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Flávio Josefo

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Flávio Josefo (Yosef ben Mattityahu)
Flávio Josefo (Yosef ben Mattityahu)
Flávio Josefo (Yosef ben Mattityahu)
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Flávio Josefo, ou apenas Josefo (37 ou 38 — ca. 100), também conhecido pelo seu nome hebraico Yosef ben Mattityahu (יוסף בן מתתיהו, "José, filho de Matias" [Matias é variante de Mateus]) e, após se tornar um cidadão romano, como Tito Flávio Josefo foi um historiador e apologista judaico-romano, descendente de uma linhagem de importantes sacerdotes e reis, que registrou in loco a destruição de Jerusalém, em 70 d.C., pelas tropas do imperador romano Vespasiano, comandadas por seu filho Tito, futuro imperador. As obras de Josefo fornecem um importante panorama do judaísmo no século I.


História dos Hebreus[editar]

História dos Hebreus, Clube de Autores, 2020
  • "No segundo dia, Deus criou o céu, separou-o de todo o resto e colocou-o por cima, como sendo o mais nobre. Rodeou-o de cristal e temperou-o com umidade própria para formar as chuvas que regam docemente a terra, para torná-la fecunda. No terceiro dia, tornou fixa a terra, rodeou-a pelo mar e fê-la produzir as plantas com as suas respectivas sementes. No quarto dia, criou o Sol, a Lua e os outros astros e colocou-os no céu para lhe serem o ornamento principal. Regulou de tal maneira os seus movimentos e o seu curso que eles determinam claramente as estações e as revoluções do ano". — p. 7
  • "Diz [Moisés] que Deus tomou pó da terra, fez o homem e, com a alma, inspirou nele o espírito e a vida. Ele acrescenta que esse homem foi chamado Adão, que em hebreu significa «ruivo», porque a terra de que ele foi formado era dessa cor, que é a cor da terra natural e a qual se pode chamar virgem". — p. 7
  • [Abraão deduziu] "após considerar atentamente o que se passava sobre a terra e sobre o mar e o curso do Sol, da Lua e das estrelas, que há um poder superior regulando esses movimentos, sem o qual todas as coisas cairiam em confusão e desordem, por não terem de si mesmas poder algum para nos proporcionar os benefícios que delas haurimos — elas os recebem dessa potência superior, à qual estão absolutamente sujeitas, o que nos obriga a honrar somente a Ele e a reconhecer o que lhe devemos por contínuas ações de graças". — p. 13
  • "Como nascestes para morrer, que fim vos pode ser mais glorioso do que ser oferecido em sacrifício por vosso próprio pai ao soberano Senhor do universo, que, em vez de terminar a vossa vida por uma doença, numa cama, ou por uma ferida na guerra, ou por algum outro acidente, aos quais os homens estão sujeitos, vos julga digno de entregar-lhe a alma no meio de orações e sacrifícios, de modo a ficar para sempre unida a Ele?" — p. 18
  • "É próprio das grandes almas sobrepor-se às paixões pelas quais as almas vulgares se deixam vencer". — p. 32
  • "I. Há um só Deus, e somente Ele deve ser adorado.
II. Não se deve adorar a imagem de animal algum.
III. Não se deve jurar em vão o nome de Deus.
IV. Não se deve profanar por obra alguma a santidade e o descanso do sétimo dia.
V. Deve-se honrar pai e mãe.
VI. Não se deve cometer assassínio.
VII. Não se deve cometer adultério.
VIII. Não se deve roubar.
IX. Não se deve dar falso testemunho.
X. Não se deve desejar coisa que pertença a outrem". — p. 48
  • "Os sentimentos de nossa alma jamais são tão puros como quando ela está prestes a abandonar o corpo". — p. 71
  • "Não é a beleza do corpo que considero para dar uma coroa, mas apenas a da alma, cujos ornamentos são a piedade, a justiça, a generosidade e a obediência". — p. 108
  • "Saul havia expulsado do país todos os magos e adivinhos e toda espécie de gente que costuma predizer o futuro, e assim, não sabendo onde buscá-los, mandou indagar de onde se poderia encontrar alguém dentre os que fazem voltar as almas dos mortos, para interrogá-las e saber coisas futuras". — p. 118
