Alexandre Garnizé

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Alexandre Garnizé
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José Alexandre dos Santos de Oliveira (4 de dezembro de 1971 — Camaragibe, Pernambuco), mais conhecido pelo seu nome artístico Alexandre Garnizé é um músico percussionista, historiador, pesquisador, e ator brasileiro.


  • "Meus grandes ídolos, hoje estão pregados nas paredes, ou estão na minha cabeça e no meu coração. Eu tenho alguns ídolos tatuados em minhas costas, como Malcolm X, Che Guevara, Martin Luther King, mas poderia ser Zumbi, Aqualtune, Acotirene, Ganga Zumba, Antônio Conselheiro, mas eu prefiro preservá-los em minha memória e falar um pouco sobre eles para as pessoas. Infelizmente, os jovens que moram nas grandes comunidades brasileiras, não tem como ídolos os mesmos ídolos que eu ou você, mas sim o dono da boca, o gerente da boca, é o fulaninho que hoje está com fuzil e saiu no jornal, deixou de ser o Homem Aranha, o Batman, o Superman, para dar lugar ao dono da favela e isso para mim é constrangedor, eu fico muito triste com isso."
- Revista África e Africanidades
  • "Envolvi-me muito cedo também com política. Eu tenho a política como um processo de transformação, seja ela partidária ou não, me envolvi muito cedo com o movimento negro também, fui do Fórum Identidade Negra de Pernambuco, fui diretor musical do Africamarás, que é uma instituição que trabalhava questão racial dentro do município. Na época que eu era o presidente do grêmio da minha escola, eu sempre li muito Marx, Engels, Bakunin, Malatesta, sempre pessoas brancas, até então eu não tinha descoberto meus grandes ídolos negros tiradentes era um cara legal, Tiradentes um cara branco, e cicrano e beltrano... Pô! Será que eu

não tenho ninguém negro, que correu atrás, que lutou."

