Clarice Lispector

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Clarice Lispector
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Clarice Lispector (10 de dezembro de 1920 - 9 de dezembro de 1977), foi uma escritora brasileira de origem judaica que nasceu na Ucrânia.


  • "(...) Me lembro bem da carta que eu lhe escrevi, sobre deixar os outros em paz. Realmente o tom geral devia estar pessimista. O pessimismo passou, mas o bom propósito não: farei o possível para não amar demais as pessoas, sobretudo por causa das pessoas. Às vezes o amor que se dá pesa, quase como responsabilidade na pessoa que o recebe. Eu tenho essa tendência geral para exagerar, e resolvi tentar não exigir dos outros senão o mínimo. É uma forma de paz... Também é bom porque em geral se pode ajudar muito mais as pessoas quando não se está cega pelo amor. (...)"
- in: No livro 'Minhas Queridas'. (um livro que reúne cartas escritas entre 1940 e 1957 para suas irmãs)
  • Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato. Ou toca, ou não toca!
- entrevista concedida em 1977 a Júlio Lerner
  • "Acho que sábado é a rosa da semana."
- "Os melhores contos" - conto Atenção ao Sábado, Página 218; de Clarice Lispector, Walnice Nogueira Galvão - Publicado por Global, 1996 ISBN 8526005286, 9788526005280 - 291 páginas
  • "Amor é não ter. Inclusive amor é a desilusão do que se pensava que era amor. E não é prêmio por isso não envaidece".
- Clarice Lispector, "A imitação da rosa‎" - Página 12, Clarice Lispector - Editora Artenova, 1973 - 183 páginas
  • "Amor é quando é concedido participar um pouco mais. Poucos querem o amor, porque amor é a grande desilusão de tudo o mais. E poucos suportam perder todas as outras ilusões".
- Clarice Lispector, "A imitação da rosa‎" - Página 12, Clarice Lispector - Editora Artenova, 1973 - 183 páginas
  • "Fique de vez em quando sozinho, senão você será submergido. Até o amor excessivo dos outros pode submergir uma pessoa."
- "De corpo inteiro" - Página 68; de Clarice Lispector - Publicado por Rocco, 1999 - 210 páginas
  • "Passei a minha vida tentando corrigir os erros que cometi na minha ânsia de acertar. Ao tentar corrigir um erro, eu cometia outro. Sou uma culpada inocente."
- citado em "Línguas de fogo: ensaio sobre Clarice Lispector" - Página 42; de Claire Varin, Lúcia Peixoto Cherem - Publicado por Limiar, 2002 ISBN 8588075032, 9788588075030 - 191 páginas
  • "Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro."
- Correspondências - página 165, Clarice Lispector, Teresa Montero - Rocco, 2002, ISBN 8532514863, 9788532514868 - 331 páginas
  • "Ela acreditava em anjos e, porque acreditava, eles existiam."
- A hora da estrela - página 39, Clarice Lispector - Rocco, 1998, ISBN 853250812X, 9788532508126 - 87 páginas
  • "Mas há a vida/ que é para ser intensamente vivida,/ há o amor./ Que tem que ser vivido/ até a última gota./ Sem nenhum medo./ Não mata."
- "Mas há vida" in: "A descoberta do mundo: crónicas" - página 373, Clarice Lispector - Francisco Alves, 1994, ISBN 8526502654, 9788526502659 - 533 páginas
  • (...) nem entendo aquilo que entendo: pois estou infinitamente maior do que eu mesma, e não me alcanço.
- CL , In: Aprendendo a viver, RJ: Editora Rocco, 2004.
- Visão do esplendor: impressões leves - página 135, Clarice Lispector - Francisco Alves, 1975 - 156 páginas
  • "O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós."
- A maçã no escuro - página 245, Clarice Lispector - Paz e Terra, 1978 - 257 páginas
  • "(...) Que medo alegre/ o de te esperar (...)
- CL, [Estrela Perigosa]
  • "– Mamãe, vi um filhote de furacão, mas tão filhotinho ainda, tão pequeno ainda, que só fazia era rodar bem de leve umas três folhinhas na esquina..."
-CL , In: Para não esquecer, RJ, Editora Rocco, 1978.

