Anne Rice

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Annie Rice
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Anne Rice (4 de Outubro de 1941) é uma escritora norte-americana, autora de inúmeras séries de terror e fantasia, entre elas as aclamadas Crônicas Vampirescas, a saga das Bruxas Mayfair e a trilogia Cristo Senhor


Obras[editar]

Entrevista Com o Vampiro[editar]

  • "As pessoas que param de crer em Deus ou na bondade continuam a acreditar no diabo. Não sei por que. Não, realmente não sei por que. O mal é sempre possível. E a bondade é eternamente difícil.".
  • "O mal é um ponto de vista.".
  • "Fui presenteado com a vida eterna, com uma percepção aguçada e com a necessidade de matar – expliquei rapidamente. – Porque o vampiro que me criou desejava a casa que eu possuía e meu dinheiro. Entende uma coisa destas? – perguntei. – Ah, mas há muita mais por trás do que digo. Fui descobrindo tudo tão devagar, de modo tão incompleto! Vê, é como se você abrisse uma porta para mim, e a luz escapasse por esta porta que eu tento agarrar, encarar, para entrar na região que diz existir além dela! Quando, na verdade, não acredito nela! O vampiro que me criou representa para mim o verdadeiro mal: era tão melancólico, tão prosaico, tão estúpido, tão inevitável e eternamente decepcionante quanto eu acreditava que devia ser o mal! Sei disto agora. Mas você, você é algo que escapa inteiramente desta concepção! Abra a porta para mim, escancare-a. Fale-me sobre o palácio de Veneza, sobre seu amor condenado. Quero compreendê-lo!".
  • "- Deus não vivia naquela igreja. As estátuas transmitiam a imagem do nada. Eu era o sobrenatural naquela catedral. Era a única coisa imortal que jazia consciente sob seu teto! Solidão. Solidão até a loucura. Em minha visão, a catedral estremecia. Os santos balançavam e caíam. Ratos comiam a Santa Eucaristia e se aninhavam nas vigas. Um rato solitário com uma enorme cauda continuou roendo a toalha podre do altar até o candelabro cair e rolar pelas pedras cheias de limo. E eu continuei de pé. Intocado. Imortal. Agarrando subitamente a mão de tinta da

Virgem e vendo -a quebrar -se em minha palma, esfarelada por meus dedos."

  • "Ainda o amo, esse é o meu tormento. Lestat, eu nunca amei. Mas você! A medida de meu ódio é este amor. São iguais! Agora sabe o quanto o odeio!".

O Vampiro Lestat[editar]

