitece pelos meus olhos,
A minha idéia da noite é que anoitece por meus olhos.
Fora de eu pensar e de haver quaisquer pensamentos
A noite anoitece concretamente
E o fulgor das estrelas existe como se tivesse peso."
- Fonte: Fernando Pessoa/Alberto Caeiro
  • "Não sou do tamanho da minha altura, mas da estatura daquilo que posso ver." (Correção: "Porque eu sou do tamanho do que vejo/E não do tamanho da minha altura...") em Guardador de Rebanhos, por Alberto Caeiro - um dos heterônimos de Fernando Pessoa
  • "Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia, Não há nada mais simples. Tem só duas datas - a da minha nascença e a da minha morte. Entre uma e outra todos os dias são meus." :- Fonte: Fernando Pessoa/Alberto Caeiro; Poemas Inconjuntos; Escrito entre 1913-15; Publicado em Atena nº 5, Fevereiro de 1925
  • "Tenho o dever de me fechar em casa no meu espírito e trabalhar quanto possa e em tudo quanto possa, para o progresso da civilização e o alargamento da consciência da humanidade".

Álvaro de Campos[editar]

  • Adiantamento
"Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã...
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível; mas hoje não...
Não, hoje nada; hoje não posso.
A persistência confusa da minha subjetividade objetiva,
O sono da minha vida real, intercalado,
O cansaço antecipado e infinito,
Um cansaço de mundos para apanhar um elétrico...
Esta espécie de alma...
Só depois de amanhã... (...) Álvaro de Campos
  • "Não sou nada. Nunca serei nada, não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo." (Em Tabacaria, por Álvaro de Campos - um dos heterônimos de Fernando Pessoa)
O porvir...
Sim, o porvir..."
- Fonte: Fernando Pessoa/ Álvaro de Campos - Ficções de Interlúdio - 14/04/1928
"Tudo vale a pena / Se a alma não é pequena."
  • Tabacaria
"Tenho em mim todos os sonhos do mundo.(...)"
"Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras."
- Álvaro de Campos

Bernardo Soares[editar]

  • "A Decadência é a perda total da inconsciência; porque a inconsciência é o fundamento da vida." (Bernardo Soares)
  • "A solidão desola-me; a companhia oprime-me." (Bernardo Soares)
  • "A superioridade do sonhador consiste em que sonhar é muito mais prático que viver, e em que o sonhador extrai da vida um prazer muito mais vasto e muito mais variado do que o homem de acção. Em melhores e mais directas palavras, o sonhador é que é o homem de acção. Nunca pretendi ser senão um sonhador." (Bernardo Soares)
  • "Adoramos a perfeição, porque não a podemos ter; repugna-la-íamos, se a tivéssemos. O perfeito é desumano, porque o humano é imperfeito. (Bernardo Soares)
  • "Amar é cansar-se de estar só: é uma covardia portanto, e uma traição a nós próprios (importa soberanamente que não amemos) (Bernardo Soares)
  • "Benditos os que não confiam a vida a ninguém." (Bernardo Soares)
  • "Considero a vida uma estalagem onde tenho que me demorar até que chegue a diligência do abismo." (Bernardo Soares)
  • "É nobre ser tímido, ilustre não saber agir, grande não ter jeito para viver." (Bernardo Soares)
  • "Foi num mar interior que o rio da minha vida findou." (Bernardo Soares)
  • "Há um cansaço da inteligência abstracta, e é o mais horroroso dos cansaços. Não pesa como o cansaço do corpo, nem inquieta como o cansaço do conhecimento e da emoção. É um peso da consciência do mundo, um não poder respirar da alma. (Bernardo Soares)
  • "Irrita-me a felicidade de todos estes homens que não sabem que são infelizes.[...] Por isto, contudo, amo-os a todos. Meus queridos vegetais!" (Bernardo Soares)
  • "O coração, se pudesse pensar, pararia." (Bernardo Soares)
  • "Pertenço àquela espécie de homens que estão sempre na margem daquilo a que pertencem, nem vêem só a multidão de que são, senão também os grandes espaços que há ao lado." (Bernardo Soares)
  • "Sabemos bem que toda a obra tem que ser imperfeita, e que a menos segura das nossas contemplações estéticas será a daquilo que escrevemos." (Bernardo Soares)
  • "Sento-me à porta e embebo meus olhos e ouvidos nas cores e nos sons da paisagem, e canto lento, para mim só, vagos cantos que componho enquanto espero." (Bernardo Soares)

Ricardo Reis[editar]

  • "Circunda-te de rosas, ama, bebe e cala. O mais é nada." (Em Odes de Ricardo Reis, por Ricardo Reis - um dos heterônimos de Fernando Pessoa)
Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive. (in: Odes de Ricardo Reis)
  • "Nada Fica
Nada fica de nada.(...)" Ricardo Reis
  • "Sábio
Sábio é quem se contenta com o espectáculo do mundo,(...)" Ricardo Reis

Mensagem[editar]

