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Massacre de Realengo

Origem: Wikiquote, a coletânea de citações livre.
Massacre de Realengo
Massacre de Realengo
Massacre de Realengo
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O Massacre de Realengo foi um crime ocorrido no dia 7 de abril de 2011 na Escola Municipal Tasso da Silveira na cidade do Rio de Janeiro. O massacre deixou 13 mortos: 12 alunos mais o criminoso, Wellington de Oliveira.

Carta de suicídio

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“Primeiramente deverão saber que os impuros não poderão me tocar sem luvas, somente os castos ou os que perderam suas castidades após o casamento e não se envolveram em adultério poderão me tocar sem usar luvas, ou seja, nenhum fornicador ou adúltero poderá ter um contato direto comigo, nem nada que seja impuro poderá tocar em meu sangue, nenhum impuro pode ter contato direto com um virgem sem sua permissão, os que cuidarem de meu sepultamento deverão retirar toda a minha vestimenta, me banhar, me secar e me envolver totalmente despido em um lençol branco que está neste prédio, em uma bolsa que deixei na primeira sala do primeiro andar, após me envolverem neste lençol poderão me colocar em meu caixão. Se possível, quero ser sepultado ao lado da sepultura onde minha mãe dorme. Minha mãe se chama Dicéa Menezes de Oliveira e está sepultada no cemitério Murundu. Preciso de visita de um fiel seguidor de Deus em minha sepultura pelo menos uma vez, preciso que ele ore diante de minha sepultura pedindo o perdão de Deus pelo o que eu fiz rogando para que na sua vinda Jesus me desperte do sono da morte para a vida eterna.
Eu deixei uma casa em Sepetiba da qual nenhum familiar precisa, existem instituições pobres, financiadas por pessoas generosas que cuidam de animais abandonados, eu quero que esse espaço onde eu passei meus últimos meses seja doado a uma dessas instituições, pois os animais são seres muito desprezados e precisam muito mais de proteção e carinho do que os seres humanos que possuem a vantagem de poder se comunicar, trabalhar para se alimentarem, por isso, os que se apropriarem de minha casa, eu peço por favor que tenham bom senso e cumpram o meu pedido, por cumprindo o meu pedido, automaticamente estarão cumprindo a vontade dos pais que desejavam passar esse imóvel para meu nome e todos sabem disso, senão cumprirem meu pedido, automaticamente estarão desrespeitando a vontade dos pais, o que prova que vocês não tem nenhuma consideração pelos nossos pais que já dormem, eu acredito que todos vocês tenham alguma consideração pelos nossos pais, provem isso fazendo o que eu pedi.”
- Carta de suicídio de Wellington Menezes de Oliveira.
- Fonte: R7. Data: 7 de abril de 2011.[1]

Citações por pessoa

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Presidente do Brasil
  • “Hoje, temos também que lamentar o fato que aconteceu em Realengo com crianças indefesas. Não era característica do país ocorrer este tipo de crime. Por isso, considero que todos aqui, homens e mulheres, estamos unidos no repúdio àquele ato de violência, no repúdio a esse tipo de violência sobretudo a crianças indefesas”
- A presidente deixou de discursar sobre a marca alcançada de formalização de trabalhadores para pedir um minuto de silêncio em homenagem às vítimas do massacre.
- Fonte: G1. Data: 7 de abril de 2011[2]
  • “Encerro meu pronunciamento cumprimentando os empreendedores individuais, mas, sobretudo, homenageando crianças inocentes que perderam a vida e o futuro neste dia, lá em Realengo. Por isso, proponho um minuto de silêncio para que nós mostremos a nossa homenagem a esses brasileirinhos que foram tirados tão cedo da vida”
- Dilma encerrando seu pronunciamento no dia do ataque.
- Fonte: G1. Data: 7 de abril de 2011[2]
  • “Esse é um país que sempre teve uma relação de grande carinho cultural pelas crianças. É inadmissível violência em geral, mas a violência contra as crianças coloca todos nós em sensação de grande repúdio”
- Fonte: G1. Data: 7 de abril de 2011.[3]

