Milan Kundera

Origem: Wikiquote, a coletânea de citações livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Milan Kundera em outros projetos:

Milan Kundera (nasceu dia 1 de abril de 1929, em Brno, Checoslováquia); é um escritor de origem tcheca.


Obras[editar]

  • "A partir do momento em que tomamos uma idéia ao pé da letra, a fé transporta essa coisa para o absurdo."
- Do conto "O Pomo de ouro do eterno desejo", Risíveis Amores
  • "O humor: centelha divina que descobre o mundo na sua ambigüidade moral e o homem em sua profunda incompetência para julgar os outros: o humor: embriaguez da relatividade das coisas humanas, estranho prazer nascido da certeza de que não há certeza."
- Os Testamentos Traídos
  • "Será que o amor absoluto não significa que devemos amar o outro com tudo que há nele e sobre ele, inclusive as suas sombras?"
- A Valsa dos Adeuses
  • "Atravesso o presente de olhos vendados, mal podendo pressentir aquilo que estou vivendo... Só mais tarde, quando a venda é retirada, percebo o que foi vivido e compreendo o sentido do que se passou..."
- Risíveis Amores
  • "Pontevin faz uma pausa prolongada. É o mestre das pausas prolongadas. Sabe que só os tímidos as receiam e se precipitam, quando não sabem que responder, em frases embaraçadas que os tornam ridículos. Pontevin sabe calar-se tão soberanamente que a própria Via Láctea, impressionada pelo seu silêncio, fica, impacientemente, à espera da resposta. Sem soprar palavra, olha para Vincent que, não se sabe porquê, baixa timidamente os olhos"
- A Lentidão

A Brincadeira[editar]

  • "Não quero dizer com isso que havia deixado de amá-la, que a esquecera, que sua imagem desbotara; ao contrário; ela morava em mim dia e noite, como uma silênciosa nostalgia; eu a desejava como se desejam as coisas perdidas pra sempre."
- A Brincadeira
  • "Mas diga-me: cético como é, como consegue diferenciar o cenário da parede? Como consegue distinguir que as ilusões das quais zomba sejam de fato apenas ilusões? E se fossem valores e você um destruidor de valores? Um valor degradado e uma ilusão desmascarada têm ambos o mesmo corpo deplorável e nada mais fácil que confundí-los!"
- A Brincadeira

A Imortalidade[editar]

  • "É preciso definir o homem sentimental não como uma pessoa que experimenta sentimentos (porque todos somos capazes de experimentá-los), mas como uma pessoa que os valorizou. Desde que o sentimento seja considerado como um valor, todo mundo quer experimentá-lo; e como todos nós temos orgulho de nossos valores, é grande a tentação de exibir nossos sentimentos."
- A Imortalidade
  • "A armadilha do ódio é que ele nos prende muito intimamente ao adversário"
- A Imortalidade
  • "Não é fácil queimarmos documentos íntimos que nos são queridos, é como se confessássemos a nós próprios que já não temos tempo, que vamos morrer amanhã; assim vamos sempre adiando o ato de destruição, e um dia é já tarde demais. Contamos com a imortalidade e esquecemo-nos de contar com a morte."
- A Imortalidade

O Livro do Riso e do Esquecimento[editar]

  • "Ele deixa tão claro como o dia o que é, sem nominá-la... porque existem sentimentos demais pra poucas definições e palavras... e eles são tão generalizados... e a Litost, nada mais era (antes desse livro) um sentimento tão obscuro, que apesar de estar ali não notava sua existência!"
- O Livro do Riso e do Esquecimento
  • "Nós escrevemos porque nossos filhos se desinteressaram de nós"
- O Livro do Riso e do Esquecimento
  • "As mulheres não preferem os homens bonitos, mas sim os homens que tiveram as mulheres bonitas"
- O Livro do Riso e do Esquecimento

A Insustentável Leveza do Ser[editar]

