Søren Kierkegaard

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Søren Kierkegaard
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Søren Aabye Kierkegaard, (5 de Maio de 1813 - 11 de Novembro de 1855) foi um teólogo e um filósofo dinamarquês do século XIX, que é conhecido por ser o "pai" do existencialismo.[editar]

"Sem pecado, nada de sexualidade, e sem sexualidade, nada de História".

- men uden Synden ingen Sexualitet og uden Sexualitet ingen Historie
- "Fire Opbyggelige Taler" [Quatro Discursos Construídos] in: "Søren Kierkegaards samlede værker; udgivne af A.B. Drachmann, J.L. Heiberg og H.O. Lange" - Página 319; de Søren Kierkegaard - Publicado por Gyldendalske boghandels forlag (F. Hegel & søn), 1843; 430 páginas
  • "Deve-se ferir mortalmente a esperança terrena - só então é que nos salvamos pela esperança verdadeira."
  • "É verdade quando a filosofia diz que a vida só pode ser compreendida olhando-se para trás. No entanto, esqueceram de outra frase: que ela só pode ser vivida olhando-se para a frente."
- Es ist wahr, was die Philosophie sagt, dass das Leben rückwärts verstanden werden muss. Aber darüber vergisst man den andern Satz, dass vorwärts gelebt werden muß.
- Die Tagebücher 1834-1855
- Der er intet andet, der hviler så megen forførelse og så megen forbandelse over som en hemmelighed
- "Enten – Eller. Første del" (1843) texto completo online
  • "Acima de tudo, não se esqueça da obrigação de amar a si mesmo."
- Carta a Hans Peter, primo de Kierkegaard (1848)
  • "A maioria dos homens persegue o prazer com tanta impetuosidade que passa por ele sem vê-lo."
- Most men pursue pleasure with such breathless haste that they hurry past it.
- Parables of Kierkegaard, Princeton paperbacks - página 27, Soren Kierkegaard, editor Thomas C. Oden, Princeton University Press, 1989, ISBN 0691020531, 9780691020532, 216 páginas
  • "Ficar em pé e provar a existência de Deus é bem diferente de ficar de joelhos e agradecê-Lo."
- for to stand on one leg and prove God's existence is a very different thing from going on one's knees and thanking him
- The Journals Of Kierkegaard (1841)
  • "(...) se é uma vantagem, por exemplo, poder-se ser o que se deseja, maior ainda é sê-lo, ou seja, a passagem do possível ao real é um progresso, uma ascensão."
- "O Desespero Humano" (Sygdommen til Döden) - 1849. Tradução: Fransmar Costa Lima.

Atribuidas[editar]

  • "Aventurar-se causa ansiedade, mas deixar de arriscar-se é perder a si mesmo."
- citado em "Crítica, uma ciência da literatura‎" - Página 145, Wendel Santos - UFG Editora, 1983, ISBN 8585003138, 9788585003135 - 188 páginas
  • "Enganar-se a respeito da natureza do amor é a mais espantosa das perdas. É uma perda eterna, para a qual não existe compensação nem no tempo nem na eternidade"
- At bedrage sig selv for kærlighed er det forfærdeligste, er et evigt tab, for hvilket der ingen erstatning er, hverken i tid eller evighed
- citado em "Gud er kærlighed: betragtninger over grundtankerne i Søren Kierkegaards "Kjerlighedens gjerninger"‎" - Página 24, H. J. Falk - Aros, 1986, ISBN 8770034869, 9788770034869 - 71 páginas

O Conceito de Ironia - Constantemente Referido a Sócrates[editar]

