Nicolau II da Rússia

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Nicolau II da Rússia
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Nicolau II da Rússia ou Nicolau II Romanov, pseudônimo de Nicolau Alexandrovich Romanov (significando Nicolau, filho de Alexandre Romanov), (Николáй Алексáндрович Ромáнов), (18 de maio de 186817 de julho de 1918); foi o último czar da Rússia.


  • "Hoje eu terminei definitiva e eternamente minha educação."
-Anotação de Nicolau em seu diário em maio de 1890, pouco antes de seu aniversário de 22 anos
  • "O que será de mim e da Rússia? Eu não estou preparado para ser czar e nunca o quis ser. Não percebo nada dos negócios do governo. Não sei nem sequer como hei de falar com os ministros".
-Logo ao assumir o governo da Rússia, após a morte de Alexandre III da Rússia|Alexandre III.
  • "...chegou ao meu conhecimento que durante os últimos meses foram ouvidas em assembléias de zemstvos, vozes daqueles que se satisfazem de um tolo sonho de que os zemstvos seriam convidados para participar do governo do país. Espero que todos saibam que eu devoto todas as minhas forças para manter, pelo bem de toda a nação, o princípio absoluto da autocracia, tão firme e fortemente quanto meu lamentado pai."
-Parte do discurso no seu dia de coroação no dia 26 de Maio de 1896
  • "Me deixa doente ouvir as notícias! Greves em escolas, policiais, soldados e cossacos assassinados, tumultos, desordens, amotinações. Mas os Ministros, ao invés de tomarem uma decisão rápida, somente reúnem-se em conselhos como um bando de galinhas assustadas e cacarejam sobre providenciar uma unida ação ministerial...".
- Em uma carta à mãe durante a Revolução de 1905.
  • "Vieram tropas de fora da cidade para reforçar a guarnição. Até agora, os operários têm se mantido calmos. O seu número deve andar à volta de 120.000. Encabeçando-os encontra-se uma espécie de sacerdote socialista chamado Gapon. Mirsky veio aqui esta noite para apresentar o relatório das medidas tomadas."
- Entrada em seu diário na véspera do Domingo Sangrento.
  • "Um dia doloroso. Ocorreram desordens graves em Petersburgo quando os trabalhadores tentaram aproximar-se do Palácio de Inverno. As tropas foram obrigadas a abrir fogo em vários pontos da cidade e houve muitos mortos e feridos. Senhor, como tudo isto é triste e doloroso!"
- Entrada em seu diário no dia do Domingo Sangrento.
  • "Uma deputação grotesca vem da Inglaterra (para ver os membros liberais da Duma). Tio Bertie informou-nos que lamenta muito, mas que não podia fazer nada para impedir a vinda deles. A famosa “liberdade”, está claro.Como eles se enfureceriam se nós enviássemos uma deputação até junto dos irlandeses para desejar-lhes êxito na sua luta contra o governo."
- Carta à mãe, a Imperatriz Maria Feodorovna.
  • "Tudo estaria bem se tudo o que se dissesse na Duma ficasse dentro de suas paredes. No entanto, todas as palavras pronunciadas aparecem nos jornais do dia seguinte, que são lidos avidamente por todas as pessoas. Em muitos pontos, a população está de novo desassossegada. Recomeçam a falar das terras e aguardam o que Deus fará a esse respeito. Recebo telegramas de toda a parte, pedindo-me que ordene a dissolução, mas é ainda cedo demais para isso. Temos de os deixar fazer qualquer coisa manifestamente estúpida ou mesquinha, e depois – slap! Acaba-se com eles!"
- Carta à mãe, referindo-se a Duma.
  • "Não se pode acusar esta Duma de tentar apoderar-se do poder, e não é necessário discutir com ela."
- Comentando sobre a Terceira Duma com Stolypin, em 1909
  • "Apesar dos argumentos muito convincentes para se adotar uma decisão positiva neste assunto, uma voz interior insiste cada vez mais comigo para que não assuma responsabilidades a esse respeito. Até aqui a minha consciência não me enganou. Por isso, tenciono seguir as sua diretivas neste caso. Eu sei que você também acredita que “o coração de um czar está nas mãos de Deus”. Que assim seja. Por todas as leis estabelecidas por mim, respondo perante Deus e estou pronto a responder em qualquer momento por esta decisão!"
- Nota escrita por Nicolau a Stolypin, justificando porque não assinou um documento .
  • "Não se trata de uma questão de confiança ou falta dela; é a minha vontade. Lembre-se que vivemos na Rússia e não no estrangeiro... e por isso não levarei em consideração a possibilidade de uma demissão."
- Ao recusar a demissão de Stolypin.
  • "A Duma começou cedo demais. Agora vai mais devagar, mas melhor. E é mais duradoura."
- Referindo-se à Quarta Duma ao Sir Bernard Pares.
  • "Neste tempo de grande luta contra o inimigo externo que já há quase três anos tenta escravizar nossa pátria, o Senhor Deus julgou por bem enviar à Rússia nova provação. Revoltas populares internas ameaçam refletir calamitosamente na conduta de uma guerra que continua. O destino da Rússia, a honra do Exército heróico, o bem do povo, todo o futuro de nossa querida pátria, exigem que saiamos vitoriosos dessa guerra a qualquer custo. Nestes dias decisivos para a vida da Rússia, julgamos uma questão de consciência facilitar para nosso povo, a união e a formação das fileiras de forças populares ao redor desse objetivo, que é um rápida vitória, e assim, de acordo com a Duma, reconhecemos a necessidade de abdicarmos ao trono do Estado Russo e nos desembaraçarmos do poder supremo. Não desejando a separação de nosso amado filho, transferimos o legado ao nosso irmão, Grão-duque Miguel Alexandrovich e o abençoamos em sua ascensão ao trono do Estado russo. Recomendamos ao nosso irmão que governe em união plena e inviolável com os representantes do povo, de acordo com os princípios que serão estabelecidos. Que o Senhor salve a Rússia!"
- Manifesto escrito por Nicolau após sua abdicação, em 1917.

