Maria Antónia Fiadeiro
Aparência
| Maria Antónia Fiadeiro | |
|---|---|
| Nascimento | 1942 Lisboa |
| Morte | 31 de março de 2023 (80–81 anos) |
| Cidadania | Portugal |
| Ocupação | jornalista, escritora |
Maria Antónia Fiadeiro (Lisboa, 1942 - 31 de março de 2023) foi uma jornalista, escritora e feministas portuguesa. Defensora do direito ao aborto, foi pioneira dos estudos feministas em Portugal.
- "À luz do princípio de igualdade dos cidadãos perante a lei e à luz da consagração da liberdade de culto, a proibição do aborto é flagrantemente inconstitucional.
- A não legalização do aborto é ainda inconstitucional se pensarmos no Artigo 64, que garante o acesso de todos os cidadãos, independentemente das suas situações económicas, aos cuidados de medicina preventiva e curativa e de reabilitação. As diferentes condições das mulheres em relação ao parto, planeamento familiar e aborto, devem ser entendidas como desigualdade de situações perante cuidados médicos preventivos e curativos."
- - Fonte: Maria Antónia Fiadeiro, Aborto: o crime está na lei, Lisboa, Relógio d'Água, 1983, Cadernos de reportagem, n° 3, p. 26-27.
- "Mas a problemática feminina não enfrenta apenas as resistências das mentalidades conservadoras, das crenças religiosas, e das heranças de um passado histórico. Enfrenta, e também com alguma violência, as resistências mais surpreendentes, ao nível de camadas progressistas e de organizações políticas. Isso explica que por exemplo, o direito o aborto só tardiamente tenha sido incluído como direito das classes trabalhadoras e incluído em cadernos reivindicativos de organizações sindicais."
- - Fonte: Maria Antónia Fiadeiro, Aborto: o crime está na lei, Lisboa, Relógio d'Água, 1983, Cadernos de reportagem, n° 3, p. 26-27.p.35
- "Eles sabem que o aborto faz parte da vida. Eles sabem que se fazem mais de cem mil por ano, quase duzentos mil, e que nas urgências dos hospitais aparecem, em cada meia hora por dia, mulheres desesperadas e aflitas com complicações pós-abortivas. Eles sabem que nas casas clandestinas, que são casas particulares e de famílias, se ganham centenas de contos limpos por mês, com esse negócio de ventres, à razão de 20 contos em números redondos, por barriga"
- - Fonte: Maria Antónia Fiadeiro, Aborto: o crime está na lei, Lisboa, Relógio d'Água, 1983, Cadernos de reportagem, n° 3, p.13.
- - 1 conto equivalia a 1000 escudos. Naquela altura, 10 contos era o equivalente ao salário mínimo em Portugal, pelo que o preço de um aborto clandestino equivalia a duas vezes o salário mínimo. [1]