Luís Vaz de Camões

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Luís Vaz de Camões
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Luís Vaz de Camões (cerca de 1524 - 10 de junho de 1580) foi um importante poeta Português do século XVI que criou, entre outras obras, a epopeia "Os Lusíadas".


  • Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
    Muda-se o ser, muda-se a confiança;
    Todo o mundo é composto de mudança,
    Tomando sempre novas qualidades.
- Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
  • Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;
É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
Luís de Camões
  • "Os bons vi sempre passar
    No mundo graves tormentos;
    E para mais me espantar
    Os maus vi sempre nadar
    Em mar de contentamentos."
- poesia "Esparsa ao desconcerto do mundo"
  • É fraqueza entre ovelhas ser leão.
- Fonte: Os Lusíadas, canto I
  • Tamanho o ódio foi, e a má vontade,
Que aos estrangeiros súbito tomou,
Sabendo ser sequazes da verdade,
Que o Filho de David nos ensinou.
ó segredos daquela Eternidade,
A quem juízo algum nunca alcançou!
Que nunca falte um pérfido inimigo
Aqueles de quem foste tanto amigo!
- Fonte: Os Lusíadas, canto I
  • Ó grandes e gravíssimos perigos!
Ó caminho de vida nunca certo:
Que aonde a gente põe sua esperança,
Tenha a vida tão pouca segurança!
No mar tanta tormenta, e tanto dano,
Tantas vezes a morte apercebida!
Na terra tanta guerra, tanto engano,
Tanta necessidade aborrecida!
Onde pode acolher-se um fraco humano,
Onde terá segura a curta vida,
Que não se arme, e se indigne o Céu sereno
Contra um bicho da terra tão pequeno?
- Fonte: Os Lusíadas, canto I
  • ...onde reina a malícia, está o receio,
Que a faz imaginar no peito alheio.
- Fonte: Os Lusíadas, canto II
  • Que depois de ser morta foi Rainha.
- Fonte: Os Lusíadas, canto III
(referindo-se a Inês de Castro)
  • Contra uma dama, ó peitos carniceiros,
    Feros vos amostrais, e cavaleiros?
- Fonte: Os Lusíadas, canto III
(Episódio: Morte de Inês de Castro)
  • Não acabava, quando uma figura
    Se nos mostra no ar, robusta e válida,
    De disforme e grandíssima estatura,
    O rosto carregado, a barba esquálida,
    Os olhos encovados, e a postura
    Medonha e má, e a cor terrena e pálida,
    Cheios de terra e crespos os cabelos,
    A boca negra, os dentes amarelos.

    Tão grande era de membros, que bem posso
    Certificar-te, que este era o segundo
    De Rodes estranhíssimo Colosso,
    Que um dos sete milagres foi do mundo:
    Com um tom de voz nos fala horrendo e grosso,
    Que pareceu sair do mar profundo:
    Arrepiam-se as carnes e o cabelo
    A mi e a todos, só de ouvi-lo e vê-lo.

- "Os Lusíadas, canto V"
(Episódio: Adamastor)
  • "Ó gente que a natura
    Vizinha fez de meu paterno ninho,
    Que destino tão grande ou que ventura
    Vos trouxe acometerdes tal caminho?
    :Não é sem causa, não, oculta e escura,
    Vir do longínquo Tejo e ignoto Minho,
    Por mares nunca doutro lenho arados,
    A Reinos tão remotos e apartados."
- "Os Lusíadas, canto VII"
  • Ulisses é, o que faz a santa casa
À Deusa que lhe dá língua facunda,
Que, se lá na Ásia Tróia insigne abrasa,
Cá na Europa Lisboa ingente funda.»
- "Os Lusíadas, canto VIII"
«Quem será estoutro cá, que o campo arrasa :
De mortos, com presença furibunda?
Grandes batalhas tem desbaratadas, :
Que as Águias nas bandeiras tem pintadas.»
Fonte: Os Lusíadas, canto VIII
  • Quem faz injúria vil e sem razão,
Com forças e poder em que está posto,
Não vence; que a vitória verdadeira
É saber ter justiça nua e inteira.
Fonte: Os Lusíadas, canto VIII
  • Nem me falta na vida honesto estudo,
Com longa experiência misturado,
Nem engenho, que aqui vereis presente,
Cousas que juntas se acham raramente.
Fonte: Os Lusíadas, canto X
  • Pera servir-vos, braço às armas feito,
Pera cantar-vos, mente às Musas dada.
Fonte: Os Lusíadas, canto X
  • desculpa-me o que vejo;
que se, enfim, resisto
contra tão atrevido e vão desejo,
faço-me forte em vossa vista pura,
e armo-me de vossa fermosura.
- canção "Fermosa e gentil dama"
  • Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo, desta vida, descontente
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.
Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te
Quão cedo de meus olhos te levou
- Soneto dedicado ao seu último amor; Dinamene
  • "Coisas impossíveis, é melhor esquecê-las que desejá-las."
- Carta Segunda, in: "Obras de Luiz de Camões: precedidas de um ensaio biographico, no qual se relatam alguns factos não conhecidos da sua vida" - Volume 5, página 224, Por Luís de Camões, João Antonio de Lemos Pereira de Lacerda Juromenha, Francesco Petrarca, Publicado por Imprensa nacional, 1866
  • Busque Amor novas artes, novo engenho,
Para matar-me, e novas esquivanças;
Que não pode tirar-me as esperanças,
Que mal me tirará o que eu não tenho.
Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes nem mudanças,
Andando em bravo mar, perdido o lenho.
Mas, conquanto não pode haver desgosto
Onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê.
Que dias há que n'alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde,
Vem não sei como, e dói não sei porquê.
"Transforma-se o amador na coisa amada
Por virtude de muito imaginar,
Não tenho, logo, mais que desejar,
Pois em mim tenho a parte desejada.
Se nela está minha alma transformada,
Que mais deseja o corpo de alcançar?
Em si somente pode descansar,
Pois com ele tal alma está liada.
Mas esta linda e pura semideia,
Que como o acidente em seu sujeito
Assim com a alma minha se conforma"
Está no pensamento como ideia;
E o vivo e puro amor de que sou feito
Como a matéria simples busca a forma.
  • "Tudo me defendei, senão só ver-vos, / E dentro na minha alma contemplar-vos, / Ao menos que não chegue a aborrecer-vos."
- Fonte: Citações da Cultura Universal - Página 18, Alberto J. G. Villamarín, Editora AGE Ltda, 2002, ISBN 8574970891, 9788574970899
  • "Não se pode ter paciência com quem quer que lhe façam o que não faz."
- Obras de Luiz de Camões: precedidas de um ensaio biographico, se relatam alguns factos não conhecidos da sua vida‎ - Página 229, Luís de Camões, João Antonio de Lemos Pereira de Lacerda Juromenha (Visconde de), Francesco Petrarca - Imprensa nacional, 1866
  • Enfim acabarei a vida e verão todos que fui tão afeiçoado à minha Pátria que não só me contentei de morrer nela, mas com ela.
  • "Morro com a Pátria"
- palavras no leito de morte, citado em "Obras de Luiz de Camões: precedidas de um ensaio biographico, no qual se relatam alguns factos não conhecidos da sua vida" - volume 1, capítulo XXVII, página 148, Por Luís de Camões, João Antonio de Lemos Pereira de Lacerda Juromenha, Francesco Petrarca, Publicado por Imprensa nacional, 1860