  • A semelhança entre Cristo e Sócrates está posta precipuamente em sua dissemelhança. Como toda filosofia inicia pela dúvida, assim também inicia pela ironia toda vida que se chamará digna do homem. (p. 21)
  • Só que Sócrates não se detinha numa consideração filosófica, mas se voltava para cada um em particular, despojava-o de tudo e o despedia de mãos vazias. (p. 181)
  • O mundo rejuvenesce, mas, como Heine observou com muito espírito, rejuvenesceu tanto com o romantismo que se tornou de novo uma criancinha. (p. 310)
  • A ironia é uma determinação da subjetividade. (p. 262)
  • A ironia limita, finitiza, restringe, e com isso confere verdade, realidade, conteúdo; ela disciplina e pune, e com isso dá sustentação e consistência.  (p. 332
  • Era uma vez uma época, e ela não está muito longe, em que também aqui se podia fazer sucesso com um bocadinho de ironia, que compensava todas as lacunas em outros aspectos, favorecia alguém com honrarias e lhe dava a reputação de ser culto, de compreender a vida e o caracterizava ante os iniciados como membro de uma vasta franco-maçonaria espiritual. Ainda nos deparamos de vez em quando com um ou outro representante deste mundo desaparecido, que conserva este fino sorriso, significativo, ambiguamente revelador de tanta coisa, este tom de cortesão espiritual, com o qual ele fez fortuna em sua juventude e sobre o qual construiu todo o seu futuro, na esperança de ter vencido o mundo. Mas ah! foi uma decepção! Em vão procura seu olhar explorador por uma alma irmã, e caso a época de seu esplendor não estivesse ainda fresca na memória de um ou de outro, suas caretas permaneceriam um enigmático hieroglifo para uma época na qual ele vive como hóspede e estrangeiro.  Pois nosso tempo exige mais, exige se não um pathos elevado, pelo menos altissonante, se não especulação, pelo menos resultados; quando não verdade, pelo menos convicção, quando não sinceridade, pelo menos protestos de sinceridade; e, na falta de sensibilidade, pelo menos discursos intermináveis a respeito desta. Por isso, nosso tempo cunha uma espécie bem diferente de rostos privilegiados. Não permite que a boca se feche obstinada, ou que o lábio superior trema com ar travesso, ele exige que a boca fique aberta; pois como poderíamos imaginar um verdadeiro e autêntico patriota, senão discursando, o rosto dogmático de um pensador profundo, senão com uma boca que fosse capaz de engolir o mundo todo; como nos poderíamos representar um virtuose da copiosa palavra vivente, senão com a boca escancarada? Ele não permite que paremos quietos e nos aprofundemos; andar devagar já desperta suspeita; e como nos poderíamos contentar com isso no instante movimentado em que vivemos, não época prenhe do destino, que, como todos reconhecem, está grávida do extraordinário? Nosso tempo odeia o isolamento, e como suportaria que um homem chegasse à ideia desesperada de andar sozinho através da vida, esse nosso tempo, que de mãos e braços dados (como membros viajantes das corporações de ofício e soldados rasos), vive para a ideia da comunidade? (p. 245-246)

Ou-Ou: Um Fragmento de Vida (Primeira Parte)[editar]

  • Que sejam os outros a queixarem-se de que os tempos são maus; queixo-me de que são miseráveis, porque são tempos sem paixão. Os pensamentos dos homens são finos e quebradiços como rendas, eles próprios tão dignos de dó quanto as rendeiras. Os pensamentos que lhes vão no coração são tão miseráveis, que não chegam a ser pecaminosos. Talvez fosse possível, para um verme, considerar como pecado alimentar tais pensamentos, mas não para um homem, que é criado à imagem de Deus. Os seus desejos voluptuosos são comedidos e indolentes, as suas paixões, sonolentas; estas almas mercantis cumprem os seus deveres, porém, tal como os judeus, dão-se todavia ao direito de desbastar uma migalinha da moeda; em sua opinião, embora Nosso Senhor mantenha as contas bastante em ordem, também é certamente possível escapar, aldrabando-o um pouco. Desavergonhados! Por isso, a minha alma regressa sempre ao Antigo Testamento e a Shakespeare. Sente-se deveras que são homens que falam; e que aí, odeia-se, e aí, ama-se, mata-se o inimigo, amaldiçoa-se a descendência por todas as gerações, aí, peca-se. (p. 57)
  • A velhice realiza os sonhos da juventude: é o que se observa em Swift; na juventude construiu um manicômio, na velhice foi ele quem para lá foi. (p. 46)
  • A maioria dos homens corre tão vigorosamente atrás do prazer, que passa por ele a correr. (p. 59)
  • As pessoas casadas prometem uma à outra amor para sempre. Ora isto é bastante fácil, mas também não significa grande coisa; pois ao darmos o tempo por acabado, estaremos também a dar a eternidade por terminada. Por isso, se as partes envolvidas em vez de dizer para sempre, dissessem “até à Páscoa”, ou “até ao próximo primeiro de Maio”, então, haveria contudo sentido no seu discurso; pois estava a dizer-se duas coisas, uma coisa, e uma coisa que talvez se pudesse cumprir. (p. 329) 

Referências[editar]

Kierkegaard, S. A. (1841/2013). O Conceito de Ironia Constantemente Referido a Sócrates. Vozes: Petrópolis

Kierkegaard, S. A. (1843/2013). Ou-Ou Um Fragmento de Vida (Primeira Parte). Relógio D'água: Lisboa''