  • "Era nisso que ele acreditava, em que sempre acreditou quando eu falava e falava sobre a bondade? Estaria ele fazendo o violino dizer isso? Estaria criando deliberadamente aquelas notas longas, puras e transparentes para dizer que a beleza não significava nada porque vinha do desespero dentro dele e que afinal não tinha nada a ver com o desespero, porque o desespero não era belo e então a beleza não passava de uma horrível ironia? A beleza não era a traição que ele imaginava ser, era mais uma terra desconhecida na qual se poderiam cometer mil erros fatais, um paraíso selvagem e indiferente sem indicações claras do bem e do mal. Apesar de todos os refinamentos da civilização que conspiraram para produzir a arte — a estonteante perfeição do quarteto de cordas ou o exuberante esplendor das telas de Fragonard — a beleza era selvagem. Era tão perigosa e sem lei quanto a terra fora milênios antes que o homem tivesse elaborado um único pensamento coerente ou escrevesse códigos de conduta em tábuas de argila. A beleza era um Jardim Selvagem. Assim, por que iria feri-lo o fato de mesmo a música mais desesperadora estar cheia de beleza? Por que isso iria magoá-lo, torná-lo cínico, triste e desconfiado? O bem e o mal são conceitos criados pelo homem. E o homem é melhor, de fato, do que o Jardim Selvagem. Mas talvez bem no íntimo, Nicki sempre tenha sonhado com uma harmonia entre todas as coisas, que eu sempre soube ser impossível. Nicki não sonhara com a bondade, mas sim com a justiça."
  • "Percebi enquanto falava em voz alta que, mesmo quando morrêssemos, era provável que não descobríssemos a resposta de por que estivemos vivos. Mesmo o ateu confesso provavelmente pensa que na morte obterá alguma resposta. Quero dizer, Deus estará lá ou não haverá coisa alguma.
— Mas é apenas isso — eu disse —, nós não fazemos nenhuma descoberta na hora da morte! Apenas paramos! Passamos para a não-existência sem jamais saber de coisa alguma. Eu via o universo, tinha uma visão do sol, dos planetas, das estrelas, da noite negra continuando para sempre. E comecei a rir.
— Você percebe isso? Jamais saberemos por que diabos tudo isso aconteceu, nem mesmo quando acaba! — berrei para Nicolas que estava recostado na cama, sacudindo a cabeça e bebendo o vinho de um garrafão. — Nós vamos morrer e nem vamos saber. Jamais saberemos, e toda essa falta de sentido vai continuar para sempre. E já não seremos mais testemunhas disso. Nem sequer temos o pequeno poder de dar sentido a isso em nossas mentes. Nós apenas vamos desaparecer, mortos, mortos, mortos, sem nem ao menos saber".
  • "Eu gritei, mas sem emitir som. Sentia a boca cheia de sangue e cada gole descia por minha garganta matando uma sede insondável. E eu queria dizer, sim, agora compreendo, agora entendo o quanto esta escuridão é terrível, é insuportável. Eu não sabia. Não podia saber. O pássaro flutuando através da escuridão sobre o litoral estéril, sobre o mar sem vincos. Amado Deus, pare com isso. Pior do que o horror na estalagem. Pior do que os relinchos agonizantes da égua caída na neve. Mas o sangue era sangue, afinal de contas, e o coração — o saboroso coração como eram todos os corações — estava bem ali, pronto para alcançar meus lábios. Agora, meu amor, agora é o momento. Eu posso sorver a vida que bate em seu coração e enviá-lo para o esquecimento no qual nada pode ser jamais compreendido ou perdoado, ou então posso trazê-lo para mim".
  • "Muito poucos seres procuram realmente o conhecimento neste mundo. Mortais ou imortais, poucos perguntam de fato. Pelo contrário, eles tentam arrancar à força do desconhecido as respostas que já formaram em suas mentes... justificativas, confirmações, fórmulas de consolo sem as quais não podem continuar. Perguntar de fato é abrir a porta para um furacão. A resposta pode aniquilar a pergunta e quem a fez.".
  • "Você sente minha solidão — eu respondi —, minha amargura por ser excluído da vida. Minha amargura por ser algo maligno, porque não mereço ser amado e, no entanto, preciso de amor com toda ânsia. Meu horror porque jamais poderei revelar-me para os mortais. Mas essas coisas não me detêm, mãe. Sou forte demais para que elas possam me deter. Como você mesma disse um dia. Sou muito bom em ser o que sou. Essas coisas apenas me fazem sofrer de vez em quando, só isso".

A Rainha Dos Condenados[editar]

  • "— Pare de chorar por Baby Jenks, e por si mesmo. Pense nos mortais por quem deveria chorar. Pense naqueles que sofreram durante longos séculos, as vitimas da fome, da miséria, da violência. Vitimas de injustiças e guerras sem fim. Então como pode chorar por uma raça de monstros, que sem orientação ou propósito usavam seu poder demoníaco em qualquer mortal que por acaso encontrassem!".
  • "— Olhe para a floresta lá fora — ele pediu, apontando para a parede de vidro. — Escolha uma árvore. Descreva-a, se quiser, em termos daquilo que ela destrói, daquilo que ela desafia, daquilo que ela não consegue fazer, e terá um monstro de raízes gulosas e ímpeto irresistível que devora a luz das outras plantas, seus nutrientes, seu ar. Mas esta não é a verdade da árvore. Esta não é a verdade inteira, quando ela é vista como uma parte da natureza; e quando falo em natureza não me refiro a algo sagrado; refiro-me apenas ao quadro completo, Akasha. A coisa maior, que abarca tudo isso".