  • "No começo do Gênese está escrito que Deus criou o homem para reinar sobre os pássaros, os peixes e outros animais. É claro Gênese foi escrito por um homem e não por um cavalo. Nada nos garante que Deus desejasse realmente que o homem reinasse sobre as outras criaturas. É mais provável que o homem tenha inventado Deus para santificar o poder que usurpou da vaca e do cavalo. O direito de matar um veado ou uma vaca é a única coisa sobre a qual a humanidade inteira manifesta acordo unânime, mesmo durante as guerras mais sangrentas."
- A Insustentável Leveza do Ser; Sétima parte
  • "São precisamente as perguntas para as quais não existem respostas que marcam os limites das possibilidades humanas e traçam as fronteiras da nossa existência".
- A Insustentável Leveza do Ser, pág. 143
  • "Tomas repete para si mesmo o provérbio alemão: einmal ist keinmal, uma vez não conta, uma vez é nunca. Não poder viver mais do que uma vida é como não viver nunca."
- A Insustentável Leveza do Ser, pág. 14
  • "Antes de sermos esquecidos,seremos transformados em kitsch.O kitsch é a estação intermediária entre o ser e o esquecimento."
- A Insustentável Leveza do Ser, pág. 279
  • "Os amores são como impérios: desaparecendo a idéia sobre a qual foram construídos, morrem junto com ela."
- A Insustentável Leveza do Ser
  • "Se pode com razão, criticar o homem por ser cego a esses acasos, privando a vida da sua dimensão de beleza."
- A Insustentável Leveza do Ser
  • "As metáforas são muito perigosas. Não se brinca com as metáforas. O amor pode nascer de uma simples metáfora."
- A Insustentável Leveza do Ser
  • "Aquilo que não é consequência de uma escolha não pode ser considerado nem mérito nem fracasso"
- A Insustentável Leveza do Ser
  • "Mesmo nossa própria dor não é tão pesada como a dor co-sentida com outro, pelo outro, no lugar do outro, multiplicada pela imaginação, prolongada em centenas de ecos"
- A Insustentável Leveza do Ser
  • "Sentiu um peso, mas não era o peso do fardo e sim da insustentável leveza do ser"
- A Insustentável Leveza do Ser
  • "O mito do eterno retorno nos diz por antecipação que nós só vivemos uma vez, e sem repetições, portanto, nunca poderemos comparar uma situação com outra."
- A Insustentável Leveza do Ser
  • "Mas o que pode valer a vida, se o primeiro ensaio da vida, já é a própria vida."
- A Insustentável Leveza do Ser
  • "Tenho sempre diante dos olhos Tereza sentada sobre um tronco, acariciando a cabeça Karenin, e pensando no desvio da humanidade. Ao mesmo tempo, surge para mim uma outra imagem: Nietzsche esta saindo de um hotel em Turim. Vê diante de si um cavalo, e um cocheiro espancando-o com um chicote. Nietzsche se aproxima do cavalo, abraça-lhe o pescoço, e sob o olhar do cocheiro, explode em soluços. Isso aconteceu em 1889, e Nietzsche já estava também distanciado dos homens. Em outras palavras: foi precisamente nesse momento que se declarou sua doença mental. Mas, para mim, e justamente isso que confere ao gesto seu sentido profundo. Nietzsche veio pedir ao cavalo perdão por Descartes. Sua loucura (portanto seu divorcio da humanidade) começa no instante em que chora sobre o cavalo. E este Nietzsche que amo, da mesma forma que amo Tereza, acariciando em seus joelhos a cabeça de um cachorro mortalmente doente. Vejo-os lado a lado: os dois se afastam do caminho no qual a humanidade, "senhora e proprietária da natureza", prossegue sua marcha para a frente."
- A Insustentável Leveza do Ser
  • "Aquilo que o "eu " tem de único se esconde exatamente naquilo que o ser humano tem de inimaginável. Só podemos imaginar aquilo que é identico em todos os seres humanos, aquilo que lhes é comum . O "eu" individual é aquilo que se distingue do geral, portanto aquilo que não se deixa adivinhar nem calcular antecipadamente, aquilo que precisa ser desvelado, descoberto e conquistado do outro."
- A Insustentável Leveza do Ser
  • "O amor não se manifesta pelo desejo de fazer amor (pois isso se aplica a todas as mulheres) e sim pelo desejo o sono compartilhado (isso se aplica a uma só mulher)."
- A Insustentável Leveza do Ser
  • "A vida humana acontece só uma vez, e não poderemos jamais verificar qual seria a boa ou a má decisão, porque, em todas as situações, só podemos decidir uma vez. Não nos são dadas uma primeira, segunda, terceira ou quarta chance para que possamos comparar decisões diferentes"
- A Insustentável Leveza do Ser
  • "A história é tão leve quanto a vida do indivíduo, insustentavelmente leve, leve como uma pluma, como uma poeira que voa como uma coisa que vai desaparecer amanhã"
- A Insustentável Leveza do Ser
  • "Nunca somos nós mesmos quando há platéia."
- A Insustentável Leveza do Ser
  • "Mas era justamente o fraco que devia ser forte e partir quando o forte fosse fraco demais para poder ofender o fraco."