  • "Não tenho sentimento nenhum político ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriótico. Minha pátria é a língua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incomodassem pessoalmente. Mas odeio, com ódio verdadeiro, com o único ódio que sinto, não quem escreve mal português, não quem não sabe sintaxe, não quem escreve em ortografia simplificada, mas a página mal escrita, a ortografia sem ípsilon, como o escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse."
- Mensagem‎ - Página 22, Fernando Pessoa - hedra, 1934, ISBN 8577150380, 9788577150380 - 100 páginas
  • "Claro em pensar, e claro no sentir, / e claro no querer"
- Poema "D. Pedro", versos 1 e 2
  • "Cumpri contra o Destino o meu dever. / Inutilmente? Não, porque o cumpri."
- Poema "D. Duarte", versos 5 e 6
  • "Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez. / Senhor, falta cumprir-se Portugal!"
- Poema "O Infante", versos 11 e 12
  • "Deus quer, o homem sonha, a obra nasce."
- Fonte: Poesia "O Infante", Verso 1.
  • "Deus ao mar o perigo e o abismo deu, / Mas nele é que espelhou o céu."
- Fonte: Poesia "Mar Portuguez", Versos 11 e 12
  • "Fiel à palavra dada e à ideia tida. / Tudo o mais é com Deus!"
- Poema "D. Pedro", versos 11 e 12
  • "E o homem do leme disse, tremendo, / 'El-Rei D. João Segundo!'"
- Poema "O Mostrengo", versos 8 e 9
  • "Jaz aqui, na pequena praia extrema, / o Capitão do Fim."
- Poema "Bartolomeu Dias", v. 1 e 2
  • "O mar com fim será grego ou romano: / O mar sem fim é português."
- Fonte: Poesia "Padrão", Versos 11 e 12.
  • "O mito é o nada que é tudo."
- Poema "Ulisses", verso 1
  • "Ó mar salgado, quanto do teu sal / São lágrimas de Portugal"
- Fonte: Poesia "Mar Portuguez", Versos 1 e 2.
  • "Ó Portugal, hoje és nevoeiro..."
- Poema "Nevoeiro", verso 13
  • "Os Deuses vendem quando dão. / Compra-se a glória com desgraça. / Ai dos felizes, porque são / Só o que passa!"
- Poema "O das quinas", primeira estrofe.
  • "Quem quer passar além do Bojador / Tem que passar além da dor."
- Fonte: Poesia "Mar Portuguez", Versos 9 e 10.
  • "São ilhas afortunadas, / São terras sem ter lugar"
- Poema "As Ilhas Afortunadas", versos 11 e 12
  • "Sem a loucura que é o homem / Mais que a besta sadia, / Cadáver adiado que procria?"
- Fonte: Poesia "D. Sebastião, Rei de Portugal", Versos 8, 9 e 10.
  • "Todo começo é involuntário."
- Poema "O Conde D. Henrique", verso 1
  • "Tudo vale a pena / Se a alma não é pequena."
- Fonte: Poesia "Mar Portuguez", Versos 7 e 8.


Livro do Desassossego[editar]

Introdução: Do heterónimo: Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros em Lisboa, na Vasques & Cia., na Rua dos Retroseiros -- fazendas a metro. Foi criado por umas tias velhas na província. Mora num andarzinho na Rua dos Douradores, de onde nunca saiu a não ser para o escritório, onde o patrão Vasques representa, para ele, a própria Vida, pela sua irracionalidade, vitalidade e falta de piedade. Não tem vida própria, toda ela é voltada para o interior: "Duas coisas só me deu o Destino: uns livros de contabilidade e o dom de sonhar." Tímido, misantropo e misógino, critica tudo com acidez destrutiva, começando por si próprio e acabando na Igreja e no Estado, com opiniões que vão desde as de um adolescente revoltado às de um adulto mais maduro que o habitual.

  • "A Decadência é a perda total da inconsciência; porque a inconsciência é o fundamento da vida." - Livro do Desassossego, por Bernardo Soares; Autobiografia sem Factos - Página 40; Fernando Pessoa. Organizacão Richard Zenith - Cia das Letras, São Paulo, 2010.
  • "A única atitude intelectual digna de uma criatura superior é a de uma calma e fria compaixão por tudo quanto não é ele próprio. Não que essa atitude tenha o mínimo cunho de justa e verdadeira; mas é tão invejável que é preciso tê-la." Livro do desassossego, por Bernardo Soares. Fernando Pessoa. Organização de Richard Zenith - Assírio & Alvim, 2008, Página 414.
  • "Tudo o que dorme é criança de novo. Talvez porque no sono não se possa fazer mal, e se não dá conta da vida, o maior criminoso, o mais fechado egoísta é sagrado, por uma magia natural, enquanto dorme. Entre matar quem dorme e matar uma criança não conheço diferença que se sinta."
- Fernando Pessoa, Livro do desassossego‎ - v.1, Página 52, Publicado por Ática, 1982
  • "A renúncia é a libertação. Não querer é poder."
- Livro do desassossego, por Bernardo Soares: Parte 1 - página 251, Fernando Pessoa, António Quadros - Publicações Europa-América, 1986
"Tudo o que dorme é criança de novo. Talvez porque no sono não se possa fazer mal, e se não dá conta da vida, o maior criminoso, o mais fechado egoísta é sagrado, por uma magia natural, enquanto dorme. Entre matar quem dorme e matar uma criança não conheço diferença que se sinta."

Autobiografia sem Factos[editar]

  • A arte consiste em fazer os outros sentir o que nós sentimos.
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 231
  • A arte mente porque é social
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 232
  • A beleza de um corpo nu só a sentem as raças vestidas.
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 75)
  • A civilização consiste em dar a qualquer coisa um nome que lhe não compete, e depois sonhar sobre o resultado. E realmente o nome falso e o sonho verdadeiro criam uma nova realidade. O objecto torna-se realmente outro, porque o tornámos outro. Manufacturamos realidades.
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 89)
  • A consciência da insonsciência da vida é o mais antigo imposto à inteligência.
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 91)
  • A experiência directa é o subterfúgio, ou o esconderijo, daqueles que são desprovidos de imaginação.

- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 163

  • A força sem a destreza é uma simples massa.
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p 229)
  • A fraternidade tem subtilezas.
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 53)
  • A idéia de uma obrigação social qualquer [...] só essa ideia me estorva os pensamentos de um dia, e às vezes é desde a mesma véspera que me preocupo, e durmo mal, e o caso real, quando se dá, é absolutamente insignificante, não justifica nada; e o caso repete-se e eu não aprendo a aprender.
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 73)
  • A ironia é o primeiro indício de que a consciência se tornou consciente.
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 151
  • A ladeira leva ao moinho, mas o esforço não leva a nada.
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 171
  • A natureza é a diferença entre a alma e Deus.
- Autobiografia sem Factos. Assírio & Alvim. 2006. p. 150.
  • A liberdade é a possibilidade do isolamento.
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 246
  • A minha alegria é tão dolorosa como a minha dor.
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 100)
  • A minha curiosidade irmã das cotovias
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 219
  • A minha vida é como se me batessem com ela.
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 101)
  • A propriedade não é roubo: não é nada.
- "Os Grandes Trechos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p.
  • A solidão desola-me; a companhia oprime-me.
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 73)
  • A sua cara lívida está de um verde falso e desnorteado. Noto-o, entre o ar difícil do peito, com a fraternidade de saber que também estarei assim.
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 124)
  • A vida é um novelo que alguém emaranhou.
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 287
  • A superioridade do sonhador consiste em que sonhar é muito mais prático que viver, e em que o sonhador extrai da vida um prazer muito mais vasto e muito mais variado do que o homem de acção. Em melhores e mais directas palavras, o sonhador é que é o homem de acção.
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 110)
  • Ah, não há saudades mais dolorosas do que as das coisas que nunca foram!
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 111)
  • Achego-me à minha secretária como a um baluarte contra a vida.
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 45)
  • Adoramos a perfeição, porque não a podemos ter; repugná-la-íamos, se a tivéssemos. O perfeito é o desumano, porque o humano é imperfeito.
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 249
  • Agir é repousar.
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 122)
  • Aquilo que, creio, produz em mim o sentimento profundo, em que vivo, de inconguência com os outros, é que a maioria pensa com a sensibilidade, e eu sinto com o pensamento.
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 93)
  • Assim como lavamos o corpo devíamos lavar o destino, mudar de vida como mudamos de roupa.
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 68)
  • Benditos os que não confiam a vida a ninguém.
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 86)
  • Busco-me e não me encontro. Pertenço a horas crisântemos, nítidas em alongamentos de jarros. Deus fez da minha alma uma coisa decorativa.
- Autobiografia sem Factos. Assírio & Alvim. 2006. p. 140.
  • Cada um tem a sua vaidade, e a vaidade de cada um é o seu esquecimento de que há outros com alma igual.
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 88)
  • Coisa arrojada a um canto, trapo caído na estrada, meu ser ignóbil ante a vida finge-se.
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 64)
  • Como nunca podemos conhecer todos os elementos de uma questão, nunca a podemos resolver.
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 282
  • Considero a vida uma estalagem onde tenho que me demorar até que chegue a diligência do abismo. Não sei onde ela me levará, porque não sei nada.
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 40)
  • Contentar-se com o que lhe dão é próprio dos escravos. Pedir masi é próprio das crianças. Conquistar mais é próprio dos loucos [porque toda a conquista é [X]]
- Autobiografia sem Factos. Assírio & Alvim. 2006. p. 133.
- Nota: [X]: texto em falta no manuscrito.
  • Creio que dizer uma coisa é conservar-lhe a virtude e tirar-lhe o terror.
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 55)
  • Dentro da capoeira de onde irá a matar, o galo canta hinos à liberdade porque lhe deram dois poleiros.
- Autobiografia sem Factos. Assírio & Alvim. 2006. p. 144.
  • Digo-o porque não acredito.
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 286
  • Dispenso-a de comparecer na minha idéia de si.
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 290
  • Doem-me a cabeça e o universo.
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 280
  • Dormia tudo como se o universo fosse um erro.
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 60)
  • Duas coisas só me deu o Destino: uns livros de contabilidade e o dom de sonhar.
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 171
  • Durmo e desdurmo. / Do outro lado de mim, lá para trás de onde jazo, o silêncio da casa toca no infinito. Oiço cair o tempo, gota a gota, e nenhuma gota que cai se ouve cair.
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 59)
  • E a suprema glória disto tudo, meu amor, é pensar que talvez isto não seja verdade, nem eu o creia verdadeiro. // E quando a mentira comece a dar-nos prazer, falemos a verdade para lhe mentirmos.
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 280
  • E assim como sonho, raciocino se quiser, porque isso é apenas uma outra espécie de sonho.
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 320
  • E então vem-me o desejo transbordante, absurdo, de uma espécie de satanismo que precedeu Satã, de que um dia [...] se encontre uma fuga para fora de Deus e o mais profundo de nós deixe, não sei como, de fazer parte do ser ou do não ser.
- "Os Grandes Trechos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 70
  • É certo que, ao ouvir contar a qualquer destes indivíduos as suas maratonas sexuais, uma vaga suspeita nos invade, pela altura do sétimo desfloramento.
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 243
  • E seja o nosso desprezo para os que trabalham e lutam e o nosso ódio para os que esperam e confiam.
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 248
  • É nobre ser tímido, ilustre não saber agir, grande não ter jeito para viver.
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 86)
  • Em qualquer espírito, que não seja disforme, existe a crença em Deus. Em qualquer espírito, que não seja disforme, não existe crença em um Deus definido.
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 375
  • Entre mim e a vida há um vidro ténue. por mais nitidamente que eu veja e compreenda a vida, eu não lhe posso tocar.
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 100)
"E o fulgor das estrelas existe como se tivesse peso."
  • Eram dois e belos e desejavam ser outra coisa; o amor tardava-lhes no tédio do futuro, e a saudade do que haveria de ser vinha já sendo filha do amor que não tinham tido.
