Luís Vaz de Camões

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Luís Vaz de Camões
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Luís Vaz de Camões (cerca de 152410 de junho de 1580) foi um importante poeta Português do século XVI que criou, entre outras obras, a epopeia "Os Lusíadas".


Os Lusíadas (1572)[editar]

  • Cantando espalharei por toda parte,
    Se a tanto me ajudar o engenho e arte.
- Fonte: Os Lusíadas, canto I
  • Cesse tudo o que a Musa antiga canta,
    Que outro valor mais alto se alevanta.
- Fonte: Os Lusíadas, canto I
  • É fraqueza entre ovelhas ser leão.
- Fonte: Os Lusíadas, canto I
  • Da tensão danada nasce o medo.
- Fonte: Os Lusíadas, canto I
  • Ó grandes e gravíssimos perigos!
Ó caminho de vida nunca certo:
Que aonde a gente põe sua esperança,
Tenha a vida tão pouca segurança!
No mar tanta tormenta, e tanto dano,
Tantas vezes a morte apercebida!
Na terra tanta guerra, tanto engano,
Tanta necessidade aborrecida!
Onde pode acolher-se um fraco humano,
Onde terá segura a curta vida,
Que não se arme, e se indigne o Céu sereno
Contra um bicho da terra tão pequeno?
- Fonte: Os Lusíadas, canto I
  • ...onde reina a malícia, está o receio,
Que a faz imaginar no peito alheio.
- Fonte: Os Lusíadas, canto II
  • Quem poderá do mal aparelhado
Livrar-se sem perigo sabiamente,
Se lá de cima a Guarda soberana
Não acudir à fraca força humana?
- Fonte: Os Lusíadas, canto II
  • Eis aqui, quase cume da cabeça
    De Europa toda, o Reino Lusitano,
    Onde a terra se acaba e o mar começa,
    E onde Febo repousa no Oceano.
- Fonte: Os Lusíadas, canto III
(Descrição de Portugal)
  • Que depois de ser morta foi Rainha.
- Fonte: Os Lusíadas, canto III
(referindo-se a Inês de Castro)
  • Contra uma dama, ó peitos carniceiros,
    Feros vos amostrais, e cavaleiros?
- Fonte: Os Lusíadas, canto III
(Episódio: Morte de Inês de Castro)
  • Assim como a bonina, que cortada
    Antes do tempo foi, cândida e bela,
    Sendo das mãos lascivas maltratada
    Da menina que a trouxe na capela,
    O cheiro traz perdido e a cor murchada:
    Tal está morta a pálida donzela,
    Secas do rosto as rosas, e perdida
    A branca e viva cor, co'a doce vida.
- Fonte: Os Lusíadas, canto III
(Episódio: Morte de Inês de Castro)
  • Que, nos perigos grandes, o temor
    É maior muitas vezes que o perigo.
- Fonte: Os Lusíadas, canto IV
  • Ó glória de mandar! Ó vã cobiça!
    Desta vaidade, a quem chamamos Fama!
- Fonte: Os Lusíadas, canto IV
(Episódio: Velho do Restelo)
  • Não acabava, quando uma figura
    Se nos mostra no ar, robusta e válida,
    De disforme e grandíssima estatura,
    O rosto carregado, a barba esquálida,
    Os olhos encovados, e a postura
    Medonha e má, e a cor terrena e pálida,
    Cheios de terra e crespos os cabelos,
    A boca negra, os dentes amarelos.

    Tão grande era de membros, que bem posso
    Certificar-te, que este era o segundo
    De Rodes estranhíssimo Colosso,
    Que um dos sete milagres foi do mundo:
    Com um tom de voz nos fala horrendo e grosso,
    Que pareceu sair do mar profundo:
    Arrepiam-se as carnes e o cabelo
    A mi e a todos, só de ouvi-lo e vê-lo.

- "Os Lusíadas, canto V"
(Episódio: Adamastor)
  • Quão doce é o louvor e a justa glória
Dos próprios feitos, quando são soados!
Qualquer nobre trabalha que em memória
Vença ou iguale os grandes já passados.
As invejas da ilustre e alheia história
Fazem mil vezes feitos sublimados.
Quem valerosas obras exercita,
Louvor alheio muito o esperta e incita.
- "Os Lusíadas, canto V"
  • Porque quem não sabe a arte, não na estima.
- "Os Lusíadas, canto V"
  • "Ó gente que a natura
    Vizinha fez de meu paterno ninho,
    Que destino tão grande ou que ventura
    Vos trouxe acometerdes tal caminho?
    :Não é sem causa, não, oculta e escura,
    Vir do longínquo Tejo e ignoto Minho,
    Por mares nunca doutro lenho arados,
    A Reinos tão remotos e apartados."
- "Os Lusíadas, canto VII"
  • N'uma mão sempre a espada, e n'outra a pena.
- "Os Lusíadas, canto VII"
  • Ulisses é, o que faz a santa casa
À Deusa que lhe dá língua facunda,
Que, se lá na Ásia Tróia insigne abrasa,
Cá na Europa Lisboa ingente funda.»
- "Os Lusíadas, canto VIII"
«Quem será estoutro cá, que o campo arrasa :
De mortos, com presença furibunda?
Grandes batalhas tem desbaratadas, :
Que as Águias nas bandeiras tem pintadas.»
Fonte: Os Lusíadas, canto VIII
  • Quem faz injúria vil e sem razão,
Com forças e poder em que está posto,
Não vence; que a vitória verdadeira
É saber ter justiça nua e inteira.
Fonte: Os Lusíadas, canto VIII
  • Porque essas honras vãs, esse ouro puro
    Verdadeiro valor não dão à gente:
    Melhor é, merecê-los sem os ter,
    Que possuí-los sem os merecer.
Fonte: Os Lusíadas, canto IX
  • Nô mais, Musa, nô mais, que a Lira tenho
    Destemperada e a voz enrouquecida,
    E não do canto, mas de ver que venho
    Cantar a gente surda e endurecida.
    O favor com que mais se acende o engenho
    Não no dá a pátria, não, que está metida
    No gosto da cobiça e na rudeza
    Dũa austera, apagada e vil tristeza.
Fonte: Os Lusíadas, canto X
  • Que o bom Religioso verdadeiro
    Glória vã não pretende nem dinheiro.
Fonte: Os Lusíadas, canto X
  • Fazei, Senhor, que nunca os admirados
    Alemães, Galos, Ítalos e Ingleses,
    Possam dizer que são pera mandados,
    Mais que pera mandar, os Portugueses.
    Tomai conselho só d'exprimentados
    Que viram largos anos, largos meses,
    Que, posto que em cientes muito cabe,
    Mais em particular o experto sabe.
Fonte: Os Lusíadas, canto X
  • Nem me falta na vida honesto estudo,
Com longa experiência misturado,
Nem engenho, que aqui vereis presente,
Cousas que juntas se acham raramente.
Fonte: Os Lusíadas, canto X
  • Pera servir-vos, braço às armas feito,
Pera cantar-vos, mente às Musas dada.
Fonte: Os Lusíadas, canto X