- A Insustentável Leveza do Ser
  • "Tinha uma vontade terrível de lhe dizer como as mais comuns das mulheres: não me deixe, guarde-me perto de você, escravize-me, seja forte! Mas eram palavras que não podia e não sabia pronunciar."
- A Insustentável Leveza do Ser
  • "Para ele, a música é libertadora: ela o liberta da solidão e da clausura, da poeira das bibliotecas, e lhe abre no corpo as portas por onde a alma pode sair para confraternizar."
- A Insustentável Leveza do Ser
  • "A nossa vida não é como um rascunho, a gente não pode simplesmente amassar o papel e começar tudo novamente."
- A Insustentável Leveza do Ser
  • "Não existe meio de verificar qual é a boa decisão, pois não existe termo de comparação. Tudo é vivido pela primeira vez e sem preparação. Como se um ator entrasse em cena sem nunca ter ensaiado. Mas o que pode valer a vida, se o primeiro ensaio da vida já é a própria vida? É isso que faz com que a vida pareça sempre um esboço. No entanto, mesmo "esboço" não é a palavra certa porque um esboço é sempre um projeto de alguma coisa, a preparação de um quadro, ao passo que o esboço que é a nossa vida não é o esboço de nada, é um esboço sem quadro."
- A Insustentável Leveza do Ser
  • "O que é vertigem? Medo de cair? Mas porque temos vertigem num mirante cercado por uma balaustra sólida? Vertigem não é o medo de cair, é outra coisa. É a voz do vazio debaixo de nós, que nos atrae e nos envolve, é o desejo da queda do qual nos defendemos aterrorizados."
- A Insustentável Leveza do Ser
  • "Torturava-se com recriminações, mas terminou por se convencer de que era no fundo normal que não soubesse o que queria: nunca se pode saber aquilo que se deve querer pois só se tem uma vida e não se pode nem compará-la com as vidas anteriores nem corrigi-la nas vidas posteriores."
- A Insustentável Leveza do Ser
  • "Karenin dera à luz dois croissants e uma abelha. Olhava com espanto sua estranha prole. Os croissants ficavam quietos mas a abelha aturdida zunia sem parar; daí a pouco, desapareceu voando. Era um sonho que Tereza acabara de ter. Ao acordar, contou-o a Tomas, e ambos se sentiram consolados: esse sonho transformava a doença de Karenin em gravidez e o drama do nascimento tinha uma solução cômica e comovente: dois croissants e uma abelha."
- A Insustentável Leveza do Ser
  • "Nunca se poderá determinar com certeza em que medida nosso relacionamento com o outro é o resultado de nossos sentimentos, de nosso amor, de nosso não-amor, de nossa complacência, ou de nosso ódio, e em que medida ele é determinado de saída pelas relações de força entre os indivíduos. A verdadeira bondade do homem só pode se manifestar com toda a pureza, com toda a liberdade, em relação àqueles que não representam nenhuma força. O verdadeiro teste moral da humanidade ( o mais radical, num nível tão profundo que escapa a nosso olhar) são as relações com aqueles que estão à nossa mercê: os animais. É aí que se produz o maior desvio do homem, derrota fundamental da qual decorrem todas as outras."
- A Insustentável Leveza do Ser; Sétima parte
  • "O sono compartilhado é o corpo de delito do amor."
- A Insustentável Leveza do Ser
  • "O que importava era o traço dourado, o traço mágico que ela havia imprimido na vida dele e que ninguém poderia tirar."
- A Insustentável Leveza do Ser
  • "Nesse mundo tudo é perdoado por antecipação e tudo é, portanto, cinicamente perdido."
- A Insustentável Leveza do Ser
  • "Tomas compreendeu uma coisa. Todo mundo lhe sorria, todo mundo queria que ele escrevesse a retratação, retratando-se faria todo mundo feliz. Uns ficavam contentes porque a proliferação da covardia banalizava suas próprias condutas, devolvendo-lher a honra perdida. Outros estavam acostumados a ver em sua honra um privilégio particular, do qual não queriam abrir mão. Também nutriam um amor secreto pelos covardes. Sem eles, sua coragem seria um esforço banal e inútil - ninguém a admiraria."
- A Insustentável Leveza do Ser
  • "O kitsch é a negação da merda."
- A insustentável Leveza do Ser
  • "O kitsch é a estação intermediária entre o ser e o esquecimento."
- A insustentável Leveza do Ser
  • "Eu a desejava como se desejam todas as coisas perdidas para sempre."
- A insustentável Leveza do Ser
  • "Disse a si mesmo: existem duas rodas dentadas que giram em sentido inverso no mecanismo de relojoaria do cérebro. Numa estão as visões, na outra as reações do corpo. O dente sobre o qual está gravada a visão de uma mulher nua encaixa no dente oposto, sobre o qual está inscrito o imperativo da ereção. Quando a engrenagem se altera, por qualquer motivo, e o dente correspondente à excitação entra em contato com o dente sobre o qual está desenhada a imagem de uma andorinha em pleno vôo, nosso sexo endurece à vista da andorinha."
- A insustentável Leveza do Ser