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 288
  • "Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana. Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso."
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 128)
  • Estagnar ao sol, douradamente, como um lago obscuro rodeado de flores.
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 70)
  • Eu não escrevo em português. Escrevo eu mesmo.
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 353
  • Eu, porém, não tenho nobreza estilística. Dói-me a cabeça porque me dói a cabeça. Dói-me o universo porque me dói a cabeça.
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 280
  • Foi num mar interior que o rio da minha vida findou.
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 271
  • Foi só um momento, e vi-me. Depois já não sei sequer dizer o que fui.
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 66)
  • Gostava de estar no campo para poder gostar de estar na cidade.
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 367
  • Há os que Deus mesmo explora, e são profetas e santos na vacuidade do mundo.
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 45)
  • Há muito tempo que não sou eu.
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 143
  • Há sensações que são somos, que ocupam como uma névoa toda a extensão do espírito, que não deixam pensar, que não deixam agir, que não deixam claramente ser.
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 98)
  • Há um cansaço da inteligência abstracta, e é o mais horroroso dos cansaços. Não pesa como o cansaço do corpo, nem inquieta como o cansaço do conhecimento e da emoção. É um peso da consciência do mundo, um não poder respirar da alma.
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 69)
  • Hei-de por força dizer o que me parece, visto que sou eu.
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 162
  • Irrita-me a felicidade de todos estes homens que não sabem que são infelizes.[...] Por isto, contudo, amo-os a todos. Meus queridos vegetais!
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 266
  • Isso não é o meu amor; é apenas a sua vida.
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 290
  • Levo comigo a consciência da derrota como um pendão de vitória.
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 79)
  • Não o prazer, não a glória, não o poder: a liberdade, unicamente a liberdade.
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 62)
  • O comboio abranda, é o Cais do Sodré. Cheguei a Lisboa, mas não a uma conclusão.
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 50)
  • "O coração, se pudesse pensar, pararia." - Livro do Desassossego, por Bernardo Soares; Autobiografia sem Factos - Página 40; Fernando Pessoa. Organizacão Richard Zenith - Cia das Letras, São Paulo, 2010.
  • O olfacto é uma vista estranha. Evoca paisagens sentimentais por um desenhar súbito do subconsciente.
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 238
  • O relógio da casa, lugar certo lá ao fundo das coisas, soa a meia hora seca e nula. Tudo é tanto, tudo é tão fundo, tudo é tão negro e frio!
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 60)
  • O ter tocado os pés de Cristo não é desculpa para defeitos de pontuação.
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p 229)
  • Os meus sonhos são um refúgio estúpido, como um guarda-chuva contra um raio.
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 101)
  • Para compreender, destruí-me.
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 73)
  • Passar dos fantasmas da fé para os espectros da razão é somente ser mudado de cela.
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 62)
  • Passo tempos, passo silêncios, mudos sem forma passam por mim.
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 60)
  • Porque eu sou do tamanho do que vejo / e não do tamanho da minha altura.
- Atribuído ao heterónimo Caeiro en "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 71)
  • Que seria do mundo se fôssemos humanos?
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 259)
  • Quem não vê bem uma palavra, não pode ver bem uma alma.
- "A Língua Portuguesa". (Assírio e Alvim, Lisboa, 1997, p. 9)"
  • Manda quem não sente. Vence quem pensa só o que precisa para vencer.
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 260
  • Meu Deus, meu Deus, a quem assisto? Quantos sou? Quem é eu? O que é este intervalo que há entre mim e mim?
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 201
  • Minha Pátria é a língua portuguesa.
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 230
  • Na vida de hoje, o mundo só pertence aos estúpidos, aos insensíveis e aos agitados. O direito a viver e a triunfar conquista-se hoje quase pelos mesmos processos por que se conquista o internamento num manicómio: a incapacidade de pensar, a amoralidade e a hiperexcitação.
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 173
  • Não acredito na paisagem.
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 286
  • Não há critério seguro para distinguir o homem dos animais.
- Autobiografia sem Factos. Assírio & Alvim. 2006. p. 150.
  • Não há felicidade senão com conhecimento. Mas o conhecimento da felicidade é infeliz; porque conhecer-se feliz é conhecer-se passando pela felicidade, e tendo, logo já, que deixá-la atrás. Saber é matar, na felicidade como em tudo. Não saber, porém, é não existir.
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 328
  • Narrar é criar, pois viver é apenas ser vivido.
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 163
  • Navegar é preciso, viver não é preciso.
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, pps. 133, 262
- Nota: Frequentemente atribuído a Pessoa, mas, na realidade, com origem em Plutarco ("Vidas"), na boca de Pompeu, exigindo que os soldados, com medo de morrer no mar, embarcassem.
  • Nunca amamos niguém. Amamos, tão-somente, a ideia que fazemos de alguém. É a um conceito nosso -- em suma, é a nós mesmos -- que amamos.
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 125)
  • Nunca fui mais que um boémio isolado, o que é um absurdo; ou um boémio místico, o que é uma coisa impossível.
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 271
- Nota: possível jogo em torno de Tertuliano: "credo quia absurdum" (acredito porque é absurdo), "credo quia impossibilis est" (acredito porque é impossível).
  • Nunca me pesou o que de trágico se passasse na China. É decoração longínqua, ainda que a sangue e peste.
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 164
  • Nunca pretendi ser senão um sonhador.
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 110)
  • Nunca vou para onde há risco. tenho medo a tédio dos perigos.
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 96)
  • "O coração, se pudesse pensar, pararia." - Livro do Desassossego, por Bernardo Soares; Autobiografia sem Factos - Página 40; Fernando Pessoa. Organizacão Richard Zenith - Cia das Letras, São Paulo, 2010.
  • O entusiasmo é uma grosseria.
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 200
"Foi num mar interior que o rio da minha vida findou."
  • O fim é baixo, comotodos os fins quantitativos, pessoais ou não, e é atingível e verificável.
- Autobiografia sem Factos. Assírio & Alvim. 2006. p. 149.
