Salman Rushdie

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Salman Rushdie
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Ahmed Salman Rushdie (Bombaim, Índia, 19 de junho de 1947, em ). Escritor.


Obras[editar]

Os Versículos Satânicos[editar]

  • "Para se nascer de novo, é preciso primeiro morrer."
  • "Abu Simbel e Baal agora a transpirar por todos os poros, chegaram juntos aos altares, colocados lado a lado, das três deusas mais amadas de Jahilia. Inclinam-se perante todas elas: Uzza, do rosto radioso, deusa da beleza e do amor; sombria, obscura Manat, de face escondida, propósitos misteriosos, deixando escorrer areia por entre os dedos - tem a seu cargo o fado dos homens -, é ela o Destino; e por fim a mais alta das três, a deusa-mãe, a quem os gregos chamavam Latona. Aqui chamam-lhe Ilat ou, mais frequentemente, Al-Lat. A deusa. Até o seu nome faz dela o oposto e o equivalente de Alá. Lat, a omnipotente!"
  • "O teu amo é muito protector, muito condescendênte. Mas Al-Lat não tem a menor vontade de ser filha dele. Ela é sua igual, como eu sou tua igual. Pergunta a Baal: ele conhece-a. Tal como me conhece a mim."
"Então o Grande Senhor vai faltar à sua palavra", diz Mahound {nome profano de Maomé}.
"Quem sabe?", escarnece Hind. "Nem ele próprio sabe ainda. Terá de pesar os prós e os contras. É fraco, como eu te disse.
Mas tu sabes que eu estou a dizer a verdade. Entre Alá e as Três não pode haver paz. Eu não a quero. Quero a guerra. Até à morte; a ideia que eu sou é assim. E tu, que tipo de ideia és?»

O último suspiro do mouro[editar]

  • “Perdi a conta dos dias que transcorreram desde que fugi dos horrores da fortaleza louca de Vasco Miranda, na aldeia de Benengeli, nas montanhas de Andaluzia; fugi da morte na escuridão da noite, deixando mensagem pregada na porta.”
  • “O que começou com perfume terminou com um fedor e tanto... Há algo em nós que por vezes explode, uma coisa que vive dentro de nós, comendo nossa comida, respirando o nosso ar, enxergando por nossos olhos, e quando essa coisa sai para brincar ninguém está imune; possessos, voltamo-nos uns contra os outros com impulsos assassinos, com a escuridão da Coisa nos olhos e armas de verdade nas mãos, vizinho contra vizinho, primo contra primo, irmão contra irmão, filho contra filho, todos possuídos pela Coisa.”
  • “até mesmo as lagartixas nas paredes foram capturadas e redistribuídas irmãmente dos dois lados da divisão central.”
  • “Em primeiro lugar: numa religião, tem mil e um deuses, eles de repente cismam que o bambambã é um só. E em Calcutá, por exemplo, onde Rama faz sucesso, como é que fica a coisa? E os templos de Siva, já não sai mais templos legítimos? É muita estupidez. Em segundo lugar: o hinduísmo é cheio de livros sagrados, não é um só; mas de repente só existe o Ramaiana. E o Gita? E os Puranas? Como é que eles têm a cara-de-pau de distorcer as coisas desse jeito? Só rindo! E em terceiro lugar: o hinduísmo não exige atos religiosos coletivos, mas sem isso como é que esses caras vão conseguir reunir multidões que eles adoram? Aí sem nem mais nem menos eles inventam essa tal de puja coletiva, que seria a única maneira correta de demonstrar devoção. Uma única divindade marcial, um único livro e a turba no poder: é nisso que eles transformaram a cultura hindu; com sua beleza multifacetada, sua paz.”

