Clarice Lispector
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Clarice Lispector (10 de dezembro de 1920 - 9 de dezembro de 1977), é uma escritora brasileira de origem judia que nasceu na Ucrânia.
Tabela de conteúdo |
- "Fique de vez em quando sozinho, senão você será submergido. Até o amor excessivo dos outros pode submergir uma pessoa."
- - "De corpo inteiro" - Página 68; de Clarice Lispector - Publicado por Rocco, 1999 - 210 páginas
- "Dá-me a tua mão desconhecida que a vida está me doendo e eu não sei como falar- a realidade é delicada demais, só a realidade é delicada, minha irrealidade e minha imaginação são mais pesadas."
- - "A paixão segundo G.H.: romance" - Página 34; de Clarice Lispector - Publicado por Editôra Sabiá, 1964 - 182 páginas
- "Acho que sábado é a rosa da semana."
- - "Os melhores contos" - conto Atenção ao Sábado, Página 218; de Clarice Lispector, Walnice Nogueira Galvão - Publicado por Global, 1996 ISBN 8526005286, 9788526005280 - 291 páginas
- Na verdade, Angela..."O que me mata é o cotidiano. Eu queria só exceções."
- - "Um sopro de vida: pulsações" - Página 66; de Clarice Lispector - Publicado por Editora Nova Fronteira, 1978 - 162 páginas
- "Passei a minha vida tentando corrigir os erros que cometi na minha ânsia de acertar. Ao tentar corrigir um erro, eu cometia outro. Sou uma culpada inocente."
- - citado em "Línguas de fogo: ensaio sobre Clarice Lispector" - Página 42; de Claire Varin, Lúcia Peixoto Cherem - Publicado por Limiar, 2002 ISBN 8588075032, 9788588075030 - 191 páginas
- "É uma infâmia nascer para morrer não se sabe quando nem onde".
- - Clarice Lispector, em "Agua viva" : ficção, Publicado por Editora Artenova, 1973 - 115 páginas
[editar] Laços de família
- "Onde aprender a odiar para não morrer de amor?"
- - "Laços de família: contos" - Página 119; de Clarice Lispector, Lídia Jorge - Publicado por Relógio d'Agua, 1989 - 123 páginas
- "E de tal modo haviam se disposto as coisas que o amor doloroso lhe pareceu felicidade."
- "Sua sensibilidade incomodava sem ser dolorosa, como uma unha quebradiça."
- "Abandone-se, tente tudo suavemente, não se esforce por conseguir - esqueça completamente o que aconteceu e tudo voltará com naturalidade."
- "Quem sabe a que escuridão de amor pode chegar o carinho."
- "Oh Deus, eu que faço concorrência a mim mesma. Me detesto. Felizmente os outros gostam de mim. É uma tranqüilidade.Um sopro de vida."
- "Perder-se significa ir achando e nem saber o que fazer do que se for achando."
- "Nada impediria que essa mulher que andava rolando os quadris subisse mais um degrau misterioso nos seus dias." (Laços de família)
- "Ali estava uma mulher que a gulodice do mais fino sonho jamais poderia imaginar." (A menor mulher do mundo)
- "Porém nenhuma vez mais se repetiu. Porque a verdade era um relance." (Feliz Aniversário)
- "Sem entender jamais o que havia debom em ser gente, em sentir-se cansada, em diariamente falir; só os iniciados compreedem essa nuance de vício e esse refinamento de vida." (Imitação da Rosa)
[editar] A hora da estrela
- "Não tenho medo nem das chuvas tempestivas nem das grandes ventanias soltas. Pois eu também sou o escuro da noite."
- - "A hora da estrela" - Página 18; de Clarice Lispector - Publicado por Rocco, 1999 ISBN 853250812X, 9788532508126 - 87 páginas
- "Aliás - descubro eu agora - eu também não faço a menor falta, e até o que escrevo um outro escreveria."
- "Talvez a pergunta vazia fosse apenas para que um dia alguém não viesse a dizer que ela nem ao menos havia perguntado. Por falta de quem lhe respondesse ela mesma parecia se ter respondido: é assim porque é assim."
- "Quem não é um acaso na vida?"
- "Não se pode dar uma prova de existência do que é mais verdadeiro, o jeito é acreditar. Acreditar chorando."
- "Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas continuarei a escrever."
- "A eternidade é o estado das coisas neste momento."
- "Escrevo por ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens."
[editar] Um sopro de vida
- "Oh Deus, eu que faço concorrência a mim mesma. Me detesto. Felizmente os outros gostam de mim. É uma tranqüilidade."
- "Eu nunca fui livre na minha vida inteira. Por que dentro eu sempre me persegui. Eu me tornei intolerável para mim mesma."
- "Ser um ser permissível a si mesmo é a glória de existir."
[editar] Perto do coração selvagem
- "É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo."
- "Só quem guarda as armas a chave é quem receia atirar sobre todos."
- "Tudo o que poderia existir, já existe. Nada mais pode ser criado senão revelado."
[editar] A paixão segundo G.H.
- "Vocação é diferente de talento. Pode-se ter vocação e não ter talento, isto é, pode-se ser chamado e não saber como ir".
- "...há impossibilidade de ser além do que se é -
no entanto eu me ultrapasso mesmo sem o delírio, sou mais do que eu, quase normalmente - tenho um corpo e tudo que eu fizer é continuação de meu começo...... a única verdade é que vivo. Sinceramente, eu vivo. Quem sou? Bem, isso já é demais...."
- "...Não entendo.
Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: -quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo."
- "Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta de alguém que o que mais queremos é tirar essa pessoa de nossos sonhos e abraçá-la."
- "É quase impossível evitar o excesso de amor que um bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo."
