Matias Aires

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Matias Aires
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Matias Aires (27 de março de 1705 - 10 de dezembro de 1763). Filósofo e escritor nascido no Brasil Colônia, patrono da cadeira 6 da Academia Brasileira de Letras. Considerado por muitos o maior nome da Filosofia de Língua Portuguesa do século XVIII.


Obras[editar]

  • Quem são os homens mais do que a aparência de teatro? A vaidade e a fortuna governam a farsa desta vida. Ninguém escolhe o seu papel, cada um recebe o que lhe dão. Aquele que sai sem fausto nem cortejo e que logo no rosto indica que é sujeito à dor, à aflição, à miséria, esse é o que representa o papel de homem. A morte, que está de sentinela, em uma das mãos segura o relógio do tempo. Na outra, a foice fatal. E com esta, em um só golpe, certeiro e inevitável, dá fim à tragédia, fecha a cortina e desaparece.
- "Reflexões sobre a vaidade dos homens, ou discursos moraes sobre os effeitos da vaidade e Carta sobre a Fortuna", 3a Edição"‎ - Matias Aires - Imprensa Nacional., 1761[1] Citado por Ariano Suassuna em conferência.
  • "A vaidade até se estende a enriquecer de adornos o mesmo pobre horror da sepultura."
- "Reflexões sobre a vaidade dos homens, ou discursos moraes sobre os effeitos da vaidade e Carta sobre a Fortuna", 3a Edição"‎ - Página 33, Matias Aires - Imprensa Nacional., 1761[2]
  • "A vaidade nos ensina, que as ações heróicas se fazem imortais por meio das narrações da história."
- "Reflexões sobre a vaidade dos homens, ou discursos moraes sobre os effeitos da vaidade e Carta sobre a Fortuna", 3a Edição"‎ - Página 49, Matias Aires - Imprensa Nacional., 1761
  • "De tôdas as paixões, quem mais se esconde, é a vaidade: e se esconde de tal forma, que a si mesma se oculta."
- "Reflexões sobre a vaidade dos homens, ou discursos moraes sobre os effeitos da vaidade e Carta sobre a Fortuna", 3a Edição"‎ - Página 35, Matias Aires - Imprensa Nacional., 1761
  • "O heroísmo, e a nobreza, eram qualidades pessoais, e não hereditárias; uma, e outra dependiam de ações heróicas, e em ambas era necessário o requisito do poder."
- "Carta sobre a Fortuna", Carta anexada nas Reflexões"‎ - Página 239, Matias Aires - Imprensa Nacional., 1755
  • "Não há maior injúria que o desprezo; e é porque o desprezo todo se dirige, e ofende a vaidade; por isso a perda da honra aflige mais que a da for-tuna; não porque esta deixe de ter um objeto mais certo, e mais visível, mas porque aquela tôda se compõe de vaidade, que é em nós a parte mais sensível."
- "Reflexões sobre a vaidade dos homens, ou discursos moraes sobre os effeitos da vaidade e Carta sobre a Fortuna", 3a Edição"‎ - Página 35, Matias Aires - Imprensa Nacional., 1761
  • "A razão não nos fortalece contra os males, que resultam da vaidade, antes nos expõe a tôda a atividade deles; porque induzida pela mesma vaidade só nos mostra que devemos sentir, sem discorrer sôbre a qualidade do sentimento."
- "Reflexões sobre a vaidade dos homens, ou discursos moraes sobre os effeitos da vaidade e Carta sobre a Fortuna", 3a Edição"‎ - Página 44, Matias Aires - Imprensa Nacional., 1761


Problema de arquitetura civil (1777)[editar]

  • "É sempre incerto o modo como as terras se petrificam; e da mesma sorte o tempo primeiro que as petrifica."
- "Problema de Architectura Civil", Lisboa: Na Offic. de Antonio Rodrigues Galhardo, Impressor da Real Meza Censoria- [ Página 23], Matias Aires - Imprensa Nacional., 1778[3]
  • "Os químicos discorrem eruditamente sobre a matéria da petrificação, entretanto, até o presente, ninguém conseguiu com sublime engenho ou com segredo raro confeccionar uma mínima porção de pedra de qualquer espécie ou gênero."
- "Problema de Architectura Civil", Lisboa: Na Offic. de Antonio Rodrigues Galhardo, Impressor da Real Meza Censoria - [ Página 22], Matias Aires - Imprensa Nacional., 1778

Carta sobre a fortuna [editar]

  • "A fortuna não é tão bela como parece, e creio que o cálice da fortuna não é muitas vezes menos amargo que o da desgraça. Também a fortuna tem seu cálice e suas amarguras, e essas talvez sejam mais penosas de se tragar."
- "Carta sobre a fortuna", incluída na 3a edição das Reflexões. 1763.[4]
  • "A fortuna sempre se disfarça semelhante à beleza enganadora, que, para ser mais apetecida, reveste-se de ornatos lisonjeiros e aparentes. Quem duvida que a beleza que se enfeita, ou se cobre de artifícios é para encobrir alguma fealdade natural."
- "Carta sobre a fortuna", incluída na 3a edição das Reflexões. 1763.
  • "Ela não pode tirar o conhecimento próprio de que eu não a mereço e o seu conhecimento servir-me-ia apenas de flagelo, não de ventura; porque preferiria antes escolher a desgraça - sabendo merecer fortuna – do que a fortuna, sabendo merecer desgraça. Quero as coisas mais justamente, que felizmente; porque toda consciência parece se afligir com a ventura desmerecida, e mais satisfeita por merecer do que por alcançar. A verdadeira felicidade deve ser interior, e o contentamento não é puro quando vem de uma falsa causa."
- "Carta sobre a fortuna", incluída na 3a edição das Reflexões. 1763.


Sobre Matias Aires[editar]

  • "[...]não posso deixar de me referir de passagem, aqui, a esse grande homem, o qual, além do grave pensamento que nos legou, escreve nesta extraordinária Língua portuguesa com tanta dignidade, tanta eloquência verdadeira, tanto vigor, tanta concisão, e sobretudo com um gume tão acerado a servico do escárnio do mundo e dos homens, tateando no escuro, no barro e no fogo que queima o apodrecido, à procura do lume da Verdade, até que, quando o encontra cai sobre ele como um Gavião, com uma força de rapina realmente espantosa."
- "Reflexão sobre Matias Aires. (Reflection about Matias Aires)", por Ariano Suassuna. Revista Pesquisa Histórica. CLIO. Programa de Pós-Graduação em História da UFP. eISSN: 2525-5649.


Referências

  1. Reflexões sobre a vaidade dos homens, ou discursos moraes sobre os effeitos da vaidade e Carta sobre a Fortuna- Imprensa Nacional., 1761
  2. Reflexões sobre a vaidade dos homens, ou discursos moraes sobre os effeitos da vaidade e Carta sobre a Fortuna- Imprensa Nacional., 1761
  3. Problema de Architectura Civil Lisboa : Na Offic. de Antonio Rodrigues Galhardo, Impressor da Real Meza Censoria. *Com licença da mesma Real Meza. De acordo com Moraes, "os exemplares datados 1778 são muito raros". Abaixo do título: demonstrado por Mathias Ayres Ramos da Silva de Eça, Provedor, que foi da Caza da Moeda desta Corte: e autor da Reflexoens sobre a Vaidade dos Homens, que dedica, e offerece ao senhor Gonçalo Jozé da Silva Preto, Fidalgo da Casa de Sua Magestade, do seu Conselho.
  4. Aires, Matias. Carta sobre a fortuna, incluída na 3a edição das Reflexões.