Érico Veríssimo

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Érico Veríssimo
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Érico Lopes Veríssimo (Cruz Alta, 17 de dezembro de 1905Rio Grande do Sul, 28 de novembro de 1975), foi um dos escritores mais populares do Brasil.


Obras[editar]

Romances[editar]

Clarissa[editar]

1933

  • " –Clarissa! " . Clarissa perfila-se , conserta o vestido e responde:- Que é, titia? –Vem pra dentro, menina. Está na hora do colégio". O rosto da criancinha ensobrece.O colégio...Livros, mapas...(pagina 12).
  • "O Velho Nico Pombo, major reformado, o hóspede mais antigo da pensão.Não tem que fazer durante o dia, mas costuma madrugar para o chimarrão(...) O Nestor.Sempre cantando, sempre alegre.Clarissa gosta das pessoas alegres.Nem todos na pensão têm cara alegre.O Mais triste é Amaro: tem um ar sofredor, olhos que sempre estão olhando para parte nenhuma.E, depois, aquela mania de viver em cima do piano, batendo à toa nas teclas, inventando músicas que ninguém compreende...(...) Sorrindo, Clarissa entra no quarto."(página 13).

Olhai os lírios do campo[editar]

1938

  • Dedicatória: "Maurício, Quero que o teu nome fique inscrito também no pórtico deste livro, que viste amadurecer e que enriqueceste com mais de uma sugestão preciosa.Ele ficará como um marco significativo em nossas vidas- o símbolo de uma funda amizade, a recordação dos sonhos de solidariedade humana que sonhámos juntos" .
  • " O médico sai do quarto n.° 122. A enfermeira vem ao seu encontro.

-Irmã Isolda- diz ele em voz baixa- avise o Dr. Eugênio. É um caso perdido, questão de horas, talvez de minutos. E ele sabe que vai morrer…" (Primeiras linhas do romance, página 9).

  • "Felicidade é a certeza de que a nossa vida não está se passando inutilmente."
- "Olhai os lirios do campo: romance" - Página 230, de Erico Veríssimo - Publicado por Editôra Globo, 1962 - 244 páginas
  • "Olha as estrelas. Enquanto elas brilharem haverá esperança na vida."
- Olhai os lírios do campo - página 94, Erico Veríssimo - Editôra Globo, 1974 - 290 páginas

Incidente em antares[editar]

1971

  • "Afirmam os entendidos que os ossos fósseis recentemente encontrados numa escavação feita em terras do município de Antares, na fronteira do Brasil com a Argentina, pertenciam a um gliptodonte, animal antediluviano, que, segundo as reconstituições gráficas da Paleontologia, era uma espécie de tatu gigante dotado duma carapaça inteiriça e fixa, mais ou menos do tamanho dum Volkswagen, afora o formidável rabo à feição de tacapa riçado de espigões pontiagudos."
  • “A esta altura da presente narrativa é natural que o leitor esteja inclinado a perguntar se não existiam em Antares homens de bem e de paz, comportamento e sentimentos cristãos. A pergunte é pertinente e a resposta, sem a menor dúvida, afirmativa. Havia sim, e muitos. Desgraçadamente seus ditos, feitos e gestos não foram recolhidos pela história oral da cidade e do município: os restantes perderam-se para sempre no olvido."
  • "Os livros escolares, cujo objetivo é ensinar-nos a história da nossa terra e do nosso povo, são em geral escritos num espírito maniqueísta, seguindo as clássicas antíteses –os bons e os maus, os heróis e os covardes, os santos e os bandidos."
  • "Via de regra, não se empregam nesses compêndios as cores intermediárias, pois os seus autores parecem desconhecer a virtude dos matizes e o truísmo de que a História não pode ser escrita apenas em preto e branco.”
  • “-Será que um dia não vai haver mais em toda a Terra um lugar em que um homem possa ser dono pelo menos do seu nariz, dizer o que pensa, ter uma quota razoável de liberdade? Talvez em alguma ilha deserta do Pacífico...
-Não te iludas. Nem numa ilha deserta poderemos fugir à História. Um dia quando estiveres estendido na areia, nu e comendo a tua banana gratuita, um país qualquer que está querendo entrar para a “família nuclear”, testará a bomba atômica e te levará pelos ares em pedaços...”
  • “-Sei que a senhora gosta de ler – digo.
- Muito. Não se ria se eu disser que o romance mais bonito que li em toda a minha vida foi a Joana Eira de Carlota Bronte. Conhece? Uma jóia. Acho que li esse livro umas vinte vezes. Devorei também todo o Walter Scott e o Alexandre Dumas. Nunca suportei o Zola nem o Flaubert. Mas gostava do Tolstoi. Ah! Leio também os modernos. Estrangeiros e nacionais, naturalmente.
-Já leu Jorge Amado?
-Por alto, É bandalho e comunista.
-E o nosso Érico Veríssimo?
-Nosso? Pode ser seu, meu não é. Li um romance dele que fala a respeito do Rio Grande de antigamente. O Zózimo, meu falecido marido, costumava dizer que por esse livro se via que o autor não conhece direito a vida campeira, é “bicho da cidade”. Há uns anos o Veríssimo andou por aqui, a convite dos estudantes, e fez uma conferência no teatro. Fui, porque o Zózimo, insistiu. Não gostei, mas podia ter sido pior. Quem vê a cara séria desse homem não é capaz de imaginar as sujeiras e despautérios que ele bota nos livros dele.
-A senhora diria que ele também é comunista?...
...-O Prof. Libindo costuma dizer que, em matéria de política, o Érico Veríssimo é um inocente útil.”

Outras citações[editar]

  • "Desde que, adulto, comecei a escrever romances, tem-me animado até hoje a idéia de que o menos que o escritor pode fazer, numa época de atrocidades e injustiças como a nossa, é acender a sua lâmpada, fazer luz sobre a realidade de seu mundo, evitando que sobre ele caia a escuridão, propícia aos ladrões, aos assassinos e aos tiranos. Sim, segurar a lâmpada, a despeito da náusea e do horror. Se não tivermos uma lâmpada elétrica, acendamos o nosso toco de vela ou, em último caso, risquemos fósforos repetidamente, como um sinal de que não desertamos nosso posto."
- "Solo de clarineta: memórias" - v. 1, Página 45, de Erico Veríssimo - Publicado por Editora Globo, 1973
  • "Nenhum escritor pode criar do nada. Mesmo quando ele não sabe, está usando experiências vividas, lidas ou ouvidas, e até mesmo pressentidas por uma espécie de sexto sentido".
- Érico Veríssimo, em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, junho de 1970
  • "Sei que não sou, nunca fui um writer's writer, um escritor para escritores. Não sou inovador, não trouxe nenhuma contribuição original para a arte do romance. Tenho dito, escrito repetidamente que me considero, antes de mais nada, um contador de histórias."
- "Ficção completa" - Página 163, de Erico Veríssimo - Publicado por Aguilar, 1967
  • "Quem está com fome fica surdo até mesmo à voz de Deus."
- "Um lugar ao sol, romance: romance" - Página 213, de Erico Veríssimo - Publicado por Livraria do globo, 1940 - 350 páginas


  • "Todos nós somos um mistério para os outros... e para nós mesmos."
- citado por "Dicionário de pensamentos da língua portuguêsa" - Página 215, de Pandiá Pându - Publicado por Edições de Ouro, 1962 - 248 páginas