Anjos na América

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Anjos na América (Angels in America) é uma peça de teatro escrita por Tony Kushner. Em 2003 foi adaptada como minissérie pelo canal norte-americano de televisão HBO, com direção de Mike Nichols e roteiro adaptado pelo próprio Tony Kushner. Ambientada na cidade de Nova York em 1985, tem como temas centrais o estouro da epidemia de AIDS, a aceitação do homossexualismo pela sociedade e a política da era Reagan.


Prior devolvendo o Livro Sagrado[editar]

  • Anjo 1: Esse é o tomo da imobilidade, da trégua. Fique no céu, não volte à vida. Não sofra mais. A escolha é sua.
Prior: Não posso. Ainda quero a minha bênção. Mesmo doente, quero estar vivo.
  • Anjo 2: Você só pensa que quer. A vida é um hábito seu. Ainda não viu o que está por vir. Nós vimos. O que o desdobrar implacável desses últimos tempos trará que você ou qualquer outra criatura queira suportar? A morte, mais abundante do que as lágrimas que o paraíso tem para pranteá-la. A lenta dissolução do grande desenho, o desmembramento da obra da eternidade, o mundo e sua bela lógica de partículas, tudo devastado, tudo morto para sempre. Estamos fracassando. Fracassando. A terra e os anjos. Quem pede pela bênção da ordem com a vinda do Apocalipse? Quem pede mais vida quando a morte, como uma proteção, cega os nossos olhos, ocultando do nervo frágil mais horror do que se pode suportar? Que todo ser para quem a fortuna sorri se arraste para a morte antes do último, terrível dia raiar, quando toda a sua devastação retornar a vocês, quando a manhã raiar em tom rubro e levar toda vida consigo, uma onda de fogo protéico que circunda o planeta e deixa a terra limpa feito um osso
Prior: Ainda assim... Ainda assim, me abençoe. Quero mais vida. Não consigo evitar. Eu quero. Vivi tempos tão terríveis e tem gente passando por coisas ainda piores, mas ainda assim estão vivendo. Mesmo quando são mais espírito do que carne, mais feridas do que pele, mesmo quando queimados e em agonia, quando moscas põem ovos nos cantos dos olhos dos seus filhos, eles vivem. Geralmente, a morte tem que levar a vida. Não sei se isso é só animal. Não sei se não é mais corajoso morrer, mas reconheço o hábito, o vício de estar vivo. Nós vivemos para além da esperança. Se eu puder achar esperança em algum lugar, já está bom. É o melhor que posso fazer. E é tão pouco. É tão inadequado. Mesmo assim, me abençoe. Quero mais vida.

Prior perdoando Louis[editar]

  • "Falhar no amor não é o mesmo que não amar."

Fala final de Harper[editar]

  • "Fazia anos que eu não subia num avião. Ao chegar aos 35 mil pés teremos alcançado a tropopausa, a grande camada de calmaria. O mais próximo do ozônio a que chegarei. Sonhei que estávamos lá. O avião ultrapassou a tropopausa, o ar seguro, e atingiu a camada externa do ozônio, que estava imperfeita e rompida, retalhos dela esgarçados como uma gaze. E isso foi assustador. Mas vi uma coisa que só eu pude ver, devido à minha enorme habilidade para ver tais coisas. Almas estavam subindo da terra lá embaixo. Alma dos mortos, das pessoas que pereceram da fome, da guerra, da praga. E eles subiam flutuando como saltadores ao revés, os braços em ângulos, girando e rodopiando. E as almas dos que se foram, de mãos dadas, entrelaçadas pelos tornozelos, formavam uma rede. Uma grande rede de almas. As almas eram moléculas de três átomos de oxigênio, da matéria do ozônio, e a camada externa os absorveu e se restaurou. Nada está perdido para sempre. Neste mundo, há uma espécie de progresso doloroso, ansiando pelo que deixamos para trás e sonhando com o que está por vir. Pelo menos, eu acho que é assim."
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