  • "Despojando os mortos, reconheceram o corpo de Saul e os de seus filhos. Cortaram a cabeça de Saul, e depois de terem anunciado a morte dele por todo o país e consagrado as almas no Templo de Astarote, seu falso deus, penduraram os corpos em forcas, perto da cidade de Bete-Seã, que hoje se chama Scitópolis". — p. 120
  • "Até quando este meu miserável corpo reterá a minha alma criminosa?" — p. 251
  • [Os fariseus] "julgam que as almas são imortais, julgadas em um outro mundo e recompensadas ou castigadas segundo foram neste — virtuosas ou viciosas — e que umas são eternamente retidas prisioneiras nessa outra vida, e outras retornam a esta". — p. 341
  • "A opinião dos saduceus é que as almas morrem com os corpos e que a única coisa que somos obrigados a fazer é observar a lei, sendo um ato de virtude não tentar exceder em sabedoria os que a ensinam". — p. 341
  • "Os essênios, a terceira seita, atribuem e entregam todas as coisas, sem exceção, à providência de Deus. Crêem que as almas são imortais, acham que se deve fazer todo o possível para praticar a justiça e se contentam em enviar as suas ofertas ao Templo, sem oferecer lá os sacrifícios, porque o fazem em particular, com cerimônias ainda maiores". — p. 341
  • [Filipe, irmão de Heródes] "era um príncipe muito moderado. Amava a paz e a tranqüilidade e sempre ficou em seu território. Nas suas idas constantes ao campo, levava consigo apenas um pequeno número de amigos mais íntimos e uma cadeira, que era uma espécie de trono, para sentar-se e administrar a justiça, pois era seu costume deter-se quando alguém o pedia e, depois de ouvir todas as queixas, condenava imediatamente o culpado ou o absolvia, se o julgasse inocente". — p. 346
  • "Esses mesmos essênios julgam que as almas são criadas imortais, para se darem à virtude e se afastarem do vício; que os bons se tornam melhores nesta vida pela esperança de serem felizes depois da morte, e os maus, que imaginam poder esconder neste mundo suas más ações, são castigados com tormentos eternos. Tais os seus sentimentos com relação à excelência da alma, dos quais não se afastam uma vez persuadidos. Há entre eles alguns que se vangloriam de conhecer as coisas futuras, quer pelos estudos nos livros santos e nas antigas profecias, quer pelo cuidado que têm de se santificar". — p. 463
  • "Não há nada sob o sol cuja duração seja perpétua". — p. 580
  • [Nossa religião] "nos obriga a crer que Deus compreende tudo em si; que nada falta à sua perfeição, nem à sua felicidade, que Ele é bastante a si mesmo e a todas as criaturas, que Ele é o princípio, o meio e o fim de todas as coisas, que Ele opera em todas as nossas ações e nossas boas obras, que nada é mais visível do que seu poder, mas sua forma e sua grandeza são incompreensíveis; que tudo o que há de mais rico, e de mais excelente no mundo é incapaz de o representar e é desprezível em comparação à sua glória; que não somente nossos olhos nada podem ver que lhe seja semelhante, mas nosso espírito nada pode imaginar que se lhe aproxime e nós o conhecemos apenas por meio de suas obras, quando consideramos a luz, o céu, o sol, a lua, a terra, o mar, os rios, os animais e as plantas, que são obra de suas mãos, sem que Ele tenha tido necessidade para criá-los, nem de trabalhar, nem de ser ajudado por quem quer que seja, sendo sua única vontade suficiente para lhes dar o ser, no momento em que Ele assim quis. É, pois, a Ele que todos os homens são obrigados a adorar e a servir, praticando a virtude, que é o único meio de agradá-lo". — p. 633
  • "Os judeus, antes de permitir que se tocassem por pouco que fosse nas suas leis, prefeririam correr para a morte como para a imortalidade, porque do mesmo modo que não se pode tirar uma pedra de um edifício sem que pouco a pouco o resto venha a cair, assim também, que tudo é importante, no que se refere à religião, e não poderia haver empreendimento mais ousado e mais ímpio, do que pretender trocar um homem mortal num deus imortal, pois que é mais fácil que Deus seja mudado em homem do que um homem em Deus; além de que seria abrir a porta a uma horrível infidelidade e a uma espantosa ingratidão para com Deus, Todo-poderoso, cuja bondade infinita espalha continuamente graças e favores sobre todas as criaturas". — p. 648