  • O homem não deve poder ver a sua própria cara. Isso é o que há de mais terrível. A Natureza deu-lhe o dom de não a poder ver, assim como a de não poder fitar os seus próprios olhos.
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 371
  • O homem perfeito do pagão era a perfeição do homem que há; o homem perfeito do cristão a perfeição do homem que não há; o homem perfeito do budista a perfeição de não haver homem.
- Autobiografia sem Factos. Assírio & Alvim. 2006. p. 150.
  • O homem vulgar, por mais dura que lhe seja a vida, tem ao menos a felicidade de a não pensar.
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 181
  • O que há de mais reles nos sonhos é que todos os têm.
- Autobiografia sem Factos. Assírio & Alvim. 2006. p. 145.
  • O humanitarismo é uma grosseria.
- "Os Grandes Trechos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p.
  • O império supremo é o do Imperador que abdica de toda a vida normal, dos outros homens, em quem o cuidado da supremacia não pesa como um fardo de jóias.
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 121)
  • O que é doença é desejar com igual intensidade o que é preciso e o que é desejável, e sofrer por não ser perfeito como se se sofresse por não ter pão. O mal romântico é este: é querer a lua como se houvesse maneira de a obter.
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 77)
  • O mundo é de quem não sente. A condição essencial para se ser um homem prático é a ausência de sensibilidade.
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 258
  • O tédio é a falta de uma mitologia. A quem não tem crenças, até a dúvida é impossível, até o cepticismo não tem força para desconfiar.
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p.
  • Pensar é destruir. O próprio processo do pensamento o indica para o mesmo pensamento, porque pensar é decompor.
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 181
  • Penso as vezes, com um deleite triste, que se um dia, num futuro a que eu já não pertença, estas frases, que escrevo, durarem com louvor, eu terei enfim a gente que me "compreenda", os meus, a família verdadeiro para nela nascer e ser amado. [...] Serei compreendido só em efígie, quando a afeição já não compense a quem morreu a só desafeição que houve, quando vivo.
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 182
  • Perder tempo comporta uma estética
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 267
  • "Pertenço àquela espécie de homens que estão sempre na margem daquilo a que pertencem, nem vêem só a multidão de que são, senão também os grandes espaços que há ao lado." - Livro do Desassossego, por Bernardo Soares; Autobiografia sem Factos - Página 40; Fernando Pessoa. Organizacão Richard Zenith - Cia das Letras, São Paulo, 2010.
  • Por enquanto, visto que vivemos em sociedade, o único dver dos superiores é reduzirem ao mínimo a sua participação na vida da tribo. Não ler jornais, ou lê-los só para saber o que de pouco importante ou curioso se passa. / [...] O supremo estado honroso para um homem superior é não saber quem é o chefe de Estado do seu país, ou se vive sob monarquia ou sob república. / Toda a sua atitude deve ser colocar-se a alma de modo que a passagem das coisas, dos acontecimentos não o incomode. Se o não fizer terá que se interessar pelos outros, para cuidar de si próprio.
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 267
  • Porque é bela a arte? Porque é inútil. Porque é feia a vida? Porque é toda fins e propósitos e intenções.
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 279
  • Porque dar valor ao próprio sofrimento põe-lhe o ouro de um sol do orgulho. Sofrer muito pode dar a ilusão de ser o Eleito da Dor.
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 253
  • "Qualquer estrada", disse Carlyle, "até esta estrada de Entepfuhl, te leva até ao fim do mundo". Mas a estrada de Entepfuhl, se for seguida toda, e até ao fim, volta a Entepfuhl; de modo que o Entepfuhl, onde já estávamo, é aquele mesmo fim do mundo que íamos buscar.
- Autobiografia sem Factos. Assírio & Alvim. 2006. p. 142.
  • Quando escrevo, visito-me solenemente.
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 287
  • Que é a arte senão a negação da vida?
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 174
  • Quem sou eu para mim? Só uma sensação minha.
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 156
  • Releio? Menti! Não ouso reler. Não posso reler. De que me serve reler?
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 88)
  • Respira-se melhor quando se é rico.
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 95)
  • "Sabemos bem que toda a obra tem que ser imperfeita, e que a menos segura das nossas contemplações estéticas será a daquilo que escrevemos." - Livro do Desassossego, por Bernardo Soares; Autobiografia sem Factos - Página 41; Fernando Pessoa. Organizacão Richard Zenith - Cia das Letras, São Paulo, 2010.
  • Saber iludir-se bem é a primeira qualidade do estadista.
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 241
  • Saber não ter ilusões é absolutamente necessário para se poder ter sonhos.
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 276
  • Se conhecêssemos a verdade, vê-la-íamos; tudo o mais é sistema e arrabaldes.
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 106)
  • Se te é impossível viver só, nasceste escravo.
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 246
  • Se eu tivesse escrito o Rei Lear, levaria com remorsos toda a minha vida de depois. Porque essa obra é tão grande, que enormes avultam os seus defeitos, os seus monstruosos defeitos, as coisas até mínimas que estão entre certas cenas e a perfeição possível delas. Não é o sol com manchas; é uma estátua grega partida.
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 250
  • Se um homem escreve bem só quando está bêbado dir-lhe-ei: embebede-se E se ele me disser que o seu fígado sofre com isso, respondo: o que é o seu fígado? É uma coisa morta que vive enquanto você vive, e os poemas que escrever vivem sem enquanto.
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 229
  • "Sento-me à porta e embebo meus olhos e ouvidos nas cores e nos sons da paisagem, e canto lento, para mim só, vagos cantos que componho enquanto espero." - Livro do Desassossego, por Bernardo Soares; Autobiografia sem Factos - Página 42; Fernando Pessoa. Organizacão Richard Zenith - Cia das Letras, São Paulo, 2010.
  • Ser compreendido é prostituir-se.
- Autobiografia sem Factos. Assírio & Alvim. 2006. p. 136.
  • Ser major reformado parece-me uma coisa ideal. É pena não se poder ter sido eternamente apenas major reformado.
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 218
  • Serei o que quiser. Mas tenho que querer o que for. O êxito está em ter êxito, e não em ter condições de êxito.
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 122)
  • Sim, falar com gente dá-me vontade de dormir.
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 73)
  • Só a esterilidade é nobre e digna. Só o matar o que nunca foi é alto e perverso e absurdo.
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 289
  • Somos dois abismos -- um poço fitando o céu.
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 48)
  • Sou um homem para quem o mundo exterior é uma realidade interior.
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 376
  • Sou todas essa coisas, embora o não queira, no fundo confuso da minha sensibilidade fatal.
