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Jorge Amado

Origem: Wikiquote, a coletânea de citações livre.
Jorge Amado
Jorge Amado
Jorge Amado, 1988
Nascimento 10 de agosto de 1912
Itabuna
Morte 6 de agosto de 2001 (88 anos)
Salvador
Cidadania Brasil
Ocupação escritor, jornalista, poeta, romancista, político
Página oficial
http://www.jorgeamado.com.br/
Assinatura

Jorge Amado (1930) foi um escritor brasileiro.


Verificadas

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Obras

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Suor (1934)

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  • "-Você sabe qual é a melhor coisa do mundo?
-Qual é, minha tia?
-Adivinhe.
-Mulher...
-Não
-Cachaça...
-Não.
-Feijoada...
-Não sabe o que é? É cavalo. Se não fosse cavalo, branco montava em negro..."

Capitães da Areia (1937)

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  • "Como as crianças, os grandes cangaceiros, homens que tinham vinte e trinta mortes, acharam o belo carrossel, acharam que mirar suas luzes rodando,ouvir a música velhíssima da sua pianola e montar naqueles estropiados cavalos de pau era a maior felicidade."
  • "Então eles foram como crianças,gozaram daquela felicidade que nunca haviam gozado na sua meninice de filhos camponeses:montar e rodar num cavalo de madeira de um carrossel, onde havia música de uma pianola e onde as luzes eram de todas as cores: azuis, verdes, amarelas, roxas e vermelhas como o sangue que sai do corpo dos assassinados."

Terras do Sem Fim (1943)

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  • "O apito do navio era como um lamento e cortou o crepúsculo que cobria a cidade."
  • “Um dia, muitos anos antes, quando a floresta cobria muito mais terra, quando se estendia em todas as direções, quando os homens ainda não pensavam em derrubar as árvores para plantar a árvore do cacau que todavia não chegara da Amazônia.”
  • “Também Maneca Dantas não sabe por que diabo essa gente engana marido, com tanto perigo, ainda se dá ao luxo de escrever cartinhas de amor. Coisa de idiota...”
  • "Antonieta Esteves Cantarelli toma do braço do pai, circula o olhar, sorri para as beatas, para o árabe Chalita, para o comandante e dona Laura, para Jairo, para o moleque Sabino, para Bafo de Bode a fitá-la da calçada, a medir e conferir. De tão mísero e podre, cabe-lhe o direito à insolência. A voz molhada de cachaça vibra na rua, em aprovação entusiástica:
— Viva o belo pé de buceteiro!
— Viva! Viva! Vivôo! — apoiam os meninos do catecismo."
- (pág 104, parágrafo 2)
  • "Ao ver Osnar despedindo-se da esfarrapada criatura, medonhosa, dr.Caio, psicólogo amador, abelhudo de nascença, não se conteve:
- Satisfaça-me, caro Osnar, a curiosidade, respondendo a uma pergunta que me permito fazer-lhe.(...) Você é um rapaz endinheirado, (...) por que não freqüenta a casa dirigida pela rapariga que atende por Zuleika Cinderela, onde, segundo me consta, (...) praticam esse infame comércio mulheres limpas, de belo porte e figura amena, por que prefere essas imundas, essas bruxas?
-Primeiro permita, meu doutor, que eu lhe informe ser um dos fregueses prediletos das meninas da casa de Zuleika e da própria patroa (...) É certo, porém, que não desprezo um bucho quando saio de caçada, vez por outra. Alguns, devo confessar, bastante deteriorados.
(...)
-Vou lhe dizer por que, meu doutor, e escreva a razão se quiser, não me oponho. Se chamo um bucho aos peitos quando calha, o motivo é não viciar o pau, o Padre-Mestre. (...) Imagine se eu servisse ao Padre-Mestre somente pitéus finos, material de primeira, formosuras, perfumarias, e ele se acostumasse a comer apenas do bom e do melhor. De repente, um dia, por uma circunstância qualquer, dessas que acontecem quando a gente menos espera, me vejo obrigado a pegar um estrepe em más condições e o Padre-Mestre, viciado, se recusa, fica pururuca, brocha. Não lhe dou vício, vou comendo as bonitas e as feias e tem cada feia que vale mais do que um exército de bonitas porque uma coisa, meu doutor, é mulher para se ver e admirar a imagem e outra é o gosto da boceta."
- (pág 135-136)
  • "Para se viver bem é antes preciso abolir a consciência."
  • "Saudade é igual a amor [...] não mata, ajuda a viver"
  • "Da escuridão surge um vulto, está bêbado, doente ou louco? Mesmo na obscuridade, todos se dão imediata conta do estado de confusão e desordem de Ascânio Trindade. Osnar interrompe a narrativa:
- O que é que há, capitão Ascânio?
O capitão da aurora do poema de Barbozinha entra na sala, desfigurado, olhos de demente. Localiza Tieta junto ao padre, estica o braço para apontá-la, grita as palavras arrancadas com esforço, numa voz rouca, terrível, tumular:
- Sabem o que é que ela é? Pensam que é viúva, dona de fábricas, mãe de família? Não passa de uma caftina, tem casa de raparigas em São Paulo, vive disso. Quem me contou foi a outra. Pedi a mão dela em casamento, me respondeu: não posso, sou mulher-dama. Faz a vida no randevu dessa nojenta que está aí, passando por santa. Duas vagabundas e um palhaço."