A Descoberta do Mundo[editar]

  • Lutei toda a minha vida contra a tendência ao devaneio, sempre sem jamais deixar que ele me levasse até as últimas águas. Mas o esforço de nadar contra a doce corrente tira parte de minha força vital. E, se lutando contra o devaneio, ganho no domínio da ação, perco interiormente uma coisa muito suave de se ser e que nada substitui. Mas um dia ainda hei de ir, sem me importar para onde o ir me levará.

A hora da estrela[editar]

  • "A eternidade é o estado das coisas neste momento."
  • "Aliás - descubro eu agora - eu também não faço a menor falta, e até o que escrevo um outro escreveria."
  • "Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas continuarei a escrever."
  • "Escrevo por ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens."
  • "Não tenho medo nem das chuvas tempestivas nem das grandes ventanias soltas. Pois eu também sou o escuro da noite."
- "A hora da estrela" - Página 18; de Clarice Lispector - Publicado por Rocco, 1999 ISBN 853250812X, 9788532508126 - 87 páginas
  • "Não se pode dar uma prova de existência do que é mais verdadeiro, o jeito é acreditar. Acreditar chorando."
  • "Quem não é um acaso na vida?"
  • "Talvez a pergunta vazia fosse apenas para que um dia alguém não viesse a dizer que ela nem ao menos havia perguntado. Por falta de quem lhe respondesse ela mesma parecia se ter respondido: é assim porque é assim."

A paixão segundo G.H.[editar]