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 58)
  • Tenho neste momento tantos pensamentos fundamentais, tantas coisas verdadeiramente metafísicas para dizer, que me canso de repente, e decido não escrever mais, não pensar mais, mas deixar que a febre de dizer me dê sono, e eu faça festas, como a um gato, a tudo quanto poderia ter dito.
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 56)
  • Ter opiniões definidas e certas, instintos, paixões e carácter fixo e conhecido -- tudo isto monta ao horror de tornar a nossa alma num facto, de a materializar e tornar exterior.
- "Os Grandes Trechos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 413
"Há um cansaço da inteligência abstracta, e é o mais horroroso dos cansaços. Não pesa como o cansaço do corpo, nem inquieta como o cansaço do conhecimento e da emoção. É um peso da consciência do mundo, um não poder respirar da alma."
  • Todo o gesto é um acto revolucionário.
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 274
  • Todo o prazer é um vício, porque buscar o prazer é o que todos fazem na vida, e o único vício negro é fazer o que toda a gente faz.
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 265
  • Todos os problemas são insolúveis. A essência de haver um problema é não haver solução. Procurar um facto significa não haver um facto. Pensar é não saber existir.
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 123)
  • Tornamo-nos esfinges, ainda que falsas, até chegarmos ao ponto de não sabermos quem somos.
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 52)
  • Trazem-me a fé como um embrulho fechado numa salva alheia. Querem que o aceite para que não o abra.
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 106)
  • Tudo é absurdo.
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 255
  • Uma espécie de anteneurose do que serei quando já não for gela-me o corpo e alma. Uma como que lembrança da minha morte futura arrepia-me dentro.
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 91)
  • Um tédio que inclui a antecipação só de mais tédio; a pena, já, de amanhã ter pena de ter tido pena hoje.
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 50)
  • Viajar? Para viajar basta existir. [...] Para quê viajar? Em Madrid, em Berlim, na Pérsia, na China, nos Pólos ambos, onde estaria eu senão em mim mesmo, e no tipo e género das minhas sensações? // A vida é o que fazemos dela. As viagens são os viajantes. O que vemos não é o que vemos, senão o que somos.
- "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 360
  • Vivo sempre no presente. O futuro, não o conheço. O passado, já o não tenho.
- "Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 118)
  • "A beleza de um corpo nu só a sentem as raças vestidas. O pudor vale sobretudo para a sensibilidade como o obstáculo para a energia." Bernardo Soares (no Livro do Desassossego)
  • "A liberdade é a possibilidade do isolamento.(..) Se te é impossível viver só, nasceste escravo."(...) (no Livro do Desassossego)
  • "(...)A maioria pensa com a sensibilidade, eu sinto com o pensamento. Para o homem vulgar, sentir é viver e pensar é saber viver. Para mim, pensar é viver e sentir não é mais que o alimento de pensar(...)". (no Livro do Desassossego)
  • "A renúncia é a libertação. Não querer é poder."
- Bernardo Soares no Livro do Desassossego
  • "Agir, eis a inteligência verdadeira. Serei o que quiser. Mas tenho que querer o que for. O êxito está em ter êxito, e não em ter condições de êxito. Condições de palácio tem qualquer terra larga, mas onde estará o palácio se não o fizerem ali?" Bernardo Soares no Livro do Desassossego
  • "Alguns têm na vida um grande sonho e faltam a esse sonho. Outros não têm na vida nenhum sonho, e faltam a esse também." Bernardo Soares (no Livro do Desassossego)
  • "De sonhar ninguém se cansa, porque sonhar é esquecer, e esquecer não pesa e é um sono sem sonhos em que estamos despertos." Bernardo Soares (no Livro do Desassossego)
  • "Deus é o existirmos e isto não ser tudo." Bernardo Soares (no Livro do Desassossego)
  • "Dormia tudo como se o universo fosse um erro. (no Livro do Desassossego)
  • "Haja ou não deuses, deles somos servos." Bernardo Soares (no Livro do Desassossego)
  • "Matar o sonho é matarmo-nos. É mutilar a nossa alma. O sonho é o que temos de realmente nosso, de impenetravelmente e inexpugnavelmente nosso. (no Livro do Desassossego)
  • "Nenhuma ideia brilhante consegue entrar em circulação se não agregando a si qualquer elemento de estupidez. O pensamento colectivo é estúpido porque é colectivo: nada passa as barreiras do colectivo sem deixar nelas, como real de água, a maior parte da inteligência que traga consigo". Bernardo Soares no Livro do Desassossego
  • "Nós nunca nos realizamos. Somos dois abismos - um poço fitando o céu." Bernardo Soares, (no Livro do Desassossego)
  • "O êxito está em ter êxito e não em ter condições de êxito. Condições de palácio tem qualquer terra larga, mas onde estará o palácio senão o fizerem ali?" :- Fonte: Livro do desassossego. Cia. das Letras, São Paulo, 1999 p. 133
  • "O meu passado é tudo quanto não consegui ser. Nem as sensações de momentos idos me são saudosas: o que se sente exige o momento; passado este, há um virar de página e a história continua, mas não o texto". (Bernardo Soares)
- Livro do desassossego, por Bernardo Soares, Parte 1‎ - Página 90, Fernando Pessoa - Publicações Europa-América, 1986
  • "O mundo é de quem não sente. A condição essencial para se ser um homem prático é a ausência de sensibilidade. (Bernardo Soares)
- Livro do desassossego, por Bernardo Soares, Parte 1‎ - Página 141, Fernando Pessoa - Publicações Europa-América, 1986
  • "O perfeito não se manifesta. O santo chora, e é humano. Deus está calado. Por isso podemos amar o santo mas não podemos amar a Deus." (Bernardo Soares, no Livro do Desassossego
  • "Os meus sonhos são um refúgio estúpido, como um guarda chuva contra um raio. Sou tão inerte, tão pobrezinho, tão falho de gestos e atos. (...) Por mais que por mim me embrenhe, todos os atalhos do meu sonho vão dar a clareiras de angústia (Bernardo Soares, no Livro do Desassossego)
  • "Penso as vezes, com um deleite triste, que se um dia, num futuro a que eu já não pertença, estas frases, que escrevo, durarem com louvor, eu terei enfim a gente que me "compreenda", os meus, a família verdadeira para nela nascer e ser amado. [...] Serei compreendido só em efígie, quando a afeição já não compense a quem morreu a só desafeição que houve, aquando vivo." (Bernardo Soares)
- Fernando Pessoa, Livro do Desassossego, Volume 1‎ - Página 213, Atica, 1982
  • "Quanto mais diferente de mim alguém é, mais real me parece, porque menos depende da minha subjectividade." Bernardo Soares (no Livro do Desassossego)
  • "Sim, porque a ortografia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da transliteração greco-romana veste-ma do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha."
- (Fernando Pessoa, Livro do desassossego [Companhia das Letras, 1999, 536 p.])
  • "Todo o homem de acção é essencialmente animado e optimista porque quem não sente é feliz.
- (no Livro do Desassossego)
  • "Todo o prazer é um vício, porque buscar o prazer é o que todos fazem na vida, e o único vício negro é fazer o que toda a gente faz. (no Livro do Desassossego)