"Ele [Kerenky] é um homem que ama a Rússia, e eu gostaria de tê-lo conhecido mais cedo, porque ele teria sido útil para mim."

- Comentando sobre o chefe do Governo Provisório, Alexandre Kerensky.

Sobre[editar]

Uma das últimas fotos de Nicolau II.
  • "Os primeiros dez anos do reinado de Nicolau são em grande parte a história de uma tendência a fuga dos trabalhos do cérebro de um homem (...) que era desesperadamente incapacitado para compreender e controlar a Rússia".
- Alan Moorehead; citado em "Familia Imperial da Russia" - página 15, de Allan Alvaro Jr Santos.
  • "Para ser franco, eu estava tudo menos calmo antes do primeiro encontro com Nicolau II. Muitas coisas duras e terríveis foram associadas no passado ao seu nome... Em todo o caminho à frente do corredor sem fim, eu estava lutando para controlar minhas emoções... [Entrando no quarto]... Meus sentimentos mudaram como um relâmpago... A Família Imperial... Estava em pé... Perto da janela, ao redor de uma pequena mesa, em um pequeno grupo amontoado e perplexo. Desse grupo de humanidade amedrontada, saiu um pouco para fora, hesitantemente, um homem de altura mediana em um uniforme militar, que andou à frente para me receber com um sorriso leve e peculiar. Era o Imperador... Ele parou em confusão. Não sabia o que fazer, não sabia como eu agiria, qual atitude eu adotaria. Deveria andar adiante para me receber como anfitrião, ou esperar para eu falar primeiro? Deveria estender a mão? Em um relampejo, soube exatamente a exata posição: a confusão da família, seu medo de se encontrarem sozinhos com um revolucionário, cujo propósito desse rápido encontro, desconheciam. Respondendo com um sorriso, eu andei rapidamente em direção ao Imperador, apertei suas mãos e disse claramente: 'Kerensky'- como eu sempre faço, como apresentação... Nicolau II apertou com firmeza minhas mãos, recuperando-se imediatamente de sua confusão, e, sorrindo mais uma vez, guiou-me até a família."
- Alexandre Kerensky sobre seu primeiro encontro com Nicolau e sua família.
  • "[Nicolau tinha]maneiras modestas e completa ausência de pose. Talvez, era essa simplicidade sincera e natural que dava ao Imperador a fascinação peculiar, o charme que era reforçado ainda mais pelos seus olhos maravilhosos, profundos e tristes. Não pode ser dito que as minhas conversas com o czar se deviam a um desejo especial dele; ele era obrigado a me ver... ainda assim, o antigo czar nunca perdeu seu equilíbrio, nunca falhou em agir como um homem cortês."
- Alexandre Kerensky sobre Nicolau II.
  • "De qualquer forma teria tudo sido inútil. No estado de mente presente do Imperador, ele não teria parado por nada e teria ido ao extremo para seguir com esta decisão. Se os Aliados se opusessem ele teria abandonado a Aliança em vez de permitir que alguém duvidasse do seu direito de soberania que, aos olhos dele, tem também um carácter de dever religioso."
- Grão-duque Paulo Alexandrovich, tio mais novo do Czar após a decisão de Nicolau II de assumir o comando total das tropas russas durante a Primeira Guerra Mundial.
  • "Eu ainda tenho uma impressão deles que ficará para sempre em minha alma. O czar não era jovem, sua barba já estava ficando grisalha... [Ele vestia] uma blusa de soldado com um cinto de oficial amarrado por uma fivela em volta da cintura. A fivela era amarela... a blusa era cáqui, a mesma cor de suas calças e das botas gastas. Seus olhos eram bondosos, e ele tinha no geral, uma expressão benévola. Eu tinha a impressão de que ele era uma pessoa bondosa, simples, franca e tagarela. Às vezes eu sentia que ele falava comigo diretamente. Ele nos olhava como se tivesse gostado de falar conosco. A czarina não era nada como ele. Ela parecia severa e tinha as maneiras e aparência de uma mulher arrogante e zangada. Às vezes, tínhamos o hábito de discutir sobre eles entre nós e decidimos que ela era diferente e parecia exatamente como uma czarina. Ela parecia que era mais velha que o czar. Cabelos grisalhos eram claramente visíveis em suas têmporas e seu rosto não era o de uma mulher jovem. Todos os meus maus pensamentos sobre o czar desapareceram depois que eu permaneci um certo tempo entre os guardas. Depois de vê-los [o czar e sua família] várias vezes, eu comecei a sentir algo inteiramente diferente em relação a eles; comecei a sentir pena deles. Pena deles como seres humanos. Estou falando a você a completa verdade. Você pode acreditar ou não em mim, mas eu dizia a mim mesmo:"Eles que fujam... Alguma coisa deve ser feita para que eles fujam."
- Anatoly Yakimov, guarda da prisão de Nicolau e sua família em Ekaterimburgo.