Atribuídas[editar]

- citado em "Frases Geniais" - Página 15, de PAULO BUCHSBAUM - Editora Ediouro Publicações, ISBN 8500015330, 9788500015335
  • "Os cães são o nosso elo com o paraíso. Eles não conhecem a maldade, a inveja ou o descontentamento. Sentar-se com um cão ao pé de uma colina numa linda tarde, é voltar ao Éden onde ficar sem fazer nada não era tédio, era paz."
- citado em "Dolly mudou a minha vida" - Página 7, Christiane Campello Costa, Editora AGE Ltda, 2008, ISBN 8574974188, 9788574974187, 174 páginas
  • "A luta do homem contra o poder é a luta da memória contra o esquecimento."
- Milan Kundera citado em "Ponche verde" - página 47, Janer Cristaldo - Nórdica, 1986, ISBN 8570070764, 9788570070760 - 279 páginas


Question book-3.svg Este artigo ou secção não cita as suas fontes ou referências. Ajude a melhorar este artigo providenciando fontes fiáveis e independentes.
  • "Esse direito - o de matar um veado ou uma vaca - nos parece natural porque nós estamos no alto da hierarquia. Mas bastaria que um terceiro entrasse no jogo, por exemplo, um visitante de outro planeta a quem Deus tivesse dito: Tu reinarás sobre as criaturas de todas as outras estrelas, para que toda a evidência do Gênese fosse posta em dúvida. O homem atrelado à carroça de um marciano - eventualmente grelhado no espeto por um visitante da Via-Láctea - talvez se lembrasse da costeleta de vitela que tinha o hábito de cortar em seu prato. Pediria (tarde demais), desculpas à vaca."
  • "Os extremos delimitam a fronteira para além da qual a vida termina, e a paixão pelo extremismo, tanto em arte como em política, é um desejo de morte disfarçado." [carece de fontes?]
  • "Torturava-se com recriminações, mas terminou por se convencer de que era no fundo normal que não soubesse o que queria: nunca se pode saber aquilo que se deve querer, pois só se tem uma vida e não se pode compará-la com as vidas anteriores nem corrigi-la nas vidas posteriores." [carece de fontes?]
  • "Não existe meio de verificar qual é a boa decisão, pois não existe termo de comparação. Tudo é vivido pela primeira vez e sem preparação. Como se um ator entrasse em cena sem nunca ter ensaiado. Mas o que pode valer a vida, se o primeiro ensaio da vida já é a própria vida? É isso que faz com que a vida pareça sempre um esboço. No entanto, mesmo "esboço" não é a palavra certa porque um esboço é sempre um projeto de alguma coisa, a preparação de um quadro, ao passo que o esboço que é a nossa vida não é o esboço de nada, é um esboço sem quadro." [carece de fontes?]
  • "No fim do verdadeiro amor, existe a morte, e só o amor no fim do qual existe a morte é o amor." [carece de fontes?]
  • "Percebi com espanto que as coisas concebidas pelo engano são tão reais quanto as coisas concebidas pela razão e pela necessidade." [carece de fontes?]
  • "Pra que um amor seja inesquecível, é preciso que os acasos se encontrem nele desde o primeiro instante como os pássaros nos ombros de São Francisco de Assis." [carece de fontes?]
  • "O movimento dos corpos parecia desenrolar uma longa película-cinematográfica, projetando sobre o rosto, como que sobre a tela de um televisor, um filme cativante cheio de perturbação, de espera, de explosão, de dor, de gritos, de emoção e de raiva." [carece de fontes?]