Outros[editar]

  • "Amo como o amor ama.
Não sei razão pra amar-te mais que amar-te.
Que queres que te diga mais que te amo,
Se o que quero dizer-te é que te amo?"
Variação: "Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?"
-MARIA: Amo como o amor ama. “Primeiro Fausto” in Poemas Dramáticos, p.126. Lisboa: Ática, 1952. 1ª versão.

Sobre[editar]

  • "Cultura não é ler muito, nem saber muito; é conhecer muito" in: Citações e Pensamentos de Fernando Pessoa, organização de Paulo Neves da Silva, editado em 2009 pela Casa das Letras, ISBN 978-972-46-1881-4, p. 25
  • "Era um homem que sabia idiomas e fazia versos. Ganhou o pão e o vinho pondo palavras no lugar de palavras, fez versos como os versos se fazem, isto é, arrumando palavras de uma certa maneira. Começou por se chamar Fernando, pessoa como toda a gente. Um dia lembrou-se de anunciar o aparecimento iminente de um super-Camões, um Camões muito maior do que o antigo, mas, sendo uma criatura conhecidamente discreta, que soia andar pelos Douradores de gabardina clara, gravata de lacinho e chapéu sem plumas, não disse que o super-Camões era ele próprio. Ainda bem. Afinal, um super-Camões não vai além de ser um Camões maior, e ele estava de reserva para ser Fernando Pessoa, fenómeno nunca antes visto em Portugal."
- José Saramago. Cadernos de Lanzarote. São Paulo: Companhia das Letras, 1997. pp. 642-644
  • "Nunca, ao despedir-me, me atrevi a voltar-me para trás; tinha medo de vê-lo desvanecer-se, dissolvido no ar."
- Pierre Hourcade
  • "Não conheço vida de escritor que tenha sido tão falhada; e também nenhuma conheço que tenha sido tão transfigurada pela arte."
- Robert Bréchon, in Estranho Estrangeiro
  • "Ora você sempre está um lepidóptero!..."
- Mário de Sá-Carneiro em carta a Fernando Pessoa, Camarate, Quinta da Vitória, 8 de Outubro de 1914.