Capa do livro "A Paixão Segundo GH", 1964.
  • "A harmonia secreta da desarmonia: quero não o que está feito mas o que tortuosamente ainda se faz. Minhas desequilibradas palavras são o luxo de meu silêncio. Escrevo por acrobáticas aéreas piruetas - escrevo por profundamente querer falar. Embora escrever só esteja me dando a grande medida do silêncio."
  • "A saudade é a prova que o passado valeu a pena."
  • "A vida é dura para quem é mole."
  • "A vida é igual em toda a parte e o que é necessário é a gente ser a gente."
  • "Com Deus a gente também pode abrir caminho pela violência. Ele mesmo quando precisa mais especialmente de um de nós, Ele nos escolhe e nos violenta."
  • "Dá-me a tua mão desconhecida que a vida está me doendo e eu não sei como falar- a realidade é delicada demais, só a realidade é delicada, minha irrealidade e minha imaginação são mais pesadas."
- "A paixão segundo G.H.: romance" - Página 34; de Clarice Lispector - Publicado por Editôra Sabiá, 1964 - 182 páginas
  • "Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro...
  • "É preciso coragem. Uma coragem danada. Muita coragem é o que eu preciso. Sinto-me tão desamparada, preciso tanto de proteção...porque parece que sou portadora de uma coisa muito pesada. Sei lá porque escrevo! Que fatalidade é esta?"
  • "É quase impossível evitar o excesso de amor que um bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo."
  • "Eu misturei tudo, eu lia livro, romance para mocinha, livro cor de rosa, misturado com Dostoievski, eu escolhia os livros pelos títulos e não por autores, porque eu não tinha conhecimento...fui ler aos 13 anos Herman Hesse, tomei um choque: O Lobo da Estepe. Aí comecei a escrever um conto que não acabava nunca mais. Terminei rasgando e jogando fora."
  • "Eu só escrevo quando eu quero, eu sou uma amadora e faço questão de continuar a ser amadora. Profissional é aquele que tem uma obrigação consigo mesmo de escrever, ou então em relação ao outro. Agora, eu faço questão de não ser profissional, para manter minha liberdade".
  • "Em uma outra vida que tive, aos 15 anos, entrei numa livraria, que me pareceu o mundo que gostaria de morar. De repente, um dos livros que abri continha frases tão diferentes que fiquei lendo, presa, ali mesmo. Emocionada, eu pensava: mas esse livro sou eu! Só depois vim a saber que a autora era considerada um dos melhores escritores de sua época: Katherine Mansfield."
  • "Escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador. Escrever é também abençoar uma vida que não foi abençoada"
  • "Escrevo porque encontro nisso um prazer que não consigo traduzir. Não sou pretensiosa. Escrevo para mim, para que eu sinta a minha alma falando e cantando, às vezes chorando..."
  • "Estou à procura de um livro para ler. É um livro todo especial. Eu o imagino como a um rosto sem traços. Não lhe sei o nome nem o autor. Quem sabe, às vezes penso que estou à procura de um livro que eu mesma escreveria. Não sei. Mas faço tantas fantasias a respeito desse livro desconhecido e já tão profundamente amado. Uma das fantasias é assim. Eu o estaria lendo e de súbito, uma frase lida, com lágrimas nos olhos diria em êxtase de dor e de enfim libertação: Mas é que eu não sabia que se pode tudo, meu Deus!"
  • "...há impossibilidade de ser além do que se é -
no entanto eu me ultrapasso mesmo sem o delírio,
sou mais do que eu, quase normalmente -
tenho um corpo e tudo que eu fizer é continuação
de meu começo......
a única verdade é que vivo.
Sinceramente, eu vivo.
Quem sou?
Bem, isso já é demais...."
  • "Mas há a vida que é para ser intensamente vivida, há o amor.Que tem que ser vivido até a última gota.Sem nenhum medo. Não mata."
  • "Minha liberdade é escrever. A palavra é o meu domínio sobre o mundo."
  • "...Não entendo.
Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender.
Entender é sempre limitado.
Mas não entender pode não ter fronteiras.
Sinto que sou muito mais completa quando não entendo.
Não entender, do modo como falo, é um dom.
Não entender, mas não como um simples de espírito.
O bom é ser inteligente e não entender.
É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida.
É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice.
Só que de vez em quando vem a inquietação:
-quero entender um pouco.
Não demais: mas pelo menos entender que não entendo."
  • "Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo."
  • "Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é possível fazer sentido. Eu não: quero é uma verdade inventada."
  • "Nem todos chegam a fracassar porque é tão trabalhoso, é preciso antes subir penosamente até enfim atingir a altura de poder cair."
  • "O que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesmo."
  • "...os bichos me fantasticam. Eles são o tempo que não se conta. Pareço ter certo horror daquela criatura viva que não é humana e que tem meus próprios instintos embora livres e indomáveis. Às vezes eletrizo-me ao ver bicho. Estou agora ouvindo o grito ancestral dentro de mim: parece que não sei quem é mais a criatura, se eu ou o bicho."
  • "(...)Pois em mim mesma eu vi como é o inferno...(...) p. 143 (...) E porque minha alma é tão ilimitada que já não sou eu, e porque ela está tão além de mim - é que sempre sou remota a mim mesma, sou-me inalcançável como me é inalcançável um astro... (...) p. 146 (...) O mistério do destino humano é que somos fatais, mas temos a liberdade de cumprir ou não o nosso fatal: de nós depende realizarmos o nosso destino fatal... (...) mas de mim depende eu vir a ser o que fatalmente sou... p.148 (...) E não preciso sequer cuidar da minha alma, ela cuidará fatalmente de mim, e não tenho que fazer para mim mesma uma alma: tenho apenas que escolher viver. Somos livres, e este é o inferno. p. 148, Clarice Lispector, In: A Paixão Segundo GH, 5 ed. Rio de Janeiro, J. Oliympio 1977 páginas diversas
  • "Quanto a meus filhos, o nascimento deles não foi casual. Eu quis ser mãe. Os dois meninos estão aqui, ao meu lado. Eu me orgulho deles, eu me renovo neles, eu acompanho seus sofrimentos e angústias. Sei que um dia abrirão as asas para o vôo necessário, e eu ficarei sozinha. Quando eu ficar sozinha, estarei seguindo o destino de todas as mulheres."
  • "Que ninguém se engane: só se consegue a simplicidade através de muito trabalho."
  • "Viajo porque gosto, volto porque te amo."
  • "Vida e morte foram minhas, e eu fui monstruosa, minha coragem foi a de um sonâmbulo que simplesmente vai."
  • "Vocação é diferente de talento. Pode-se ter vocação e não ter talento, isto é, pode-se ser chamado e não saber como ir".
  • "Sempre conservei uma aspa à esquerda e outra à direita de mim.”
- A paixão segundo G.H. - página 30, Clarice Lispector - Sabiá, 1964 - 182 páginas
  • "Só trabalho com achados e perdidos."
  • "Todo cidadão tem o direito de ir e vir. Desde que seja a pé, de outra forma paga pedágio."