Dilson Pereira

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Diretor do Hospital Estadual Albert Schweitzer, onde a maioria das vítimas foi socorrida
  • ““Vai ser difícil apagar a imagem das crianças feridas chegando, dos parentes à procura de informações. A equipe toda está muito abalada”
- Fonte: G1. Data: 8 de abril de 2011.[4]
  • “Eu olhava para os profissionais e vi muitos deles respirando, tentando se conter, pedindo para parar um pouco para respirar e voltar ao tratamento das vítimas. A gente tenta manter um equilíbrio, mas quando você chega sozinho e deita para dormir, não tem como, você extravasa a emoção. Se eu não tivesse extravasado essa emoção quando cheguei em casa, eu acho que não estaria aqui hoje”
- Fonte: G1. Data: 8 de abril de 2011.[4]
  • “Estávamos iniciando um dia de trabalho. Todas às quintas realizamos uma reunião com todas as chefias do hospital e, às 8h30, recebemos a comunicação de que havia chegado uma criança baleada na cabeça. E esse é o tipo de informação que não é comum. É daquele tipo que causa comoção”
- Fonte: G1. Data: 8 de abril de 2011.[4]
  • “Imediatamente ligamos para os outros andares do hospital e solicitamos que os profissionais fossem para a emergência. A gente viveu uma situação que jamais pensaria viver”
- O médico relata que, logo que a equipe recebeu a notícia de que tinha muita criança baleada sendo levada para o hospital chamou toda os os médicos para a emergência.
- Fonte: G1. Data: 8 de abril de 2011.[4]
Presidente do Senado
  • “De certo modo, isso é um ato de terrorismo quando a gente procura atingir civis. Não é da nossa tradição atos dessa natureza. Precisamos parar de uma vez com isso para que isso não floresça”
- Fonte: G1. Data: 7 de abril de 2011.[5]

Márcio Alves

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Sargento da Polícia Militar
  • “Seguimos para a escola. Eu cheguei, já estavam ocorrendo os tiros, e, no segundo andar, eu encontrei o meliante saindo de uma sala. Ele apontou a arma em minha direção, foi baleado, caiu na escada e, em seguida, cometeu suicídio”
- O sargento Márcio Alves, da Polícia Militar, fazia uma blitz perto da escola quando foi chamado por um aluno baleado.
- Fonte: G1. Data: 7 de abril de 2011.[6]
  • “Ele estava com um olhar transtornado, determinado a continuar aquela chacina”
- Sargento Márcio Alves que interceptou e alvejou o autor do atentado.
- Fonte: G1. Data: 7 de abril de 2011.[7]
  • “Não me considero herói, tive apoio de mais dois companheiros, cumpri o meu dever.”
- Sargento Márcio Alves que interceptou e alvejou o autor do atentado.
- Fonte: G1. Data: 7 de abril de 2011.[7]
  • “Se eu tivesse chegado cinco minutos antes, teria evitado”
- Sargento Márcio Alves que interceptou e alvejou o autor do atentado.
- Fonte: G1. Data: 7 de abril de 2011.[8]
  • “Depois de tudo, teve uma criança que me agradeceu muito. Ela me abraçou e me deu um beijo”
- Sargento Márcio Alves que interceptou e alvejou o autor do atentado.
- Fonte: G1. Data: 7 de abril de 2011.[8]

Sérgio Côrtes

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Secretário de Saúde do Rio de Janeiro
  • “É uma situação muito triste. Nunca ia esperar experimentar na minha vida uma experiência como essa. Vi toda a equipe nos corredores (do hospital). As pessoas chorando desesperadas. É uma situação de violência desnecessária contra crianças
- Fonte: G1. Data: 7 de abril de 2011.[9]