Obras traduzidas

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Em francês

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  • Bahia de Todos os Santos(Bahia de Tous les Saints) traduzido do brasileiro por Michel Berveiller e Pierre Hourcarde, NRF, Edições Gallimard, 1979, N° edição 24777
  • "La foule se leva comme un seul homme. Il se fit un silence religieux. L’arbitre compta jusqu’à six…Mais avant qu’il eut compté : sept, l’homme blanc, avec effort, s’était rétabli sur un bras et, rassemblant toute son énergie, remis sur pied. Alors la foule se rassit et des cris s’élevèrent.Le nègre fonça rageusement et les deux adversaires se prirent à bras-le-corps au milieu du ring. La foule beuglait : - Descends-le ! descends-le !"( Quatre premiers paragraphes, page 7) (Quatro primeiros parágrafos, página 7).
  • Tocaia Grande: A Face Obscura (Tocaia Grande: La Face Cachée) traduzido do português por Jean Orecchionni, Edições Stock,1985
  • "Avant que n’existât la moindre maison, c’est le cimetière qui fut creusé au pied de la colline, sur la rive gauche du côté d’eau.Les premières pierres servirent à marquer les fosses où furent enterrés les cadavres en fin de matinée, à l’heure de midi, quand le colonel Elias Daltro finit par arriver à cheval suivi de quelques hommes-quatre gardes du corps en tout et pour tout, ceux qu’il avait gardés à la fazenda- et pour mesurer l’étendue du désastre. Pas un survivant pour raconter ce qui s’était passé.”(Premier paragraphe, page 17) (Primeiro parágrafo, página 17).
  • Outras traduções das Edições Stock : Dona Flor e seus dois Maridos (Dona Flor et ses Deux Maris), Os Pastores da Noite (Les Pâtres de la Nuit) , Gabriela, Cravo e Canela (Gabriela, Girofle et Canelle) , Tereza Batista (Tereza Batista), Tieta do Agreste (Tieta D’Agreste), O Gato maltratado e a Andorinha Sinhá (Le Chat et L’Hirondelle), Os Velhos Marinheiros ( Le Vieux Marin), Cacau (Cacao).("Filho da puta")

Citações

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  • "Mas sei todas as palavras de ódio, do ódio mais profundo e mais mortal. Eles matam crianças e essa é a sua maneira de brincar o mais inocente dos brinquedos. Eles desonram a beleza das mulheres nos leitos imundos e essa é a sua maneira mais romântica de amar. Eles torturam os homens nos campos de concentração e essa é a sua maneira mais simples de construir o mundo. Eles invadiram as pátrias, escravizaram os povos, e esse é o ideal que levam no coração de lama."
- Jorge Amado in: "Nem a rosa, nem o cravo..."; texto publicado no jornal "Folha da Manhã", edição de 22/04/1945, e consta do livro "Figuras do Brasil: 80 autores em 80 anos de Folha", PubliFolha - São Paulo, 2001, pág. 79, organização de Arthur Nestrovski.
- Às vésperas de completar 85 anos
- Fonte: Revista Veja
  • "...a aldeia parece uma festa, no colorido, na graça, na invenção que nasce das mãos desse homem modesto e simples que, no entanto, é ao mesmo tempo sábio de profundo conhecimento e traz no coração e nos dedos o dom da criação. Nasceu para criar beleza, para dar de si aos demais, para tornar mais rico o património do povo português com as suas imagens, suas figuras de barro, seus vasos utilitários, seus bois de longos cornosseus peixes leves como versos, seus porcos e galos feitos de terra e de lirismo. Parece uma festa, a aldeia..."
Sobre José Franco e a sua Aldeia típica.
  • "Djanira traz o Brasil em suas mãos, sua ciência é a do povo, seu saber é esse do coração aberto à paisagem, à cor, ao perfume, às alegrias, dores e esperanças dos brasileiros. Sendo um dos grandes pintores de nossa , ela é mais do que isso, é a própria , o chão onde crescem as plantações, o terreiro da macumba, as máquinas de fiação, o homem resistindo à miséria. Cada uma de sua telas é um pouco do Brasil."
- Jorge Amado in: Djanira: Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, julho-agosto, 1958, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro

Editora Le Museu, 1958