Entrevista com Julio Verner[editar]

Entrevista dada a Júlio Verner:

  • JV: É mais difícil você se comunicar com o adulto ou com a criança?
  • CL: Quando me comunico com criança é fácil porque sou muito maternal. Quando me comunico com o adulto, na verdade, estou me comunicando com o mais secreto de mim mesma.
  • JV: O adulto é sempre solitário?
  • CL: O adulto é triste e solitário.
  • JV: E a criança?
  • CL: A criança tem a fantasia solta.

Água Viva[editar]

Capa do livro "Água Viva", Clarice Lispector. Primeira edição, 1973. Studio Artenova
  • "Agora sei: sou só. Eu e minha liberdade que não sei usar. Grande responsabilidade da solidão. Quem não é perdido não conhece a liberdade e não a ama." - Água Viva, Clarice Lispector, Editora Rocco, 1998. p. 66.
  • "(...) Atravessei a rua e tomei um táxi. A brisa arrepiava-me os cabelos da nuca. E eu estava tão feliz que me encolho no canto do táxi de medo porque a felicidade dói. E isto tudo causado pela visão do homem bonito. Eu continuava a não querê-lo para mim – gosto é de pessoas um pouco feias e ao mesmo tempo harmoniosas, mas ele de certo modo dera-me muito com o sorriso de camaradagem entre pessoas que se entendem. Tudo isso eu não entendia.
A coragem de viver: deixo oculto o que preciso ser oculto e precisa irradiar-se em segredo. Calo-me. (...) Clarice Lispector, in: Água Viva, Círculo do Livro, 1973 p. 76-7
  • "E ninguém é eu. E ninguém é você. Esta é a solidão."
- Agua viva - página 41, Clarice Lispector - Círculo do Livro, 1973 - 115 páginas
  • "É uma infâmia nascer para morrer não se sabe quando nem onde".
- Clarice Lispector, em "Agua viva" : ficção‎, Publicado por Editora Artenova, 1973 - 115 páginas
  • "Há muita coisa a dizer que não sei como dizer. Faltam as palavras. Mas recuso-me a inventar novas: as que existem já devem dizer o que se consegue dizer e o que é proibido. E o que é proibido eu adivinho. Se houver força. Atrás do pensamento não há palavras: é-se. Minha pintura não tem palavras: fica atrás do pensamento. Nesse terreno do é-se sou puro êxtase cristalino. È-se. Sou-me. Tu te és." - Água Viva, Clarice Lispector, Editora Rocco, 1998. p. 27.
  • "Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero é uma verdade inventada." Água Viva, Clarice Lispector, Editora Rocco, 2008. p. 20.
  • "Ouve-me. Ouve o meu silêncio. O que falo nunca é o que falo e, sim, outra coisa. (...) Capta a “outra coisa” porque eu mesma não posso. ::- Agua viva - página 35, Clarice Lispector - Círculo do Livro, 1973 - 115 páginas
  • "Ouve-me, ouve meu silêncio. O que falo nunca é o que falo e sim outra coisa. Quando digo "águas abundantes" estou falando da força de corpos nas água do mundo. Capta essa outra coisa que na verdade falo porque eu mesma não posso. Lê a energia que está no meu silêncio. Ah, tenho medo de Deus e do meu silêncio." Água Viva, p. 33 - Editora Círculo do livro 1973.