Relatos de sobreviventes

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  • “O cara entrou, foi para o terceiro andar e começou a atirar. As crianças disseram que foi pai de aluno. Vimos muitas crianças carregadas, desacordadas, baleadas”
- Funcionária da escola que não quis se identificar.
- Fonte: G1. Data: 7 de abril de 2011.[9]
  • “Começamos a ouvir tiros. Com o eco, parecia que uma coisa estava desabando. Todo mundo correu. Depois, a professora chegou dizendo que o cara chegou atirando em uma sala. Foi um desespero”
- Funcionária da escola que não quis se identificar.
- Fonte: G1. Data: 7 de abril de 2011.[10]
  • “A professora mandou todo mundo abaixar e trancou a porta. Foi terrível. Fiquei muito nervoso. Pensei que fosse morrer”
- Aluno sobrevivente de 10 anos que não quiz se identificar.
- Fonte: G1. Data: 7 de abril de 2011.[10]
  • “Ele estava bem vestido. Subiu para o segundo andar e eu ouvi dois tiros. Depois, todos os alunos subiram para suas salas. Depois ele subiu para o terceiro andar, onde é a minha sala, entrou e começou a atirar … Ele começou a atirar. Eu me agachei e, quando vi, minha amiga estava atingida. Ele matou minha amiga dentro da minha sala”
- Aluna de 12 anos, sobrevivente do massacre.
- Fonte: G1. Data: 7 de abril de 2011.[11]
  • “Ele entrou primeiro no primeiro andar, ele chegou falando assim: ‘vou matar vocês’. Eu escutava muitos tiros, muitos tiros, e um monte de crianças gritando. Aí nisso que ele já tinha matado algumas crianças e deixado feridas, crianças no primeiro andar, no pátio, aí ele subiu pro primeiro aí no primeiro ele matou muitas crianças também”
- Jade Ramos, aluna sobrevivente do massacre.
- Fonte: G1. Data: 7 de abril de 2011.[12]
  • “Quando eu subi pro segundo, veio duas alunas falando assim, ‘sobem, sobem que senão ele vai matar vocês, é melhor vocês subirem’. Aí eu fui lá e falei assim: ‘meu Deus, que será que vai acontecer comigo?”
- Jade Ramos, aluna sobrevivente do massacre.
- Fonte: G1. Data: 7 de abril de 2011.[12]
  • “Ele ia atirando no pé das crianças pra não subirem, ia mandando as crianças virarem pra parede que ele ia atirar nelas. Aí as crianças falavam ‘não atira em mim, não atira em mim, por favor, por favor moço’. Aí ele ia lá e atirava na cabeça das crianças”
- Jade Ramos, aluna sobrevivente do massacre.
- Fonte: G1. Data: 7 de abril de 2011.[12]
  • “O professor trancou a porta, botou cadeira, mesa, estante, o armário, caderno, tudo, aí mandou todo mundo abaixar, ele abaixou também, e vários alunos também estavam desmaiados na sala de aula, acontecendo um monte de coisa, gritavam, e o professor falava ‘não gritem, não gritem, silêncio’, aí eu agachei e fiquei desenhando uma casa na minha mão, com a única coisa que eu consegui pegar (uma canetinha)”
- Jade Ramos, aluna sobrevivente do massacre.
- Fonte: G1. Data: 7 de abril de 2011.[12]
  • “Eu queria agradecer o policial, dois policiais que salvaram a minha vida, rendendo esse atentado. Aí eu fui lá e queria agradecer muito eles que salvaram a minha vida, senão eu não sei o que seria de mim. E também eu tenho pena dos que morreram e não estão aqui pra contar a história”
- Jade Ramos, aluna sobrevivente do massacre.
- Fonte: G1. Data: 7 de abril de 2011.[12]
  • “Foram pelo menos dez minutos de tiro sem parar. O professor de geografia mandou todo mundo deitar no chão e saiu da sala trancando a turma pelo lado de fora, pois era o único jeito de trancar a gente lá. Quando eu saí, eu vi cena de guerra, de terror. Vai ser difícil voltar a estudar aqui. Não é nem pelo atentado, pelos amigos que perdi”
- Riccele Ponce, de 15 anos, sobrevivente do massacre.
- Fonte: G1. Data: 7 de abril de 2011.[6]
  • “A professora mandou todo mundo abaixar e trancou a porta. Foi terrível. Fiquei muito nervoso. Pensei que fosse morrer”
- Marcus Vinicius, de 10 anos, sobrevivente do massacre.
- Fonte: G1. Data: 7 de abril de 2011.[6]
  • “Ele matava as meninas com tiros na cabeça. Nas meninas, ele atirava para matar. Nos meninos, os tiros eram só para machucar, nos braços ou nas pernas”
- Mateus Moraes, de 13 anos, sobrevivente do massacre.
- Fonte: G1. Data: 7 de abril de 2011.[13]
  • “Estava no meio da aula de português quando ele apareceu. Só pedi a Deus para ele não me matar. E ele falou para eu ficar tranquilo que eu não ia morrer. Fiquei orando e pedindo a Deus para me guardar”
- Mateus Moraes, de 13 anos, sobrevivente do massacre.
- Fonte: G1. Data: 7 de abril de 2011.[13]
  • “O que eu vi foi uma tragédia que nunca mais vai sair da minha cabeça. Na sala de aula do primeiro andar as crianças estavam amontoadas, todas mortas, cheias de sangue. As meninas estavam separadas dos meninos, mas todas juntas, perto da parede”
- O porteiro Ivo Rodrigues dos Santos, de 54 anos, que ajudou a socorrer várias vítimas.
- Fonte: G1. Data: 8 de abril de 2011.[14]

Referências