Carlos Vaz

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Carlos Vaz
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Carlos Rodrigo da Silva Vaz (Caminha, 21 de Junho de 1970 - ), escritor contemporâneo de língua portuguesa. Autor de livros como Seres de Rã, Casa de Al'isse, Capricho 43, etc.

Literatura[editar]

  • "Os livros que provocam o medo têm o dom de se darem ao abandono a quem não está preparado para os acolher, por não terem amadurecido o modo de entrar na Casa (texto) - é uma questão de persistência e de crescimento."
- In: A Casa de Al'isse, Ed. Labirinto.
  • "A escrita é somente a metade de um monstro que devora a metade de humano."
- Ibidem
  • "Para crescer, o corpo tem de ser uma mala de viagem."
- in Capricho 43, Ed. Labirinto.
  • "A ideia de que o romance atingiu o seu esgotamento literário, por não possibilitar o progresso na conquista do ser, originou na literatura contemporânea o sentimento firme e inevitável da morte do romance. De facto, o romance, que ainda perdura no nosso século, insiste na falta de inovação estética ao limitar-se à verosimilhança do humano, impedindo a própria progressão na sucessão das descobertas do ser."
- In: Diários de um Real-Não-Existente, Ed. Labirinto.
  • "A escrita é um corpo puxado pela gravidade, não pela gravidade terrestre, como grande parte dos escritores entendem, e por isso escrevem sempre o real, sobre o real, com o real, escrevem o real do real do real…"
- In Capricho 43, Ed. Labirinto.
  • "(...) todo o escritor seria um mentiroso, se não fosse um contador de histórias, e a mentira seria tanto maior quanto a sua imaginação."
- Ibidem
  • "(...)os escritores são testemunhas do seu quotidiano, fazendo parte da coabitação com o poder. Passam-se por estúpidos, pagam as suas contas, acreditam na democracia do prazer efémero, são-no no poder e não podem ser de outra forma, a não ser que se isolem total no eremitismo, como em certos casos. Mas entre o ser, o parecer e o não-ser há uma grande diferença que demarca a singularidade de cada um."
- In Alguns Escritores São Criaturas Estupidas (A Tricotadeira de Ariadne) - Minotauro., Ed. Labirinto.

Humanidade[editar]

  • "O homem não é aquele ser que sabe que vai morrer, mas sim aquele que, apesar de o saber, esquece que vai morrer."
- In: A Casa de Al'isse, Ed. Labirinto.
  • "Os lobos mansos vivem em rebanho para se protegerem."
- In: Laivo, Ed. Pizzicato.
  • "Face ao abismo das incertezas, cabe-nos o papel de funâmbulo. Somos como palhaços a andar na corda bamba: percebi, não percebi. Apenas uma certeza nos sustém por cima do abismo que nos chama, a corda que nos aguenta – que faz de nós marionetas do espaço."
- In: Capricho 43, Ed. Labirinto

Arte[editar]

Goya - O Sonho da Razão Produz Monstros, Capricho 43 - 1799
  • "Sinto-me fascinado por Goya, sobretudo pelo conjunto de gravuras que o pintor intitulou de Caprichos. Dessas obras, a que reteve o meu sonho foi a primeira que só depois avançou 43 casas no tabuleiro. A obra em causa pertencia, inicialmente, a um grupo de sombras que procurava o Ydioma Universal: o Capricho 43."
- In: Capricho 43, Ed. Labirinto
  • "Ao observar os traços de Goya, procuro a monstruosidade que falta nalguma arte. Na verdade, penso que esta se perdeu algures na cacofonia do que interpreta. Ultimamente, perdeu-se até da própria “fonia”, que ainda lhe dava algum som. Parte da arte que nos atropela é somente “caco”, se é que me entendem."
- Ibidem
Jacob (primeiro plano, à direita) e Wilhelm Grimm
  • "(...) cabe ao artista trazer para a realidade,o espaço que a educação não ensina, dou como exemplo a fabulosa escrita de Jacob e Wilhelm, os irmãos Grimm, a compilação de textos que ainda hoje chega até nós. De início, não eram propriamente textos infantis, pois, na tradição oral alemã, não eram destinadas ao público infantil, mas sim aos adultos. O erro destes irmãos foi o de dedicarem esta compilação apenas às crianças e darem somente a estas o destino dos contos mágico-maravilhosos. Ao contrário de alguns, não vejo a passividade e a sujeição, procuro antes, nestas histórias, as aprendizagens seculares que nos chegam pela monstruosidade dos seres. Tenho em mim a cicatriz da certeza, de que se deveria escrever para adultos como se fossem autênticas crianças, pois essa é a real emancipação do homem."
- Ibidem
  • "(...)não acredito na arte pela arte, que vise apenas a fruição e o prazer estético. Podia acabar assim, mas não acabei. Essa arte é vazia, própria do hedonismo que envolve o quotidiano que assassina. A arte atingiu o limite da permissividade, a arte perdeu as fronteiras, tudo é arte, tudo é permitido desde que perca a denúncia, por isso,a arte não pode sonhar, a arte tem de ter pesadelos. O pesadelo é o verdadeiro conteúdo."
- Ibidem

Economia[editar]

  • "A obesidade financeira é a verdadeira mãe de todas obras públicas."
- In: Textualino, Carlos Vaz, Ed. Labirinto.