Laços de família[editar]

  • "Abandone-se, tente tudo suavemente, não se esforce por conseguir - esqueça completamente o que aconteceu e tudo voltará com naturalidade."
  • "Ali estava uma mulher que a gulodice do mais fino sonho jamais poderia imaginar." (A menor mulher do mundo)
  • "E de tal modo haviam se disposto as coisas que o amor doloroso lhe pareceu felicidade."
  • "Nada impediria que essa mulher que andava rolando os quadris subisse mais um degrau misterioso nos seus dias." (Laços de família)
  • "Oh Deus, eu que faço concorrência a mim mesma. Me detesto. Felizmente os outros gostam de mim. É uma tranqüilidade.Um sopro de vida."
  • "Onde aprender a odiar para não morrer de amor?"
- "Laços de família: contos" - Página 119; de Clarice Lispector, Lídia Jorge - Publicado por Relógio d'Agua, 1989 - 123 páginas
  • "Perder-se significa ir achando e nem saber o que fazer do que se for achando."
  • "Porém nenhuma vez mais se repetiu. Porque a verdade era um relance." (Feliz Aniversário)
  • "Quem sabe a que escuridão de amor pode chegar o carinho."
  • "Sem entender jamais o que havia debom em ser gente, em sentir-se cansada, em diariamente falir; só os iniciados compreedem essa nuance de vício e esse refinamento de vida." (Imitação da Rosa)
  • "Sua sensibilidade incomodava sem ser dolorosa, como uma unha quebradiça."

Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres[editar]

  • "(...) E era bom. "Não entender" era tão vasto que ultrapassava qualquer entender - entender era sempre limitado. Mas não entender não tinha fronteiras e levava ao infinito, ao Deus. Não era um não entender como um espírito. O bom era ter inteligência e não entender. Era uma benção como a de ter loucura sem ser doida. Era um desinteresse manso em relação às coisas ditas do intelecto, uma doçura de estupidez. (...) Clarice Lispector, in: Uma aprendizagem ou O Livro dos Prazeres, 8a. ed, RJ: Editora Nova Fronteira, 1980, p. 44
  • "De Ulisses ela aprendera a ter coragem de ter coragem de ter fé - muita coragem, fé em quê ? Na própria fé, que a fé pode ser um grande susto, pode significar cair no abismo, Lóri tinha medo de cair no abismo e segurava-se numa das mãos de Ulisses enquanto a outra mão de Ulisses empurrava-a para o abismo - em breve ela teria que soltar a mão menos forte do que a que a empurrava, e cair, a vida não é de se brincar porque em pleno dia se morre. A mais premente necessidade de um ser humano era tornar-se um humano."


  • O óbvio, Lóri, é a verdade mais difícil de se enxergar" (Clarice Lispector, in: Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres)
  • "Nós ainda somos moços, podemos perder algum tempo sem perder a vida inteira."
- "Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres" - Página 47; de Clarice Lispector - Publicado por Rocco, 1998.