- Revista África e Africanidades
  • "Foi um dia em que minha mãe foi discriminada num mercado por ser negra. Minha família por parte de mãe é toda negra, negra, negra, negona, meu avô era negão do olho azul, já a parte do meu já é mais branca, meu bisavô era de descendência árabe."
- Revista África e Africanidades
  • "Quando despertou isso em mim, eu fiquei em fúria e ao mesmo tempo feliz, por descobrir que eu tinha pessoas que estavam do meu lado, que eu tinha ídolos, que eu tinha heróis, que eu tinha mártires, como: João Cândido, Zumbi e tantos outros... “Que é isso! Eu não sabia que estes caras existiam!” (lembrando) e quando você descobre isso, que Zumbi criou a primeira sociedade livre igualitária do mundo! Que estavam lá índios, brancos, negros, mulheres, crianças, porra cara! Que é isso cara? E ali do ladinho da minha cidade, pertencia a Pernambuco na época, o Quilombo (dos Palmares), era em grande parte de Pernambuco. Na época das capitanias hereditárias, tinha uma faixa de terra que passava por Maceió e a faixa de terra que pertencia ao donatário Duarte Coelho, pertencia a Pernambuco, e a minha cidade, que era o Quilombo da Cacutá, um quilombo importante, onde viveu Malunguinho, que todo mundo fala hoje na Umbanda, “O Rei Malunguinho” era um cara que viveu na minha cidade."
- Revista África e Africanidades
  • "Quando eu comecei a descobrir isso, foi felicidade, porque eu comecei a buscar literatura, até então pouquíssimas existiam, há vinte e poucos anos atrás, eu despertei isso com 12 ou 13 anos de idade, pouquíssima literatura existia. Graças a Olorum, hoje tem muita coisa, livros falando da história do negro no Brasil e como a gente chegou aqui forçado."
- Revista África e Africanidades
  • "Eu sempre falo nas minhas palestras, que a única coisa boa que o branco fez para o Brasil foi trazer as várias etnias, foi a única coisa boa, senão hoje a gente não estava nessa balbúrdia aí, hoje a gente vai para Pernambuco e tem lá uma etnia completamente diferente da que viveu em Salvador, completamente diferente da que viveu no Rio, completamente diferente da que viveu lá no Maranhão, então a gente teve os Ebás e Ibôs, lá em Pernambuco, aqui a gente teve os povos de Ketu, Ioruba, mais para cima a gente teve os Jeje e o Jeje Marri, isso pra mim foi a grande balbúrdia da parada que os brancos, fizeram. Eu não sou racista, mas foi a única coisa boa que os caras fizeram, todo mundo acha que vieram para cá os grandes e poderosos, não vieram! Quando os brancos chegaram aqui, vieram os traficantes, matadores, estupradores, ladrões, prostitutas foram esses que vieram para cá. A coroa portuguesa só trouxe quem não prestava para cá, e quando resolveu trazer os negros, trouxeram os reis, rainhas e seus súditos, vieram cortejos inteiros! E hoje a gente vive isso aí, o legal disso tudo são as diferenças, nós somos diferentes, mas somos iguais, iguais nos direitos e nos deveres. Eu acho maravilhoso essa dicotomia de sotaques, o que difere a gente é só sotaque, a gente é muito igual e quando você começa a descobrir isso é felicidade e está sendo até hoje, porque eu sempre busco literatura, tô sempre buscando grandes escritores."
- Revista África e Africanidades
-"Tenho um livro de cabeceira que não largo, um livro chamado “Agadá dinâmica da civilização africano-brasileira”, do Marco Aurélio de Oliveira Luz, eu indico para todo mundo. Tem outro que é “Águas de Oxalá” de José Beniste, “Orun Ayê” também, que é maravilhoso. Lepê Correia, que escreve poesias maravilhosas, um grande poeta negro pernambucano Solano Trindade, muita gente, muita gente importante que nós temos. Nós somos um povo sem memória e um povo sem memória é um povo sem história, a gente tem que começar a valorizar o nosso panteão negro de escritores, músicos, de mulheres guerreiras que se parecem tanto com a Acotirene, Aqualtune e Rainha Nzinga Onde eu vou eu estou com um livro, vivo catando livros, eu não deixo de ler, eu sou um leitor nato, é chato ficar falando isso, porque pode parecer pedância minha, mas onde eu vou, eu estou com um livro, se eu viajo eu levo um livro. Tá na hora de a gente começar a traficar informação, porque ao invés de traficar drogas os caras não traficam livros, vamos propor um dia traficar livros, vamos trocar, fazer esse escambo, você me dá um livro seu e eu te dou um livro meu, não fizeram troca de armas? Você dava uma arma e ganhava uma grana. Vamos entupir as comunidades com livros, encher as comunidades de bibliotecas e abrir espaço para juventude negra, pro pobre que mora na periferia ler, porque a gente não lê? Não lê porque o livro é caro no Brasil, é muito caro, eu lembro que com 10 dólares em cuba, eu comprei uns 20 livros, te juro! Lá você compra um livro a centavos, por isso sou fã de sebos de CDs e de livros, e também de brechós."
- Revista África e Africanidades
  • "A gente tem 4 estados brasileiros que são top de linha na questão racial, na questão histórica, musical, religiosa, que são Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco e Maranhão. E vou mais fundo, eu acho Pernambuco o berço da cultura nacional, sem querer ser bairrista. A gente valoriza demais a nossa cultura, eu defendo meu estado com unhas e dentes, hoje você vai a qualquer lugar, você vê um monte de gente tocando maracatu, eu fui para o interior de São Paulo, São Bernardo do Campo, ta lá o cara tocando maracatu, fui não sei pra onde, cafundó dos Judas, ta lá um cara tocando maracatu, assim como o samba, mas o Samba tem uns 100 anos, o Maracatu tem 200 anos, é um ritmo que ta aí há 200 anos, vibrante, coroação de reis e rainhas do Congo."
- Revista África e Africanidades
  • "Eu sempre fui cara que gostei de estar no meio das pessoas maiores que eu, porque era ali que ia obter conhecimento, e era isso na minha comunidade eu sempre estava ali no meio dos caras mais velhos, dos senhores mais velhos, catando conhecimento, aprendendo uma coisinha, aprendendo outra."
- Revista África e Africanidades

Referências

Ver também[editar]