Lírica[editar]

  • Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
    Muda-se o ser, muda-se a confiança;
    Todo o mundo é composto de mudança,
    Tomando sempre novas qualidades.
- Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
  • Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.
Soneto Amor é fogo que arde sem se ver
  • "Os bons vi sempre passar
    No mundo graves tormentos;
    E para mais me espantar
    Os maus vi sempre nadar
    Em mar de contentamentos."
- poesia "Esparsa ao desconcerto do mundo"
  • Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo, desta vida, descontente
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.
Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te
Quão cedo de meus olhos te levou
- Soneto dedicado ao seu último amor; Dinamene
  • Ah! minha Dinamene! Assim deixaste
    Quem não deixara nunca de querer-te!
    Ah! Ninfa minha, já não posso ver-te,
    Tão asinha esta vida desprezaste!

    Como já pera sempre te apartaste
    De quem tão longe estava de perder-te?
    Puderam estas ondas defender-te
    Que não visses quem tanto magoaste?

    Nem falar-te somente a dura Morte
    Me deixou, que tão cedo o negro manto
    Em teus olhos deitado consentiste!

    Oh mar! oh céu! oh minha escura sorte!
    Que pena sentirei que valha tanto,
    Que inda tenha por pouco viver triste?

- Soneto Ah, minha Dinamene assi deixaste
  • desculpa-me o que vejo;
que se, enfim, resisto
contra tão atrevido e vão desejo,
faço-me forte em vossa vista pura,
e armo-me de vossa fermosura.
- canção "Fermosa e gentil dama"
  • "Transforma-se o amador na coisa amada
Por virtude de muito imaginar,
Não tenho, logo, mais que desejar,
Pois em mim tenho a parte desejada.
"Transforma-se o amador na coisa amada"
  • Perdigão, que o pensamento
    Subio a um alto lugar,
    Perde a pena do voar,
    Ganha a pena do tormento:
    Não tem no ar, nem no vento,
    Asas com que se sustenha:
    Não há mal que lhe não venha.
(Mote: "Perdigão perdeu a pena,
Não há mal que lhe não venha.
")
  • Busque Amor novas artes, novo engenho,
Para matar-me, e novas esquivanças;
Que não pode tirar-me as esperanças,
Que mal me tirará o que eu não tenho.
Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes nem mudanças,
Andando em bravo mar, perdido o lenho.
Mas, conquanto não pode haver desgosto
Onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê.
Que dias há que n'alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde,
Vem não sei como, e dói não sei porquê.
  • "Tudo me defendei, senão só ver-vos, / E dentro na minha alma contemplar-vos, / Ao menos que não chegue a aborrecer-vos."
- Fonte: Citações da Cultura Universal - Página 18, Alberto J. G. Villamarín, Editora AGE Ltda, 2002, ISBN 8574970891, 9788574970899

Cartas[editar]

  • "Coisas impossíveis, é melhor esquecê-las que desejá-las."
- Carta Segunda, in: "Obras de Luiz de Camões: precedidas de um ensaio biographico, no qual se relatam alguns factos não conhecidos da sua vida" - Volume 5, página 224, Por Luís de Camões, João Antonio de Lemos Pereira de Lacerda Juromenha, Francesco Petrarca, Publicado por Imprensa nacional, 1866
  • "Não se pode ter paciência com quem quer que lhe façam o que não faz."
- Obras de Luiz de Camões: precedidas de um ensaio biographico, se relatam alguns factos não conhecidos da sua vida‎ - Página 229, Luís de Camões, João Antonio de Lemos Pereira de Lacerda Juromenha (Visconde de), Francesco Petrarca - Imprensa nacional, 1866

Miscelânea[editar]

  • "Morro com a Pátria"
- palavras no leito de morte, citado em "Obras de Luiz de Camões: precedidas de um ensaio biographico, no qual se relatam alguns factos não conhecidos da sua vida" - volume 1, capítulo XXVII, página 148, Por Luís de Camões, João Antonio de Lemos Pereira de Lacerda Juromenha, Francesco Petrarca, Publicado por Imprensa nacional, 1860
  • "Enfim acabarei a vida e verão todos que fui tão afeiçoado à minha Pátria que não só me contentei de morrer nela, mas com ela."