Falsas Atribuições[editar]

  • "A concha (Autor: Vitório Nemésio)
  • "Cada minuto que passa, é um milagre que não se repete!" (Autor Desconhecido, não é de Fernando Pessoa)
  • "Deus costuma usar a solidão para nos ensinar sobre a convivência. Às vezes, usa a raiva, para que possamos compreender o infinito valor da paz. (...) (Autor: Paulo Coelho)
  • ENCERRANDO CICLOS(excerto): "Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és..." OBS: O texto não é de Fernando Pessoa nem de Paulo Coelho é da psicóloga columbiana Gloria Hurtado.
  • "Existe no silêncio tão profunda sabedoria que às vezes ele se transforma na mais perfeita resposta. (adaptado) O silêncio é a verdadeira sabedoria e a melhor resposta. (CORRETO) [Eurípedes, poeta trágico grego]
  • " É fácil trocar as palavras, difícil é interpretar os silêncios! (...) [até] Difícil é conter sua torrente! (...) [carece de fontes, Fernando Pessoa]
  • "É preciso ser um realista para descobrir a realidade é preciso ser um romântico para criá-la." [carece de fontes]
  • "Enquanto não atravessarmos na dor de nossa própria solidão, continuaremos a nos buscar em outras metades. Para viver a dois, antes, é necessário ser um." [carece de fontes]
  • "Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo e esquecer os caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia; e se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos." (Autor: Fernando Teixeira de Andrade - 1946-2008 - foi um professor de Literatura)
  • "NAVEGUE, de autoria de Silvana Duboc, segue alguns trechos: (...)Não se acostume com o que não o faz feliz,/revolte-se quando julgar necessário (...)Alague seu coração de esperanças/mas, não deixe que ele se afogue nelas Se achar que precisa voltar, volte/Se perceber que precisa seguir, siga Se estiver tudo errado, comece novamente/Se estiver tudo certo, continue Se sentir saudades, mate-as/Se perder um amor, não se perca/Se o achar, segure-o. Provavelmente um repassador anônimo, acrescentou ao texto um fragmento de Ricardo Reis (...) "Circunda-te de rosas, ama , bebe E cala. O mais é nada." gerando a confusão.
  • "Não importa que seja eterna ou provisória/mais que seja linda e louca a nossa história (...) - (letra da música: Foi na Praia Banda de Axé Rapazolla/ na voz do (cantor) Tomate. Nota: Não é de Fernando Pessoa, nem de Arnaldo Jabor."
  • "Não tenho a pretensão de que todas as pessoas que gosto, gostem de mim, nem que eu faça a falta que elas me fazem. O importante pra mim é saber que eu, em algum momento, fui insubstituível, e que esse momento será inesquecível. (...) Autora: Adriana Britto
  • "O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis."Não consta em: OBRAS COMPLETAS de Fernando Pessoa.
- ''citado em "Qual o tempo do cuidado?" - Página 49, de MARIA JULIA PAES DE SILVA, Edicoes Loyola, 2004, ISBN 8515029987, 9788515029983
  • O vulgo "Poema do amigo aprendiz" contem excertos do poema musicado Saudação do amigo por Padre Zezinho (nada tem de Fernando Pessoa) (...)Quero ser o teu amigo/Nem de mais e nem de menos/Nem tão longe, nem tão perto/Na medida mais precisa que eu puder/Mas amar-te sem medida e ficar na tua vida/Da maneira mais amiga/Da maneira mais discreta, sem jamais te sufocar/Sem forçar tua vontade, sem jamais te aprisionar/E saber quando falar e saber quando calar/Nem ausente, nem presente por demais/Fraternalmente ser amigo e dar-te a paz.
  • "Os ventos, que as vezes tiram algo que amamos (...) Não é de Fernando Pessoa, nem tampouco de Bob Marley, vide: FROZEN VALLEY (composição: Rafael Wissmann Monteiro - banda "Silent Heart")
  • "Paro às vezes à beira de mim próprio e pergunto-me se sou um doido ou um mistério muito misterioso." [1912] segundo o site: Casa Fernando Pessoa, vide: [Sou a sombra de mim mesmo]
  • "Ser Feliz e/ou Palco da Vida (Livro: Dez Lições para ser feliz - Ferramentas para se apaixonar pela vida, de Augusto Cury Prefácio (...) É agradecer a Deus pelo espetáculo da vida... Quais dessas características você possui? Quem conquista uma vida feliz? Será que são as pessoas mais ricas do mundo, os políticos mais poderosos e os intelectuais mais brilhantes? Não! São os que alcançam qualidade de vida no palco de sua alma. Os que se libertam do cárcere do medo. (...)o término apresenta a seguinte frase, que também não é de Fernando Pessoa: "Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."(Autor: Nemo Nox)
  • “Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão” [carece de fontes]

Veja também[editar]

Ligações externas[editar]