Haroun[editar]

  • "Era uma vez, no país de Alefbey, uma triste cidade, a mais triste das cidade, uma cidade tão arrasadoramente triste que tinha esquecido até o seu próprio nome. Ficava à margem de um mar sombrio, cheio de peixosos – peixes queixosos e pesarosos, tão horríveis de se comer que faziam as pessoas arrotarem de pura melancolia, mesmo quando o céu estava azul."
  • "Ao norte dessa triste cidade havia poderosas fábricas nas quais a tristeza (assim me disseram) era literalmente fabricada, e depois embalada e enviada para o mundo inteiro, que parecia sempre querer mais. Das chaminés das fábricas de tristeza saía aos borbotões uma fumaça negra, que pairava sobre a cidade como uma má notícia."
  • "Rashid Khalifa vivia tão ocupado inventando e contando suas histórias que nem reparou que Soraya não cantava mais; e provavelmente isso piorou ainda mais as coisas. Mas Rashid era um homem ocupadíssimo, extremamente solicitado: era o famoso Mar de Idéias, o grande Xá do Blábláblá. Com os ensaios e apresentações que tinha que fazer, RAshid vivia nos palcos, e acabou perdendo o pé do que acontecia na sua própria casa – sempre correndo pela cidade inteira e pelo país inteiro, contato histórias, enquanto Soraya ficava em casa, com uma nuvem negra em cima da cabeça e até uns trovõezinhos, preparando uma senhora tempestade."
  • Haroun queria saber por que seus pais não tinham tido mais filhos... Rashid explicou: “Nós gastamos todo o nosso material de fazer crianças só com você. Está tudo aí, daria pra mais umas quatro ou cinco criancinhas. Sim senhor, em você há mais coisas do que se vê num primeiro olhar.”
  • "Haroun queria pegar suas palavras de volta, arrancá-las de dentro do ouvido de seu pai e enfiá-las de volta na sua própria boca."

Shalimar, o equilibrista[editar]

  • "Aos vinte e quatro anos a filha do embaixado dormia mal nas noites quentes e sem surpresas."
  • “Haviam enterrado os maridos com quem passaram quarenta ou mesmo cinqüenta anos de vida desconsiderada. Curvadas, fracas, sem expressão, as velhas lamentavam os destinos misteriosos que haviam feito dar ali, afastadas, do outro lado do mundo, de seus pontos de origem. Falavam línguas estranhas que podiam ser georgiano, croata, uzbeque. Os maridos lhes falharam ao morrer. Eram pilares que desmoronaram, haviam pedido que confiassem neles e trazido as esposas para longe de tudo que lhes era conhecido, para essa terra-lótus sem sombra, cheia de gente obscenamente jovem, essa Califórnia cujo corpo era o templo e cuja ignorância era a felicidade, e depois tinham se mostrado indignos de confiança, soçobrando num campo de golfe ou caindo de cara numa tigela de sopa de macarrão, revelando assim a suas viúvas nesse último estágio de suas vidas, o quanto eram pouco confiáveis a vida geral e os maridos em particular.”

Declarações na imprensa[editar]

  • "A despolitização do Islã é a urtiga que todas as sociedades muçulmanas terão de agarrar com as mãos para poder se tornar modernas."
- Salman Rushdie, escritor, para quem a grande questão levantada pela guerra no Afeganistão é o Islã
  • "Se as vozes moderadas do Islã não modernizarem sua cultura e sua fé, pode ser que os 'Rushdies' tenham de fazê-lo por elas."
- Salman Rushdie, escritor condenado à morte em 1989 pelos líderes do Irã por causa de seu livro Versos Satânicos, em artigo no The New York Times
  • "Receio dizer que não gosto do trabalho de Paulo Coelho. Também não gosto de 'O Código Da Vinci', mas parece que o livro vende muito bem. Ou tenho mau gosto ou as outras pessoas têm. Há livros facilmente consumíveis e que dão um conforto simples às pessoas. Não é o meu negócio".
- Salman Rushidie, na feira de livros de Parati, em 11 de julho de 2005, de acordo com o site do jornal Folha de São Paulo.
  • "A liberdade de expressão é o coração da humanidade."

Sobre literatura[editar]

  • "Não parecem livros escritos há cem anos. A impressão é que foram escritos anteontem"
- Salman Rushidie, a respeito de espanhóis como Jorge Luis Borges, Mario Vargas Llosa, Carlos Fuentes, bem como os de língua portuguesa, citando os romances machadianos "Memórias Póstumas de Brás Cubas", "Quincas Borba" e "Dom Casmurro".