Um sopro de vida[editar]

  • "(...) Ângela é doida. Mas tem uma lógica matemática na sua doidice aparente. E se diverte muito a escandalosa. Aguça-se demais e depois não sabe o que fazer de si. Que se dane. Entre o "sim" e o "não" só há um caminho. Escolher. Ângela escolheu "sim". Ela é tão livre que um dia será presa. "Presa por quê?" "Por excesso de liberdade." "Mas essa liberdade é inocente?" "É." "Até mesmo ingênua." "Então por que a prisão?" "Porque a liberdade ofende." (...)In: Um Sopro de Vida: (Pulsações),8a. ed. Editora Nova Fronteira, 1978, p. 66
  • "Eu nunca fui livre na minha vida inteira. Por que dentro eu sempre me persegui. Eu me tornei intolerável para mim mesma."
  • "Quem dá aos pobres, tem que pagar o motel." (não encontrada no livro Editora Nova Fronteira, 1978 / 3ª edição)
  • Na verdade, Angela..."O que me mata é o cotidiano. Eu queria só exceções."
- "Um sopro de vida: pulsações" - Página 66; de Clarice Lispector - Publicado por Editora Nova Fronteira, 1978 - 162 páginas
  • "Oh Deus, eu que faço concorrência a mim mesma. Me detesto. Felizmente os outros gostam de mim. É uma tranqüilidade."
  • "Ser um ser permissível a si mesmo é a glória de existir."
  • "Só isso, Dener."[1]

Perto do coração selvagem[editar]

  • "É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo."
  • "Liberdade é pouco. O que desejo ainda não tem nome." página 74, Clarice Lispector - Nova Fronteira, 1980 - 216 páginas
  • "Quem se recusa o prazer, quem se faz de monge, em qualquer sentido, é porque tem uma capacidade enorme para o prazer, uma capacidade perigosa – daí um temor maior ainda. Só quem guarda as armas a chave é quem receia atirar sobre todos”
  • "(...) tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo. (...) CL [Perto do coração selvagem]
  • "Tudo o que poderia existir, já existe. Nada mais pode ser criado senão revelado."

Especiais[editar]

  • "Comecei a escrever pequenos contos logo que me alfabetizaram, e escrevi-os em português, é claro. Criei-me em Recife. [...] E nasci para escrever. A palavra é meu domínio sobre o mundo."
- Ao falar sobre seus primeiros textos
  • (...) quanto a mim, tenho a lhes dizer que as estrelas são mais do que curumins. Estrelas são os olhos de Deus vigiando para que corra tudo bem. Para sempre. E, como se sabe, “sempre” não acaba nunca. (Clarice Lispector, in: Como nasceram as estrelas)
  • "Sou brasileira naturalizada, quando, por questão de meses, poderia ser brasileira nata. Fiz da língua portuguesa a minha vida interior, o meu pensamento mais íntimo, usei-a para palavras de amor."
- Ao falar de suas origens
  • "[...] talvez porque para as outras vocações eu precisaria de um longo aprendizado, enquanto que para escrever o aprendizado é a própria vida se vivendo em nós e ao redor de nós. É que não sei estudar. E, para escrever, o único estudo é mesmo escrever."
- Ao ser perguntada porque escolheu a literatura para sua vocação
  • "O bagulho é louco e o processo é lento."
- citado em "Moreno Em Ato" - Página 83, Anna Maria Knobel, Editora Agora, 2004, ISBN 8571838860, 9788571838864 - 286 páginas

Atribuídas[editar]

  • "Não entendo, apenas sinto. Tenho medo de um dia entender e deixar de sentir." [Carece de fontes para: Clarice Lispector e/ou Caio Fernando Abreu]
  • "Não se preocupe em entender. Viver ultrapassa qualquer entendimento."
- citado em "Moreno Em Ato" - Página 32, Anna Maria Knobel, Editora Agora, 2004, ISBN 8571838860, 9788571838864 - 286 páginas
  • "Amar não acaba. É como se o mundo estivesse à minha espera. E eu vou ao encontro do que me espera."
- Fonte: http://www.caras.uol.com.br - 5 de novembro de 2009 - EDIÇÃO 835 - Citações

Veja também[editar]

Referências[editar]

  1. Op.cit. p.39