- "O que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesmo."
- "Mas há a vida que é para ser intensamente vivida, há o amor.Que tem que ser vivido até a última gota.Sem nenhum medo. Não mata."
- "Só trabalho com achados e perdidos."
- "Que ninguém se engane: só se consegue a simplicidade através de muito trabalho."
- "Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro..."
- "A vida é igual em toda a parte e o que é necessário é a gente ser a gente."
- "Minha liberdade é escrever. A palavra é o meu domínio sobre o mundo."
- "Eu só escrevo quando eu quero, eu sou uma amadora e faço questão de continuar a ser amadora. Profissional é aquele que tem uma obrigação consigo mesmo de escrever, ou então em relação ao outro. Agora, eu faço questão de não ser profissional, para manter minha liberdade".
- "Escrevo porque encontro nisso um prazer que não consigo traduzir. Não sou pretensiosa. Escrevo para mim, para que eu sinta a minha alma falando e cantando, às vezes chorando..."
- "Escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador. Escrever é também abençoar uma vida que não foi abençoada"
- "É preciso coragem. Uma coragem danada. Muita coragem é o que eu preciso. Sinto-me tão desamparada, preciso tanto de proteção...porque parece que sou portadora de uma coisa muito pesada. Sei lá porque escrevo! Que fatalidade é esta?"
- "Eu misturei tudo, eu lia livro, romance para mocinha, livro cor de rosa, misturado com Dostoievski, eu escolhia os livros pelos títulos e não por autores, porque eu não tinha conhecimento...fui ler aos 13 anos Herman Hesse, tomei um choque: O Lobo da Estepe. Aí comecei a escrever um conto que não acabava nunca mais. Terminei rasgando e jogando fora."
- "Em uma outra vida que tive, aos 15 anos, entrei numa livraria, que me pareceu o mundo que gostaria de morar. De repente, um dos livros que abri continha frases tão diferentes que fiquei lendo, presa, ali mesmo. Emocionada, eu pensava: mas esse livro sou eu! Só depois vim a saber que a autora era considerada um dos melhores escritores de sua época: Katherine Mansfield."
- "Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é possível fazer sentido. Eu não: quero é uma verdade inventada."
- "Estou à procura de um livro para ler. É um livro todo especial. Eu o imagino como a um rosto sem traços. Não lhe sei o nome nem o autor. Quem sabe, às vezes penso que estou à procura de um livro que eu mesma escreveria. Não sei. Mas faço tantas fantasias a respeito desse livro desconhecido e já tão profundamente amado. Uma das fantasias é assim. Eu o estaria lendo e de súbito, uma frase lida, com lágrimas nos olhos diria em êxtase de dor e de enfim libertação: Mas é que eu não sabia que se pode tudo, meu Deus!"
- "... os bichos me fantasticam. Eles são o tempo que não se conta. Pareço ter certo horror daquela criatura viva que não é humana e que tem meus próprios instintos embora livres e indomáveis. Às vezes eletrizo-me ao ver bicho. Estou agora ouvindo o grito ancestral dentro de mim: parece que não sei quem é mais a criatura, se eu ou o bicho."
- "Quando eu me comunico com criança é fácil porque sou muito maternal. Quando me comunico com adulto, na verdade estou me comunicando com o mais secreto de mim mesma, daí é difícil... O adulto é triste e solitário. A criança tem a fantasia muito solta."
- "Quanto a meus filhos, o nascimento deles não foi casual. Eu quis ser mãe. Os dois meninos estão aqui, ao meu lado. Eu me orgulho deles, eu me renovo neles, eu acompanho seus sofrimentos e angústias. Sei que um dia abrirão as asas para o vôo necessário, e eu ficarei sozinha. Quando eu ficar sozinha, estarei seguindo o destino de todas as mulheres."
- "Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo."
- "A harmonia secreta da desarmonia: quero não o que está feito mas o que tortuosamente ainda se faz. Minhas desequilibradas palavras são o luxo de meu silêncio. Escrevo por acrobáticas aéreas piruetas - escrevo por profundamente querer falar. Embora escrever só esteja me dando a grande medida do silêncio."
- "Vida e morte foram minhas, e eu fui monstruosa, minha coragem foi a de um sonâmbulo que simplesmente vai."
- "Nem todos chegam a fracassar porque é tão trabalhoso, é preciso antes subir penosamente até enfim atingir a altura de poder cair."
- "Com Deus a gente também pode abrir caminho pela violência. Ele mesmo quando precisa mais especialmente de um de nós, Ele nos escolhe e nos violenta."
[editar] Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres
- ""Nós ainda somos moços, podemos perder algum tempo sem perder a vida inteira."
- - "Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres" - Página 47; de Clarice Lispector - Publicado por Rocco, 1998.
[editar] Especiais
- "Sou brasileira naturalizada, quando, por questão de meses, poderia ser brasileira nata. Fiz da língua portuguesa a minha vida interior, o meu pensamento mais íntimo, usei-a para palavras de amor."
- - Ao falar de suas origens
- "Comecei a escrever pequenos contos logo que me alfabetizaram, e escrevi-os em português, é claro. Criei-me em Recife. [...] E nasci para escrever. A palavra é meu domínio sobre o mundo."
- - Ao falar sobre seus primeiros textos
- "[...] talvez porque para as outras vocações eu precisaria de um longo aprendizado, enquanto que para escrever o aprendizado é a própria vida se vivendo em nós e ao redor de nós. É que não sei estudar. E, para escrever, o único estudo é mesmo escrever."
- - Ao ser perguntada porque escolheu a literatura para sua vocação
[editar] Veja também
- A paixão segundo G.H. (livro)
- Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres (livro)